Caminho neocatecumenal

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Igreja Católica

Basílica de São Pedro no Vaticano.

O caminho neocatecumenal (ou neocatecumenato) é um itinerário de formação cristã, iniciado na Espanha em 1964, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e de Carmen Hernández, como resposta às novas diretrizes trazidas pelo Concílio Vaticano II, cujo objetivo consiste em abrir um caminho espiritual concreto de iniciação, revovação e valorização do sacramento batismal, que permita ao "catecúmeno" descobrir o significado concreto de ser cristão

Mais tarde se uniria a eles o sacerdote Mario Pezzi. A Igreja Católica reconhece o Caminho Neocatecumenal como "Um itinerário de formação católica válido para a sociedade e os dias de hoje" que busca a redescoberta do Batismo. Se encontra atualmente difundido em mais de 100 países, incluindo algumas que tradicionalmente não são cristãs como China, Egito, Coréia do Sul e Japão.

Índice

[editar] História do Caminho neocatecumenal

O Caminho foi iniciado pelo pintor Kiko Argüello, convertido do existencialismo ateu, e pela missionária Carmen Hernández, ambos espanhóis, na miserável favela de Palomeras Altas em Madri em 1964, sob a forma de formação iniciação catequética e evangelização para adultos afastados, inicialmente dirigida para prostitutas, ciganos e ex-presidiários, maioria entre os habitantes de Palomeras Altas na época.

Inicialmente o caminho neocatecumenal contou com o fundamental apoio do então arcebispo de Madri, Dom Casimiro Morcillo, primeiro prelado a apoiar esta experiência, notando que a pedagogia do caminho ia ao encontro dos novos ideais inseridos da Igreja pelo recém findado Concílio Vaticano II, o qual acabara de participar.

A originalidade do Caminho é ter encontrado uma síntese catequética no estilo dos evangelizadores dos primeiros séculos do cristianismo, válida tanto para os batizados, praticantes ou não, como aos não-cristãos: a centralidade do kerigma, do anúncio de Cristo morto e ressuscitado, e a vivência da fé em pequenas comunidades, cuja finalidade é o amadurecimento na fé e a integração plena de seus membros na paróquia.

O processo se inicia com uma catequização kerigmática, onde se constitui uma comunidade, e conclui, depois de vários anos e várias etapas, com a renovação solene das promessas batismais diante do bispo diocesano, a quem a comunidade se oferece para ajudar nas necessidades pastorais das paróquias.

Assim, primeiras comunidades nasceram em paróquias espanholas de Zamora, Madri., posteriormente no ano de 1967, eram dadas as primeiras catequeses iniciais na paróquia dos Santos Mártires Canadenses em Roma, hoje, porém, o Caminho encontra-se presentes em cerca de 5 mil paróquias dos cinco continentes.

Segundo explicam seus iniciadores, o Caminho responde concretamente a muitas das intuições pastorais do Concílio Vaticano II, como o redescobrimento da Vigília Pascal, a participação evangelizadora dos leigos ou a potenciação dos seminários diocesanos missionários, entre outras. Talvez a mais nova seja o envio de famílias em missão, a pedido dos bispos locais, para promover, junto com um sacerdote, a implantatio ecclesiae naqueles lugares nos quais não existe a Igreja Católica.

Desde seus início do Caminho, as atitudes dos diferentes papas, desde Paulo VI até Bento XVI, foram favoráveis para com o Caminho Neocatecumenal; especialmente João Paulo II, cujo no longo pontificado este Caminho teve seus primeiros reconhecimentos oficiais.

O primeiro foi em 1990, em forma de carta de reconhecimento ao Pontifício Conselho para os Leigos, no qual se definia como “(...)um itinerário de formação católica válida para nossa sociedade e para o homem atual(...)”.

Posteriormente, em 29 de junho de 2002, foram aprovados por decreto deste mesmo Conselho os estatutos do Caminho ad experimentum durante um período de cinco anos, que conclui com a presente aprovação definitiva.

E, finalmente, em 13 de junho de 2008, o cardeal Stanislaw Rylko, o atual presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, entregou aos Iniciadores do Caminho Neocatecumenal, o decreto de aprovação definitiva dos estatutos dessa realidade eclesial ad eternum.

