BRIC

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Brasil, Rússia, Índia e China
Mapa dos países BRIC

BRIC

20px|Brasil Brasil
Presidente: Luiz Inácio Lula da Silva
border Rússia
Presidente: Dmitry Medvedev
Imagem:Flag of India.svg Índia
Primeiro Ministro: Manmohan Singh
border China
Presidente: Hu Jintao

BRIC é um acrônimo criado em novembro de 2001, pelo economista Jim O'Neill,[1] chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs,[2] para designar, no relatório "Building Better Global Economic Brics", os quatro principais países emergentes do mundo, Brasil, Rússia, Índia e China.

Usando as últimas projeções demográficas e modelos de acumulação de capital e aumento de produtividade, o Goldman Sachs mapeou as economias dos países BRICs até 2050. A conclusão do relatório é que esse grupo de países pode tornar-se a maior força na economia mundial, superando as economias dos países do G6 (Estados Unidos da América, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália) em termos de valor do PIB (em dólares americanos). Além da importância econômica, os BRIC tenderiam a aumentar sua influência política e militar sobre o resto do mundo.

O estudo ressalta, no entanto, que cada um dos quatro enfrenta desafios diferentes para manter o crescimento na faixa desejável. Por isso, existe uma boa probabilidade das previsões não se concretizarem, por políticas inadequadas, simplesmente por má sorte ou ainda por erros nas projeções e falhas do próprio modelo matemático adotado.

Mas se os BRICs chegarem pelo menos perto das previsões, as implicações para a economia mundial serão grandes e mudanças podem ocorrer mais rapidamente do que se imagina. De acordo com o estudo, o grupo deverá concentrar mais de 40% da população mundial e um PIB de mais de 85 trilhões de dólares.

Atualmente os BRICs não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e a ALCA), e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas constituíram uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002.

Índice

[editar] Situação atual

thumb|250px|right|Economia dos BRICs em relação às dos G6 thumb|250px|right|Relação da projeção do PIB e PIB per capita dos países BRICs e G6 até 2050. Os BRIC, apesar de ainda não serem as maiores economias mundiais, estão em processo de desenvolvimento político e econômico e já fazem sentir sua influência - a exemplo do que ocorreu na reunião da OMC em 2005, quando os países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, juntaram-se aos países subdesenvolvidos para impor a retirada dos subsídios governamentais pela União Européia e pelos Estados Unidos, e a redução das tarifas de importação.

Mas há também muitas diferenças entre eles. Por exemplo: Rússia, Índia e China são grandes potências militares, ao contrário do Brasil, que nunca se engajou em uma corrida armamentista.

[editar] Na ONU

Dois membros do BRIC (Rússia e China) são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Os outros dois membros do BRIC (Brasil e Índia), integram as Nações G4, cujo o objetivo é ter um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, conseguindo o apoio de alguns países-membros, mas não tendo o apoio dos países regionais, como o México e a Argentina (contrariando o Brasil) e o Paquistão (contrariando a Índia).

[editar] Perspectivas

Se considerado como um bloco econômico, em 2050, o grupo dos BRICs já poderá ter ultrapassado a União Européia e os Estados Unidos da América. Entre os países do grupo haveria uma clara divisão de funções. O Brasil e a Rússia seriam os maiores fornecedores de matérias-primas - o Brasil como grande produtor de alimentos e a Rússia, de petróleo - enquanto os serviços e produtos manufaturados seriam principalmente providos pela Índia e pela China, onde há grande concentração de mão-de-obra e tecnologia.

O Brasil desempenharia o papel de país exportador agropecuário, sendo que a sua produção de soja e de carne bovina seria suficiente para alimentar mais de 40% da população mundial. A cana-de-açúcar também desempenharia papel fundamental na produção de combustíveis renováveis e ambientalmente sustentáveis - como o álcool e o biodiesel.[3] Além disso, seria o fornecedor preferencial de matérias-primas essenciais aos países em desenvolvimento - como petróleo, aço e alumínio -, sobretudo na América Latina e particularmente na área do Mercosul (Argentina, Venezuela, Paraguai, Uruguai), fortemente influenciada pelo Brasil. No entanto, talvez o mais importante trunfo do Brasil esteja em suas reservas naturais de água, em sua fauna e em sua flora, ímpares em todo o mundo, que tendem a ocupar o lugar do petróleo na lista de desejos dos líderes políticos de todos os países. O Brasil ficaria em 5.º lugar no ranking das maiores economias do mundo em 2050.

