Al-Kindi

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Al-Kindi
Al-Kindi
Retrato de Al-Kindi.
Nascimento 801
Kufa, no actual Iraque
Falecimento 873
Bagdade
Ocupação Filósofo e cientista
Escola/tradição Filosofia islâmica, Mu'tazili, escola peripatética, ciência islâmica
Principais interesses Filosofia, Ciências, Astronomia, Matemática, Medicina, Teologia, Música
Influências Aristóteles, Plotino, Proclo, João Filopono, Maomé, Wasil ibn Ata, Mu'tazili, Geber
Influenciados Albumaser, Al-Farabi, Irmãos da Pureza, Alhazen, Avicena, Al-Ghazali, Averróis, Gerardo de Cremona, Tomás de Aquino, Girolamo Cardano

Abu Yusuf Ya'qub ibn Ishaq al-Kindi, conhecido simplesmente como Al-Kindi (em árabe أبو يوسف يعقوب بن إسحاق الكندي, transl. Abū Yūsuf Yaʻqūb ibn Isḥāq al-Kindī; Kufa, actual Iraque, 801 - Bagdade, 873), também conhecido no Ocidente pela versão latinizada de seu nome, Alkindus, foi um célebre polímata árabe:[1] destacou-se como filósofo, cientista, astrólogo, astrónomo e cosmólogo, químico, matemático, músico e médico.[2] Al-Kindi foi o primeiro dos filósofos islâmicos peripatéticos, e se destacou por introduzir a filosofia grega ao mundo árabe.[3]

Al-Kindi era descentente da tribo kindita. Nascido e educado em Kufa, realizou seus estudos superiores em Bagdad. Tornou-se uma figura eminente na Casa da Sabedoria e diversos califas abássidas o indicaram para supervisionar a tradução dos textos científicos e filosóficos gregos para o idioma árabe. Este contato com a "filosofia dos antigos", como era chamada a filosofia helenística pelos acadêmicos islâmicos, teve um efeito profundo no seu desenvolvimento intelectual e o levou a escrever um grande número de tratados sobre os mais diversos assuntos, desde a metafísica e a ética, até a matemática e a farmacologia.[4][5]

No campo da matemática, Al-Kindi desempenhou um papel importante ao introduzir os numerais indianos ao mundo islâmico e cristão.[6] Foi um pioneiro na criptoanálise e na criptologia, desenvolvendo diversos novos métodos de decifração, incluindo o método da análise de frequência.[7] Utilizando-se de seus conhecimentos matemáticos e medicinais, foi capaz de desenvolver uma escala que permitia aos médicos quantificar a potência de seus medicamentos.[8] Também realizou experimentos com a terapia musical.[9]

O tema central que sustenta os escritos filosóficos de Al-Kindi é a compatibilidade entre a filosofia e outras ciências islâmicas "ortodoxas", particularmente a teologia. Muitas de suas obras lidam com assuntos de interesse imediato para a teologia, como a natureza de Deus, a alma e a sabedoria profética.[10] Mas apesar do papel importante que Al-Kindi desempenhou ao tornar a filosofia mais acessível a intelectuais muçulmanos, a sua própria produção filosófica ficou em segundo plano diante da obra de Al-Farabi e poucos dos seus textos ainda estão disponíveis para os estudiosos modernos. Apesar disso, ainda é considerado como um dos maiores filósofos do mundo árabe, e por este motivo é conhecido simplesmente como "O Filósofo Árabe".[11]

Índice

[editar] Biografia

Al-Kindi nasceu em Kufa, numa família aristocrática da tribo de Kinda, que havia migrado para lá do Iémen. Seu pai era governador de Kufa, e Al-Kindi começou a sua educação formal lá, concluindo-a posteriormente em Bagdade, onde teve como patronos o califa abássida Al-Ma'mun. Devido ao seu conhecimento e às suas aptidões para os estudos, Al-Ma'mun o indicou para a Casa da Sabedoria um centro recém-fundado, dedicado à tradução de textos filosóficos e científicos dos antigos gregos. Também se destacou por sua bela caligrafia, e foi empregado por algum tempo como calígrafo por Al-Mutawakkil.[12]

Com a morte de Al-Ma'mun seu irmão, Al-Mu'tasim, tornou-se califa. Al-Kindi teria uma posição de ainda mais destaque sob o novo governante, que o indicou como tutor de seu filho; porém, com a ascensão de outros intelectuais como Al-Wathiq e Al-Mutawakkil, o seu prestígio entrou em declínio. Existem diversas teorias a este respeito: alguns atribuem a decadência de Al-Kindi às disputas académicas na Casa da Sabedoria; outros referem-se às perseguições violentas de Al-Mutawakkil contra muçulmanos não-ortodoxos (bem como de não-muçulmanos) - Al-Kindi teria até mesmo sofrido agressões físicas e sua biblioteca teria sido apreendida temporariamente. Al-Kindi teria morrido em Bagdade no ano 873, "um homem solitário", durante o reinado de Al-Mu'tamid.[11]

Depois de sua morte, as obras filosóficas de Al-Kindi caíram rapidamente na obscuridade e muitos deles foram perdidos até mesmo para os estudiosos e historiadores islâmicos. Alguns motivos para isso poderiam ter sido, além da militância ortodoxa de Al-Mutawakkil, a destruição de inúmeras bibliotecas pelos mongóis durante a sua invasão; seus escritos também nunca teriam atingido popularidade entre filósofos influentes, como Al-Farabi e Avicena, cujas próprias obras acabaram por suplantar a de Al-Kindi.[13]

[editar] Realizações

São atríbuidos a Al-Kindi cerca de 15 trabalhos filosóficos. Raramente cita outros filósofos gregos que não Platão e Aristóteles, tendo também como influência a Escola de Alexandria do século VI.