[editar] Origem da terminologia e pedagogia catequética

A Virgem e o Menino, ícone de Kiko Argüello
A Virgem e o Menino, ícone de Kiko Argüello

Na Igreja primitiva, quando alguém queria tornar-se cristão, tinha que fazer um itinerário de formação ao cristianismo, que se chamava "Catecumenato", da palavra "catechéo", que significa "ressonância", escuta.

O processo de secularização tem levado muitos a abandonar a fé e a Igreja. Por isso, é necessário abrir de novo um itinerário de formação ao cristianismo. O Caminho Neocatecumenal não pretende, portanto, formar um novo movimento em si, senão ajudar as paróquias a abrirem um caminho de iniciação ao Batismo, que faça descobrir o que significa ser cristão. É um instrumento ao serviço dos Bispos nas paróquias para recuperar a de tantas pessoas que a tem abandonado. Hoje, no Ocidente, muitas Dioceses estão tentando fazer uma catequese para adultos. O Neocatecumenato é uma síntese teológico-catequética, um catecismo, um catecumenato para adultos, um itinerário de formação cristã para o homem contemporâneo.

Na Igreja primitiva , o catecumenato estava formado por uma síntese entre Palavra (kerygma), Moral e Liturgia. A Igreja antiga tinha sobretudo um Kerygma, isto é, um "anúncio da salvação". Este anúncio do Evangelho, feito pelos apóstolos itinerantes como Paulo e Silas , causava nos que o escutavam uma mudança moral. Mudavam de vida ajudados pelo Espírito Santo que acompanhava aos apóstolos. Esta mudança moral era selada e ajudada por meio dos sacramentos. Concretamente, o Batismo se administrava por etapas. Assim, a catequese primitiva era uma "gestação" à vida divina.

Quando nos séculos posteriores desaparece o catecumenato, esta síntese (Kerygma- Mudança de vida - Liturgia), se perde. O Kerygma como chamada à fé, que implica uma decisão moral, já não existe, transforma-se em "doutrina escolástica". A moral vem a ser "foro interno", isto é, privado. A Liturgia chega a ser única para todos.

O Caminho Neocatecumenal quer recuperar de novo esta "gestação", esta síntese, entre Kerygma, mudança de vida (moral) e Liturgia.

Em 1964, Francisco (Kiko) Argüello, um pintor nascido em León (Espanha), e Carmen Hernández, licenciada em Química e formada no Instituto Missionárias de Cristo Jesus, encontraram-se entre no bairro de barracas de Palomeras Altas, na periferia de Madrid. Três anos depois, neste ambiente composto sobretudo de pobres, forma-se uma síntese Kerigmático-catequética que, sustentada pela Palavra de Deus, pela Liturgia e pela experiência comunitária, e seguindo a esteira do Concílio Vaticano II, tornar-se-á a base daquilo que o Caminho Neocatecumenal levará a todo o mundo.

A partir das barracas, a experiência passa rapidamente para algumas Paróquias de Madri e de Zamora. Neste contraste ao qual foi submetida, a síntese Kerigmático-catequética, surgida nas barracas de Palomeras Altas, rapidamente se viu que nas Paróquias, sobretudo nas mais cómodas, as catequeses eram usadas para “sobrevestir-se”, como conferências, não como um caminho de conversão e de kenosis, no qual se faz morrer pouco a pouco o homem velho, para poder ser revestido da nova criação no Espírito Santo.

Assim, gradualmente, foi aparecendo o Baptismo como caminho a ser percorrido para se chegar a uma fé adulta, capaz de responder às mudanças sociais que estavam sendo verificadas.

Bem cedo, aparece a necessidade de fazer uma primeira reflexão sobre a experiência que estava acontecendo, daquilo que o Senhor estava realizando naquelas comunidades. Em Abril de 1970, em Majadahonda, nas proximidades de Madri, os iniciadores do Caminho, Kiko e Carmen, juntamente com os responsáveis, presbíteros e alguns párocos das primeiras comunidades existentes, reuniram-se para fazer uma primeira reflexão sobre aquilo que o Espírito Santo estava realizando no meio deles. Preparou-se um questionário com uma pergunta de base: o que são estas comunidades que estão surgindo nas Paróquias?