A Rússia desempenharia o papel de fornecedor de matérias-primas, notadamente hidrocarbonetos. Mas seria também de exportador de mão-de-obra altamente qualificada e de tecnologia, além de ser uma grande potência militar, característica herdada da Guerra Fria.[4]

A Índia deve ter a maior média de crescimento entre os BRICs. Estima-se que em 2050 esteja no 3.º lugar no ranking das economias mundiais, atrás apenas de China (em 1.º) e dos EUA (em 2.º). Além de potência militar, o país tem uma grande população, e tem realizado vultosos investimentos em tecnologia e qualificação da mão-de obra, o que a qualificaria a concentrar no setor de serviços especializados.[5]

A China deve ser, em 2050, a maior economia mundial, tendo como base seu acelerado crescimento econômico sustentado durante todo início do século XXI. Dada a sua população e a disponibilidade de tecnologia, sua economia deve basear-se na indústria. Grande potência militar, a China se encontra atualmente num processo de transição do capitalismo de Estado para o capitalismo de mercado, processo que já deverá estar completado em 2050.[6]

Nada se pode garantir sobre o futuro dos BRICs, pois todos os países estão vulneráveis a conflitos internos, governos corruptos e revoluções populares, mas, se nada de anormal acontecer, é possível prever uma economia mundial apolar, na qual a idéia de "norte rico, sul pobre" careceria de sentido.

Por conta da popularidade da teoria do Goldman Sachs, acabaram sendo cogitadas outras siglas, como BRIMC (Brasil, Rússia, Índia, México e China), BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e BRIIC (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia e China) incluindo México, África do Sul e Indonésia como nações com igual potencial de crescimento nas próximas décadas. A inclusão da principal economia africana no grupo pode significar uma importante mudança na ordem mundial - possivelmente, uma outra globalização.

[editar] Estatíscas

A The Economist publica uma tabela anual de estatísticas sociais e econômicas nacionais no seu Pocket World in Figures. Os dados da classificação mundial, edição de 2008, quando comparados as economias e países do BRIC fornecem um marco interessante em relação a bases econômicas da "tese BRIC". Ele também ilustra como, apesar de suas bases econômicas divergentes, os indicadores econômicos dos BRICs são notavelmente semelhantes no ranking global entre as diferentes economias. Eles também sugerem que, embora argumentos econômicos possam ser feitos para a inclusão do México na "tese BRIC", a possibilidade de inclusão da África do Sul parece consideravelmente mais fraca. Uma publicação da Goldman Sachs de Dezembro de 2005 explica o porquê do México não estar incluído no BRIC. De acordo com a publicação,[7] entre todos os países analisados, apenas o México e a Coreia do Sul talvez tenham algum potencial para rivalizar com as economias BRICs, mesmo assim, os analistas da Goldman Sachs resolveram excluir tais economias da "tese BRIC" por já considerá-las mais desenvolvidas. De acordo com a publicação de 2005, o México seria a quinta maior economia em 2050, à frente da Rússia.

[editar] Gigantes globais

Categorias \ Países 20px|Brasil Brasil border Rússia Imagem:Flag of India.svg Índia border China
Área 3º / 4º (disputado)
População
PIB nominal 10º 12º
PIB (PPP)
Exportações 21º 11º 23º
Importações 27º 17º 16º
Balança comercial 47º 169º
Consumo de eletricidade 10º

[editar] BRIC em 2050

Os dois gráficos superiores listam os 22 maiores países por PIB nominal para os anos de 2008 e 2050. Os dois gráficos da parte inferior listam esses 22 países por PIB nominal per capita (as classificações para os dois gráficos inferiores não refletem o PIB per capita para todos os países do mundo). Os países BRIC estão realçados e rotulados em negrito.

Produto Interno Bruto (nominal) [2008][8]
Posição País PIB (em milhões de USD)
1  Estados Unidos 14.264.600
2  Japão 4.923.761
3 border China 4.401.614
4 Alemanha Alemanha 3.667.513
5 Bandeira da França França 2.865.737
6 border Reino Unido 2.674.085
7 Itália Itália 2.313.893
8 border Rússia 1.676.586
9 Espanha Espanha 1.611.767
10 20px|Brasil Brasil 1.572.839
11  Canadá 1.510.957
12 Imagem:Flag of India.svg Índia 1.209.686
13 border México 1.088.128
14 border Austrália 1.010.699
15  Coreia do Sul 947.010
16  Países Baixos 868.940
17 border Turquia 729.443
18 Polónia Polónia 525.735
19 border Indonésia 511.765
20 Bélgica Bélgica 506.392
21 border Suíça 492.595
22 Suécia Suécia 484.550
Produto Interno Bruto (nominal) [2050][9]
Posição País PIB (em milhões de USD)
1 border China 70.710.000
2  Estados Unidos 38.514.000
3 Imagem:Flag of India.svg Índia 37.668.000
4 20px|Brasil Brasil 11.366.000
5 border México 9.340.000
6 border Rússia 8.580.000
7 border Indonésia 7.010.000
8  Japão 6.677.000
9 border Reino Unido 5.133.000
10 Alemanha Alemanha 5.024.000
11 border Nigéria 4.640.000
12 Bandeira da França França 4.592.000
13  Coreia do Sul 4.083.000
14 border Turquia 3.943.000
15 border Vietnã/Vietname 3.607.000
16  Canadá 3.149.000
17 border Filipinas 3.010.000
18 Itália Itália 2.950.000
19 border Irã 2.663.000
20  Egito 2.602.000
21 border Paquistão 2.085.000
22 border Bangladesh 1.466.000
Produto Interno Bruto (nominal) per capita [2008][10]
Posição País PIB per capita (em USD)
1  Estados Unidos 46.859,058
2 Bandeira da França França 46.015,921
3  Canadá 45.428,225
4 Alemanha Alemanha 44.660,407
5 border Reino Unido 43.785,343
6 Itália Itália 38.996,165
7  Japão 38.559,112
8  Coreia do Sul 19.504,545
9 border Rússia 11.806,947
10 border Turquia 10.471,686
11 border México 10.234,826
12 20px|Brasil Brasil 8.197,433
13 border Irã 4.731,961
14 border China 3.315,323
15 border Indonésia 2.246,27
16  Egito 2.160,891
17 border Filipinas 1.865,951
18 border Nigéria 1.450,533
19 border Paquistão 1.044,485
20 border Vietnã/Vietname 1.040,35
21 Imagem:Flag of India.svg Índia 1.016,158
22 border Bangladesh 506.054
Produto Interno Bruto (nominal) per capita [2050][9]
Posição País PIB per capita (em USD)
1  Estados Unidos 91.683
2  Coreia do Sul 90.294
3 border Reino Unido 80.234
4 border Rússia 78.576
5  Canadá 76.002
6 Bandeira da França França 75.253
7 Alemanha Alemanha 68.253
8  Japão 66.846
9 border México 63.149
10 Itália Itália 58.545
11 20px|Brasil Brasil 49.759
12 border China 49.650
13 border Turquia 45.595
14 border Vietnã/Vietname 33.472
15 border Irã 32.676
16 border Indonésia 22.395
17 Imagem:Flag of India.svg Índia 20.836
18  Egito 20.500
19 border Filipinas 20.388
20 border Nigéria 13.014
21 border Paquistão 7.066
22 border Bangladesh 5.235

