Dogmas e doutrinas marianas da Igreja Católica

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Série de artigos sobre
Mariologia católica

Maria, mãe de Jesus
Devoção

HiperduliaAve MariaMagnificatCompanhia de MariaSanto RosárioImaculado CoraçãoSete DoresTítulos

Dogmas e Doutrinas

Mãe de DeusPérpetua VirgindadeImaculada ConceiçãoAssunçãoMãe da IgrejaMedianeiraCo-Redentora

Aparições
Crenças reconhecidas ou dignas de culto
GuadalupeMedalha Milagrosa
La SaletteLourdesFátima


Doutrina da Igreja Católica


Os Dogmas e doutrinas marianas da Igreja Católica têm a sua fundação na visão central de que a Virgem Maria é a Mãe de Deus, devido a isso, a Igreja Católica sempre considerou Maria a figura mais importante do cristianismo e da salvação além de Jesus Cristo e da Santíssima Trindade, por conseguinte, a Igreja possui muitos ensinamentos e doutrinas em relação a sua vida e papel.

A Igreja Católica possuí uma disciplina específica para o estudo da pessoa, o papel e o significado da Virgem Maria, e sua veneração, esta é a disciplina da Mariologia. A doutrina mariana tem se desenvolvido ao longo de muitos séculos, e foi estudada e codificada pelos Concílios, bem como pelos principais teólogos das ordens religiosas e universidades marianas, Escolas Pontifícias, como a Marianum são especificamente dedicadas a este campo de estudo[1][2][3]. No entanto, revelações marianas por indivíduos nem sempre são aceitos pela Igreja. [4][5]

Índice

[editar] Ensinamentos dogmáticos da Igreja Católica

[editar] Perpétua Virgindade de Maria

A Perpétua Virgindade de Maria ensina que Maria é virgem antes, durante e depois do parto. Este dogma mariano é o mais antigo da Igreja Católica e Oriental Ortodoxa, que afirma a "real e perpétua virgindade mesmo no ato de dar à luz ao Filho de Deus feito homem."[6] Assim Maria foi sempre Virgem pelo resto de sua vida, sendo o nascimento de Jesus como seu filho biológico, uma concepção milagrosa.

No ano 107, Inácio de Antioquia já descrevia a virgindade de Maria. São Tomás de Aquino também ensinou esta doutrina (Summa theologiae III.28.2) que Maria deu o nascimento miraculoso sem abertura do útero, e sem prejuízo para o hímen. O Quarto Concílio de Latrão sob a autoridade do Papa Inocêncio III o declarou um dogma, e o Papa Paulo IV o reconfirmou no Cum quorundam de 7 de Agosto de 1555, no Concílio de Trento.

[editar] Mãe de Deus

Ver artigo principal: Theotokos

Maria é verdadeiramente a mãe de Deus encarnado em Jesus Cristo. A definição como Mater Dei (em latim) ou Theotokos (em grego) foi formalmente afirmado no Terceiro Concílio Ecumênico realizado em Éfeso, em 431. A visão contrária no concílio era a de que Maria devia ser chamada somente de Christokos' ou "Mãe de Cristo", esta posição, defendida por Nestor, Patriarca de Constantinopla, pretendia restringir o papel de Maria, por sua vez a versão de Inácio de Antioquia, contraposta à de Nestor de Constantinopla, era a de que Maria não podia ser só Cristokos, já que assim sendo, Jesus teria nascido como qualquer ser humano normal sem ser simultaneamente Deus, o que contraria a Santíssima Trindade, que afirma que Cristo é duas pessoas numa só, uma divina e outra humana, sendo impossível separá-las.

[editar] Imaculada Conceição da Virgem Maria

Ver artigo principal: Imaculada Conceição

Maria foi concebida sem pecado original. Sua Imaculada Conceição relata que a concepção de Maria, a mãe de Jesus, foi feita sem qualquer mancha de pecado original, no ventre da sua mãe, assim desde o primeiro momento da sua existência, ela foi preservada por Deus do pecado que aflige a humanidade, pois ela é "cheia de graça divina" (forma como foi chamada pelo Anjo Gabriel). Também relata que ela viveu uma vida completamente livre de pecado.