Depois de três dias de oração e de trabalho chegou-se, por unanimidade, a esta resposta:

[editar] O que é a Comunidade?

  • 1 - A Comunidade é a Igreja: que é o Corpo visível de Cristo Ressuscitado. Nasce do anúncio da “Boa Nova” que é Cristo, vencedor em nós de tudo aquilo que nos mata e destrói;
  • 2 - Este anúncio é apostólico: unidade e dependência do Bispo, garantia da verdade e da universalidade;
  • 3 - Somos chamados por Deus a ser sacramento de salvação no seio da atual estrutura paroquial; início de um caminho em direção à fé adulta, por meio de um Catecumenato vivido mediante o tripé: Palavra de Deus, Liturgia e Comunidade.

[editar] Missão destas Comunidades na atual estrutura da Igreja

  • 1 - Tornar visível um novo modo de viver hoje o Evangelho, tendo presente as profundas exigências do homem e o momento histórico da Igreja.
  • 2 - Abrir um caminho. Chamar à conversão.
  • 3 - Não se impor. Sentir o dever de não destruir nada, de respeitar tudo, apresentando o fruto de uma Igreja que se renova e que diz aos seus Pais que foram fecundos, porque deles nasceram.

[editar] Como se realiza esta missão

Estas comunidades nasceram e desejam permanecer dentro da Paróquia, com o Pároco, para dar os sinais da fé: o amor e a unidade. "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos" (Jo 13,34-35). "Pai, eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste" (Jo 17,23). O amor na dimensão da Cruz e a unidade são os sinais que criam os questionamentos necessários para que se possa anunciar Jesus Cristo.

[editar] Apresentação do caminho à Congregação do Culto Divino

Ao término da convivência, veio o então Arcebispo de Madrid, que já tinha conhecido a experiência da favela e tinha convidado para que ela fosse levada às Paróquias. Foi-lhe lida a reflexão amadurecida durante o encontro. O Arcebispo, depois de tê-la escutado, começou dizendo: "Se eu a tivesse escrito, seria a página mais bela da minha vida".

Alguns anos depois, quando o Caminho já se tinha difundido em muitas Paróquias de Roma e em várias Dioceses da Itália, os iniciadores foram chamados pela Congregação do Culto Divino, porque esta queria saber em que consistia aquele itinerário de redescoberta do Batismo e os ritos que eram feitos. O então Secretário da Congregação, Dom Annibale Bugnini, e o grupo de experts que estava com ele, ficaram enormemente impressionados ao ver que aquilo que estavam elaborando há alguns anos sobre o catecumenato para os adultos – e que logo seria publicado como "Ordo Initiationis Christianae Adultorum" (OICA) –, o Espírito Santo, partindo dos pobres, já o estava colocando em prática.

Depois de dois anos de estudo daquilo que faziam as Comunidades, publicaram na revista oficial da Congregação (Notitiae), em latim, para toda a Igreja, una nota laudatória: "Praeclarum exemplar" da obra que estava desenvolvendo o Caminho Neocatecumenal. Com eles, se acordou o nome que deveria ser dado ao Caminho: “Neocatecumenato", como itinerário de formação cristã pós-batismal que segue as indicações propostas no Capítulo IV do mesmo Ordo. Neste se diz, de fato, que alguns ritos para os não batizados, propostos pelo OICA podem ser adaptados, também para aquelas pessoas já batizadas, mas não suficientemente catequizadas.

Além destes momentos destacados da história do Caminho, é importante recordar também a característica de fundo que o constituiu e que o Estatuto reconheceu: a possibilidade de viver a vida cristã em comunidade, recuperando o modelo eclesial dos primeiros séculos. O Caminho Neocatecumenal se propôs, desde sua origem, como um caminho de iniciação à fé,assim, não é uma espiritualidade particular, mas um caminho de gestação, “um itinerário de formação católica, válida para a sociedade e para os tempos hodiernos” (João Paulo II, Carta "Ogniqualvolta").

É um processo de amadurecimento da fé que reconstrói a comunidade cristã e esta se torna sinal para o mundo, resiste ao processo de secularização. Neste caminho de fé, rumo ao radicalismo do próprio Batismo, faz-se central a comunidade cristã e, como núcleo fundamental desta, a família. É no seio de uma comunidade cristã concreta que se faz, em primeira pessoa, uma experiência concreta e direta da vida cristã. Recebe-se uma palavra, que se faz liturgia, que cresce, pouco a pouco, em koinonia, em comunidade. Deus mesmo é comunidade de pessoas.