Homem profundamente religioso, foi dos primeiros que fizeram a tradução para árabe da obra de Aristóteles, de quem recebeu profunda influência ao formular a sua própria obra filosófica. Os seus trabalhos tiveram posteriormente um grande impacto em Averroes. Elaborou uma teoria das categorias.

A sua influência aristotélica unia-se a um profundo conhecimento das matemáticas, da medicina, da geometria e outras disciplinas científicas. Isso, juntamente com a sua defesa do livre arbítrio entre os seus contemporâneos, levou-o a considerar a necessidade de criar uma doutrina filosófica capaz de agrupar os distintos conhecimentos humanos.

O primeiro filósofo árabe como é conhecido por muitos biógrafos. Participou na intensa campanha de tradução da filosofia clássica grega e trabalhos científicos desenvolvendo essencialmente correções em obras já traduzidas para o árabe, comentando-as ou resumindo-as. Pode-se de algum modo concluir que Al-Kindi não possuía conhecimentos suficientes de grego para a tradução directa, mas o suficiente para proceder às suas correções enquanto tradução, particularmente no que diz respeito ao discurso filosófico.

O seu trabalho enciclopédico compreendia temas como aritmética, geometria, astronomia, música, medicina, farmácia, etc. A sua formação matemática e estudos sobre a matéria médica foram muito importantes, escreveu várias obras de cunho farmacêutico, como o Agrabadhin, Formulário médico e o Risala fi'ma'rifa quwwat al-adwiyat al- murakkaba latinizado De medicinarum compositarum gradibus investigandis traduzidos por Gerardo de Cremona, impressos em Salamanca (1501).

De medicinarum compositarum gradibus investigandis, dedica-se ao estudo dos graus de intensidades das qualidades (frio, húmido, etc.) dos medicamentos compostos. Al-Kindi considerou que mais difícil e importante que determinar o grau de qualidade de um medicamento simples era determinar e qualidade e potência das fórmulas compostas (segundo Galeno). Resolveu a questão através de uma formula matemática, através da qual a Intensidade de uma qualidade seria igual ao logaritmo de base 2 da proporção entre essa qualidade e a oposta no medicamento composto (ver fórmula). O Agrabadhin é um formulário organizado com muitas receitas segundo a sua forma farmacêutica, indicando a sua aplicação terapêutica.

Além destas áreas Al-Kindi estudou óptica (teoria da cor), investigou sobre temas como geologia, meteorologia, geografia, climatologia e astrologia. Desenvolveu estudos sobre o fabrico de relógios e instrumentos de astronomia.

O seu método combina a força do conhecimento empírico, com uma tendência matemática que o levaram a procurar relações geométricas ou numéricas para os fenómenos naturais.


Falhou ao verificar gramática (Executável texvc não encontrado; Consulte math/README para instruções da configuração.): I=log2 Q/Qo


I= Grau de intensidade de uma qualidade

Q=Número de partes da qualidade (p.e Quente)

Qo=Número de partes da qualidade oposta (p.e. Frio)

[editar] Referências

  • Dias, José Pedro sousa, A Farmácia e a História - Uma introdução à história da Farmácia, da farmacologia e da Terapêutica, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, Lisboa, 2005.
  • Gillispie, Charles Carlston et al, Dictionary of Scientific Biography cSc-Supplement i Biographies and Topical Essays, American Council of Learned Societies, New York, 1981.
  • Guerra, Francisco, Historia de la medicina, Madrid Ediciones Norma,S.A., Madrid, 1982.
  • Krumer e Urdang, History of Pharmacy, 4ª edição, J.B. Lippincott Company, Filadélfia, 1941.
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[editar] Referências

  1. Al-Kindi (HTML). Página visitada em 2007-10-06.
  2. Klein-Frank, F. Al-Kindi. In Leaman, O & Nasr, H (2001). History of Islamic Philosophy. London: Routledge. p 165
  3. Corbin, H. (1993). History of Islamic Philosophy. London: Keagan Paul International. p154
  4. Adamson 2005, P. 'Al-Kindi'. In Adamson, P & Taylor, R. (2005). The Cambridge Companion to Arabic Philosophy. Cambridge: Cambridge University Press. p 33
  5. Abu Yusuf Yaqub ibn Ishaq al-Sabbah Al-Kindi (HTML). Página visitada em 2007-01-12.
  6. Simon Singh. The Code Book. p. 14-20
  7. Klein-Franke, p172
  8. Saoud, R.. The Arab Contribution to the Music of the Western World (PDF). FSTC. Página visitada em 2007-01-12.
  9. Adamson, p34
  10. 11,0 11,1 Corbin, p154
  11. Corbin, p154
  12. Klein-Franke, p166
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