[editar] Encontros

[[Ficheiro:1st BRIC summit leaders.jpg|thumb|150px|Líderes dos BRIC em 2009 - Manmohan Singh (Índia), Dmitry Medvedev (Rússia), Hu Jintao (China) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil).]]

Ver artigo principal: Primeira cúpula do BRIC

Os países BRIC reuniram-se para a sua primeira cúpula oficial em 16 de Junho de 2009, em Yekaterinburg, Rússia,[11] com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva, Dmitry Medvedev, Manmohan Singh, e Hu Jintao, respectivos líderes de Brasil, Rússia, Índia e China.[12] Duarnet a cúpula foram discutidos vários temas relacionados à crise econômica de 2008, tais como comércio internacional, o papel do dólar como moeda de reserva e sua possível substituição, a participação nos organismos internacionais, entre outros.

Os ministros de Relações Exteriores dos países BRIC já tinham se reunido anteriormente no dia 16 de Maio de 2008, também em Yekaterinburgo.[13]

Uma semana antes da cúpula, o Brasil ofereceu $ 10 bilhões ao Fundo Monetário Internacional. Foi a primeira vez que o país fez um empréstimo desse tipo.[14] O Brasil já recebeu anteriormente empréstimo do FMI e este anúncio foi tratado como uma importante demonstração da mudança de posição econômica do Brasil. [21] A China e a Rússia também fizeram anúncios de empréstimo ao FMI, de $ 50 bilhões e US $ 10 bilhões respectivamente.

A próxima reunião do grupo deve ocorrer em 2010 no Brasil.[15]

Data País anfitrião Líder anfitrião Localização Website Notes
16 de Junho de 2009 border Rússia Dmitry Medvedev Yekaterinburg
2010 20px|Brasil Brasil Luiz Inácio Lula da Silva

[editar] Referências

  1. ÉPOCA, 21 de maio de 2009. 21/05/2009 Entrevista com Jim O’Neill, por João Caminoto.
  2. Goldman Sachs. Global Economics Paper No. 99, Dreaming with BRICs.
  3. CIA The World Factbook. Brasil
  4. CIA. The World Factbook - Rússia
  5. CIA. The World Factbook - Índia
  6. CIA. The World Factbook - China
  7. How Solid are the BRICs? (PDF). Global Economics. Página visitada em 2008-07-18.
  8. Nominal 2008 GDP for the world and the European Union.. World economic outlook database, April 2009. International Monetary Fund. Página visitada em 2009-04-22.
  9. 9,0 9,1 "The N-11: More Than an Acronym" - Goldman Sachs study of N11 nations, Global Economics Paper No: 153, March 28, 2007.
  10. Data refer to the year 2008. World Economic Outlook Database-April 2009, International Monetary Fund. Accessed on April 22, 2009.
  11. First summit for emerging giants. BBC News (2009-06-16). Página visitada em 2009-06-16.
  12. BRIC demands more clout, steers clear of dollar talk. Reuters (2009-06-26). Página visitada em 2009-06-16.
  13. Russia shows its political clout by hosting Bric summit (em inglês). The Times (2008-05-16). Página visitada em 2009-06-29.
  14. Brazil to make $10bn loan to IMF. BBC News (2009-06-11). Página visitada em 2009-06-11.
  15. BRICs vão discutir proposta brasileira de comércio sem dólar. Folha Online

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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