[editar] Etapas: O Itinerário Neocatecumenal

[editar] Do Pré-catecumenato ao Catecumenato

Do Pré-catecumenato ao Catecumenato A primeira fase do Neocatecumenato é o Pré-catecumenato Pós-batismal, que é um tempo de kénosis (cfr. Flp 2,7) para aprender a caminhar na humildade. Esta fase se divide em duas etapas:

1ª. Na primeira etapa, que vai desde as Catequeses Iniciais até o Primeiro Escrutínio de passagem ao Catecumenato Pós-batismal, e que dura aproximadamente dois anos, os neocatecúmenos aprendem a linguagem bíblica, celebrando semanalmente a Palavra de Deus, com temas simples que percorrem toda a Escritura, como: água, rocha, cordeiro, etc. A Palavra de Deus, a Eucaristia e a Comunidade ajudam gradualmente os neocatecúmenos a esvaziar-se dos falsos conceitos de si e de Deus, e a descer à sua realidade de pecadores, necessitados de conversão, redescobrindo a gratuidade do amor de Cristo, que lhes perdoa e ama.

Na celebração conclusiva do Primeiro Escrutínio de passagem ao Catecumenato Pós-batismal, após a inscrição do nome, os neocatecúmenos pedem à Igreja que os ajude a amadurecer na fé para realizar as obras de vida eterna (cfr. 1 Jo 3,14-15; Ef 2,10), e recebem o sinal da cruz gloriosa de Cristo, que ilumina a função salvífica que tem a cruz na vida de cada um.

2ª. Na segunda etapa, de análoga duração, os neocatecúmenos celebram as grandes etapas da história da salvação: Abraão, Êxodo, Deserto, Terra Prometida, etc., e lhes é dado um tempo para que provem a si mesmos a sinceridade de sua intenção de seguir a Jesus Cristo, à luz da sua Palavra: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

Na celebração conclusiva do Segundo Escrutínio de passagem ao Catecumenato Pós-batismal, renovam perante a Igreja a renúncia ao demônio e manifestam a vontade de servir só a Deus. A seguir, estudam e celebram as principais figuras bíblicas: Adão, Eva, Caim, Abel, Noé, etc., à luz de Cristo.

[editar] Do Catecumenado à Eleição

A segunda fase do Neocatecumenato é o Catecumenato Pós-batismal, que é um tempo (cfr RICA 20) de combate espiritual para adquirir a simplicidade interior do homem novo que ama a Deus como único Senhor, com todo o coração, com toda a mente, com todas as forças e ao próximo como a si mesmo. Sustentados pela Palavra de Deus, pela Eucaristia e pela Comunidade, os neocatecúmenos adestram-se na luta contra as tentações do demônio: a busca de seguranças, o escândalo da cruz e a sedução dos ídolos do mundo. A Igreja vem em ajuda dos neocatecúmenos entregando-lhes as armas necessárias, em três etapas:

1ª. “O ‘combate espiritual’ da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração” (CIC 2725) que leva à intimidade com Deus. A Igreja realiza uma primeira iniciação dos neocatecúmenos à oração litúrgica e pessoal, também noturna, que culmina com as catequeses dos Evangelhos sobre a oração e com a celebração da entrega do livro da Liturgia das Horas. Desde então, começam o dia com a oração individual das Laudes e do Ofício das Leituras e aprendem a fazer um tempo de oração silenciosa e a oração do coração.

Os neocatecúmenos, perscrutando os salmos em pequenos grupos, são iniciados à prática assídua da “lectio divina” ou “scrutatio scripturæ”, “na qual a Palavra de Deus é lida e meditada para transformar-se em oração” (CIC 1177). Com efeito, “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” (CIC 133).

2ª. A Igreja entrega aos neocatecúmenos o Credo (“Traditio Symboli”), “compêndio da Escritura e da fé” (DGC 85), e os envia, dois a dois, a pregá-lo pelas casas da Paróquia. Eles estudam e celebram artigo por artigo o Símbolo apostólico e o restituem à Igreja (“Redditio Symboli”), confessando a sua fé e proclamando o Credo solenemente perante os fiéis, durante a Quaresma.