A festa da Imaculada Conceição de Maria é celebrada em 8 de Dezembro, e foi definida inicialmente em 1476 pelo Papa Sixto IV. A Imaculada Conceição foi solenemente definido como um dogma pelo Papa Pio IX em sua constituição Ineffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854 como uma verdade infalível revelada pela orientação do Espírito Santo.

Muitos escritos dos Padres da Igreja, já defendiam também a Imaculada Conceição de Maria pois, uma vez que Jesus se tornou encarnado por meiro da Virgem Maria, era adequado que ela estivesse completamente livre do pecado para exprimir o seu Filho. (Ott, Fund., BK 3, pt. 3, Ch. 2, § 3.1.e).

[editar] Assunção da Virgem Maria

Ver artigo principal: Assunção de Maria

[[Ficheiro:Tizian 041.jpg|150px|thumb|right| Assunção de Maria. Tiziano Vecellio, século XVI]]

A Virgem Maria no fim de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial. Este dogma foi proclamado ex cathedra pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, por meio da Constituição Munificentissimus Deus:

"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".

O Papa Pio XII deixou liberadamente em aberto se Maria foi elevada aos céus após sua morte ou ainda em vida.

[editar] Outras doutrinas

A Igreja Católica detém muitos outros ensinamentos sobre a Virgem Maria, dos quais muitos são tão relevantes como os ensinamentos acima definidos. Outros são antigos ensinamentos, cultos e celebrações, que sob a orientação infalível do Espírito Santo, são uma parte integrante do depósito de fé transmitida pela Igreja.

A devoção à Virgem Maria continua sendo ressaltada nos ensinamentos da Igreja Católica, por exemplo, na sua encíclica Rosarium Virginis Mariae, o Papa João Paulo II afirmou que foi inspirado pelos escritos de São Luís de Montfort sobre a total consagração à Virgem Maria. [7]

[editar] Maria é a Mãe de todos os cristãos

Ver artigo principal: Mãe da Igreja
Madonna del Popolo (Mãe do povo) de Federico Barocci (1579).
Madonna del Popolo (Mãe do povo) de Federico Barocci (1579).

Maria é vista como mãe da Igreja e de todos os seus membros, ou seja, todos os cristãos, pois os cristãos na Bíblia são parte do corpo de Cristo, a Igreja. Eles, portanto, compartilham com Cristo a paternidade de Deus e também a maternidade de Maria. Mais uma vez, no Novo Testamento, (João 19. 26-27) o apóstolo João diz que Jesus na cruz é filho de Maria. Santo Ambrósio de Milão (338 - 397), um dos doutores da Igreja, já cita este título. O Catecismo da Igreja Católica afirma:

"A Virgem Maria... É reconhecida e honrada como sendo verdadeiramente a Mãe de Deus e do Redentor.... Ela é «claramente a mãe dos membros de Cristo... Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja.» [8]

[editar] Medianeira

Ver artigo principal: Medianeira

Jesus Cristo é o único mediador entre Deus eo homem. (1 Tim, 2,5). Ele sozinho conciliou o homem com Deus através da sua morte na cruz. Mas isso não exclui um papel secundário de Maria como medianeira, dependente de Cristo. O ensinamento que Maria intercede por todos os crentes e, especialmente, aqueles que pedem sua intercessão através da oração, remete aos primeiros séculos do cristianismo, por exemplo a oração Sub tuum praesidium, escrita em grego aproximadamente em 250. Outra oração de Efrém da Síria (306-373) afirma: Depois do mediador, a medianeira de todo o mundo.[9]

[editar] Co-Redentora

Ver artigo principal: Co-Redentora

Co-Redentora (português) ou Co-Redemptrix (latim) refere-se a participação indireta de Maria no processo de salvação. Mesmo antes do ano 200, Ireneu de Lyon refere-se a Maria como "causa salutis" (causa de nossa salvação) devido ao seu filho.[10] O ensinamento tornou-se universal desde o século XV[11], mas nunca foi declarado um dogma, embora petições para declara-ló (juntamente com Medianeira) dogmaticamente, tenham sido submetidos ao papa por vários cardeais e bispos, tornando-se assim o quinto dogma mariano aprovado pela Santa Sé. [12]

O conceito de co-redentora remete para uma participação indireta, mas importante da Virgem Maria na redenção, pois Maria deu à luz ao Redentor (Jesus Cristo), que é o responsável por toda a redenção e salvação, assim ela foi mediadora de redenção. Os católicos crêem que Cristo é o único Redentor da humanidade (1Tim 2,5), sendo que a própria Maria teve de ser redimida e resgatada por Jesus Cristo.[13]

[editar] Rainha do Céu

[[File:Peter Paul Rubens 079.jpg|thumb|right|Coroação da Virgem Maria, de Rubens, século XVII.]]