3ª. A Igreja realiza uma segunda iniciação dos neocatecúmenos à oração litúrgica e contemplativa, que culmina com as catequeses sobre a oração do Senhor e com a celebração da entrega do “Pai nosso”, “síntese de todo o Evangelho” (DGC 85). Desde então, nos dias feriais do Advento e da Quaresma, eles começam a celebrar comunitariamente na Paróquia, antes de ir ao trabalho, as Laudes e o Ofício das Leituras, com um tempo de oração contemplativa.

Os neocatecúmenos são iniciados a tornarem-se pequenos (cfr. Mt 18,4) e a viverem abandonados filialmente à paternidade de Deus, protegidos pela maternidade de Maria e da Igreja, e na fidelidade ao Sucessor de Pedro e ao Bispo. A tal fim, antes da entrega do “Pai nosso”, os neocatecúmenos fazem uma peregrinação a um santuário mariano para acolher a Virgem Maria como Mãe (cfr. Jo 19,26-27), professam a fé na tumba de S. Pedro e fazem um ato de adesão ao Santo Padre.

Nesta etapa os neocatecúmenos estudam sistematicamente cada uma das petições do “Pai nosso” e temas sobre a Virgem Maria: Mãe da Igreja, Nova Eva, Arca da aliança, Imagem do cristão, etc. salmos

[editar] Eleição

A terceira fase do Neocatecumenato é o Redescobrimento da Eleição, “eixo de todo o catecumenato” (RICA 23). É um tempo de iluminação no qual a Igreja ensina aos neocatecúmenos a caminhar no louvor, “inundados pela luz da fé” (RICA 24), ou seja, a discernir e cumprir a vontade de Deus na história para fazer da própria vida uma liturgia de santidade. Eles estudam e celebram cada um dos fragmentos do Sermão da Montanha.

Após terem mostrado com obras que neles está se realizando, ainda que na debilidade, o homem novo descrito no Sermão da Montanha, que, seguindo as pegadas de Jesus Cristo (cfr. 1 Pe 2,21), não resiste ao mal e ama o inimigo (cfr. Mt 5,39-45), os neocatecúmenos renovam solenemente as promessas batismais na Vigília Pascal, presidida pelo Bispo. Nesta liturgia, vestem as túnicas brancas em lembrança do seu batismo. Depois, durante os cinqüenta dias pascais, celebram cada dia a eucaristia solenemente e fazem uma peregrinação à Terra Santa como sinal das bodas com o Senhor, percorrendo os lugares onde Cristo realizou tudo quanto eles viveram durante todo o itinerário neocatecumenal.

[editar] O Processo de Educação Permanente à Fé

A Comunidade Neocatecumenal, após cumprir o itinerário de redescobrimento da iniciação cristã, entra no processo de educação permanente à fé: perseverando na celebração semanal da Palavra e da Eucaristia dominical e na comunhão fraterna, ativamente inseridos na pastoral da comunidade paroquial, para dar os sinais do amor e da unidade (cfr. Jo 13,34-35; 17,21), que chamam o homem contemporâneo à fé:

“A educação permanente à fé - afirma o DGC, nº 70 - se dirige não apenas a cada cristão, para acompanhá-lo no seu caminho rumo à santidade, mas também à comunidade cristã enquanto tal, para que amadureça tanto na sua vida interior de amor a Deus e aos irmãos, quanto na sua abertura ao mundo como comunidade missionária. O desejo e a oração de Jesus ao Pai são um incessante apelo: “a fim de que todos sejam uma só coisa. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que também eles sejam uma só coisa em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). Aproximar-se, pouco a pouco, desse ideal, exige, na Comunidade, uma grande fidelidade à ação do Espírito Santo, um constante alimentar-se do Corpo e Sangue do Senhor e uma permanente educação à fé, na escuta da Palavra”.

O Caminho Neocatecumenal é assim um instrumento a serviço dos Bispos para realizar o processo de educação permanente à fé solicitado pela Igreja: a iniciação cristã, como reafirma o DGC, nº56, “não é o ponto final no processo permanente de conversão. A profissão de fé batismal coloca-se como fundamento de um edifício espiritual destinado a crescer”; “a adesão a Jesus Cristo, de fato, inicia um processo de conversão permanente, que dura toda a vida”.

Deste modo, o Caminho Neocatecumenal contribui para a renovação paroquial desejada pelo Magistério da Igreja de promover “novos métodos e novas estruturas”, que evitem o anonimato e a massificação (cfr. João Paulo II, Discurso à Conferência dos Bispos de Ontário, em L’Oss. Rom., 5 maio 1999), e de considerar “a Paróquia como comunidade de comunidades” (Ecclesia in America, 41), que “descentralizam e articulam a comunidade paroquial” (Redemptoris missio, 51).

[editar] Carismas

Muitos foram os dons do Espírito que caracterizaram o desenvolvimento do Caminho, em particular os Catequistas Itinerantes, as Famílias em Missão e os Seminários "Redemptoris Mater".

[editar] Catequistas Itinerantes

Vários Bispos, preocupados com a situação de secularização presente em tantas Paróquias e vendo que naquelas onde tinha nascido o Caminho Neocatecumenal constituíam-se pequenas comunidades vivas, cheias de afastados, solicitaram a abertura do mesmo percurso de iniciação cristã, pedindo catequistas de outras cidades e nações. Isto deu lugar ao nascimento dos Catequistas Itinerantes. Nos encontros catequistas são expostos estes pedidos dos Bispos e pede-se que se apresentem livremente aqueles que se sentem chamados a partir para anunciar o Evangelho, tornando-se disponíveis para tal missão, tendo por base o mandato do próprio Batismo. Aparece, assim, de novo um modelo de Igreja Primitiva evangelizada pelos apóstolos e catequistas itinerantes, sem que estes formem algum grupo particular. Esses permanecem inseridos nas próprias comunidades e paróquias, das quais partem e às quais retornam periodicamente.

Assim, pouco a pouco, através da experiência e em tantas convivências de formação, foram constituídas equipes itinerantes de evangelização, formadas por mulheres e homens celibatários ou por um casal, e por um sacerdote que obtém a autorização de seu Bispo ou Superior religioso. Estas vão durante um tempo a uma outra Diocese, de acordo com o Bispo que os chama, para abrir o Caminho Neocatecumenal nas Paróquias. Tal estrutura de evangelização, como um andaime, é coordenada pela Equipe Responsável do Caminho Neocatecumenal, composta pelos iniciadores, Kiko e Carmen, e por um presbítero, Padre Mário Pezzi. Assim, ao longo destes anos, o Caminho se difundiu nos cinco continentes.

[editar] Famílias em Missão

Diante da situação do Norte da Europa, onde a secularização já está presente há muitos anos, onde a Igreja é minoritária e se encontra em uma situação de debilidade extrema, e, sobretudo, onde está destruída a família -, inspirados pelas palavras do Santo Padre, Kiko e Carmen viram a necessidade de enviar famílias em missão, seja para fundar a Igreja em algumas regiões de "terra nullius", como uma "implantatio Ecclesiae", seja para ajudar a reforçar as comunidades existentes com famílias que mostrem a face de uma “família cristã”.

Também na América do Sul, em função da enorme emigração do campo rumo às periferias das grandes cidades e da escassez de clero para abrir novas Paróquias, estes enormes aglomerados urbanos são presas das seitas. Os Bispos, tendo em vista a força de evangelização que tem o Caminho, pediram o envio de famílias para estes centros periféricos, freqüentemente bairros imensos compostos de barracos, para formar núcleos de evangelização que possam conter as seitas, formando pequenas comunidades, à espera de poder enviar um presbítero e fundar novas Paróquias.

Tudo isto fez com que o Santo Padre João Paulo II no ano de 1988 enviasse, para diversos lugares, as primeiras cem famílias solicitadas pelos Bispos.

Estas famílias, que permanecem unidas à própria Comunidade Neocatecumenal, inserida na Paróquia, são sustentadas pela comunidade e pela paróquia naquilo que faz referência às despesas com viagens, aluguel de casa, construção de novas igrejas apoio moral, cartas, orações, etc. Nasce, assim, uma profícua colaboração entre comunidade, paróquia e missão.

[editar] Seminários Redemptoris Mater

Da obra de evangelização, iniciada pelas famílias em diversas regiões, rapidamente surgiu a necessidade de presbíteros que sustentassem as novas comunidades apenas formadas e com os quais se pudessem constituir, eventualmente, novas Paróquias.

Neste contexto, nasceram os Seminários "Redemptoris Mater": graças à visão profética dos iniciadores do Caminho, à coragem do Papa João Paulo II e ao impulso missionário das Famílias em Missão, quase todas com muitos filhos, cujo testemunho de fé foi fundamental para a re-evangelização e formação de novas Paróquias.

Estes Seminários são diocesanos, erigidos pelos Bispos, de acordo com a Equipe Responsável Internacional do Caminho, e se regem segundo as normas vigentes para a formação e incardinação dos clérigos diocesanos; são missionários: os presbíteros que neles são formados são disponíveis para serem enviados pelo Bispo a qualquer parte do mundo; são internacionais: os seminaristas provêm de países e continentes diversos, seja como sinal concreto da catolicidade, seja como sinal de disponibilidade para serem enviados onde quer que seja.

Mas, o dado mais significativo destes Seminários é que eles, de uma parte, são um dom que ajuda as Dioceses a abrirem-se à dimensão missionária, a irem por todo o mundo, e de outra, encontram no Caminho Neocatecumenal, um sustento que acompanha os seminaristas durante o tempo de sua preparação e, uma vez presbíteros, continua a sustentá-los na formação permanente.

[editar] Reconhecimento do Caminho Neocatecumenal

O cardeal Stanislaw Rylko, o atual presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, entregou do dia 13 de Junho de 2008 aos Iniciadores do Caminho Neocatecumenal, Kiko Arguello e Carmen Hernández, o decreto de aprovação definitiva dos estatutos dessa realidade eclesial.

O ato aconteceu às 11h na Sala Magna do Conselho Pontifício para os Leigos. O cardeal Rylko lhes entregou o decreto de aprovação, junto com o texto final dos estatutos. Depois, os membros da equipe apresentaram publicamente o texto, em uma coletiva de imprensa que aconteceu às 16h, na sede do Caminho Neocatecumenal em Roma.

[editar] O Caminho em Números

  • Comunidades: 41 000
  • Seminários: 72
  • Seminaristas: 1.500
  • Presbíteros ordenados: mais de 3.000
  • Bispo com formação no R.M.: 01 (Callao/Peru)
  • Países: 105
  • Dioceses: 900
  • Paróquias: 6.000
  • Pessoas que seguem: mais de um milhão de pessoas

[editar] Comunidades do Caminho Neocatecumenal na Europa e na América

Nação Comunidades
border Argentina 1.500
border Bolívia 400
20px|Brasil Brasil 5.600
 Canadá 40
 Chile 460
border Colômbia 2.000
border Costa Rica 350
border Cuba 45
border República Dominicana 560
border Equador 570
border El Salvador 500
border Guatemala 800
border Honduras 440
border México 3.200
border Nicarágua 300
border Panamá 200
border Paraguai 500
border Peru 960
Porto Rico Porto Rico 130
 Estados Unidos 600
border Uruguai 200
border Venezuela 1.100
Nação Comunidades
Albânia Albânia 22
Bandeira da Alemanha Alemanha 50
border Áustria 38
border Bielorrússia 11
border Bélgica 30
border Bulgária 10
Bandeira da Croácia Croácia 250
border Chipre 5
Bandeira da República Tcheca República Tcheca 40
border Espanha 6,000
border Estônia 5
border França 60
Geórgia Geórgia 6
Grécia Grécia 6
border Hungria 40
Bandeira da Inglaterra Inglaterra 32
border Irlanda 25
border Itália 10,000
border Israel 8
border Letônia 9
border Lituânia 20
border Luxemburgo 1
border Malta 100
Bandeira dos Países Baixos Holanda 40
Bandeira da Polônia Polônia 1,000
Bandeira de Portugal Portugal 300
border Romênia 50
border Rússia 5
border Escócia 3
border border Sérvia, Macedônia & Bósnia-Herzegovina 30
border Eslováquia 65
border Eslovênia 40
border Suíça 35
border border border Escandinávia 10
border Turquia 8
border Ucrânia 45

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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[editar] Referências

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