A doutrina de que a Virgem Maria foi coroada Rainha do Céu remonta ao início da Igreja, para escritores tais como Gregório de Nanzianzo, que afirma que Maria é "a Mãe do Rei do universo," e a "Virgem Mãe, de quem surgiu o Rei de todo o mundo", [14] Efrém da Síria já a considerada Rainha do Céu.[15] A Igreja Católica muitas vezes vê Maria como rainha do céu, ostentando uma coroa de doze estrelas na Revelação. (Apocalipse 12, 1-5)

Muitos Papas homenageram Maria com este título: Maria é a Rainha do Céu e da Terra, (Pio IX), Rainha do Universo (Leão XIII) e Rainha do Mundo (Pio XII) [16]O fundamento teológico e lógico desses títulos repousa no dogma de Maria como a Virgem Mãe de Deus, que reina ao longo de todo o mundo, sendo celestialmente bem-aventurada com a glória de uma Rainha. [17]

Certamente, no pleno e rigoroso sentido do termo, somente Jesus Cristo, o Deus-Homem, é Rei, mas Maria, também, como Mãe do divino Cristo, (...) tem uma participação, embora de forma limitada e de modo análogo, em sua dignidade real. A união radiante (...) que ela atingiu com Cristo transcende o de qualquer outra criatura; de sua união com Cristo ela recebe o real direito de dispor dos tesouros do Divino Redentor do Reino, de sua união com Cristo finalmente é derivada a inesgotável eficácia de sua materna intercessão do Filho e do seu pai.[18]

Este ensinamento segue o precedente bíblico da antiga Israel, cuja monarquia, segundo o cristianismo, passou para Jesus. Ele será grande e será chamado o Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. (Lucas 1:32) No Antigo Testamento os reis de Israel e Judá, como Davi ou Salomão possuíam muitas esposas. O título de Rainha, portanto, não era concedido a qualquer mulher do rei, mas para a mãe do rei. (1 Reis 2 17-21, 1 Reis 15:13, Jeremias 13:18). A Rainha Mãe era conhecida em hebraico como gebirah. Uma vez que Jesus é o rei celestial, da linhagem de Davi e Salomão, Maria tornou-se Rainha-Mãe.

[editar] Reparações à Virgem Maria

Há ensinamentos e tradições específicas como Atos de Reparação, ou seja, orações à Virgem Maria para os insultos que ela sofre. O missal Católico Raccolta (aprovada por um decreto de 1854, e publicado pela Santa Sé em 1898) inclui estas orações.[19][20][21]

Estas devoções e orações não envolvem um pedido para si ou para um falecido, mas destinam-se a reparar os pecados dos outros contra a Virgem Maria.

[editar] Títulos

A Maria são atribuídos diversos títulos, que podem fazer referência a suas virtudes, ou aos locais em que apareceu, tais como: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora de Fátima, dentre outros.

[editar] Referências

  1. Mariology Society of America
  2. Centers of Marian Study
  3. Publisher’s Notice in the Second Italian Edition (1986), reprinted in English Edition, Gabriel Roschini, O.S.M. (1989). The Virgin Mary in the Writings of Maria Valtorta (English Edition). Kolbe's Publication Inc. ISBN 2-920285-08-4
  4. E. Campagna, Maria nel culto cattolico, Torino, 1944
  5. Cl. Dillenschneider, Le Mystere de Notre Dame et notre devotion mariale Paris, 1962
  6. Catechism of the Catholic Church §499
  7. Rosarium Virginis Mariae
  8. Catechism of the Catholic Church Part 1, Section 963
  9. Mediatorship of Mary. Página visitada em 2008-10-08. “post mediatorem mediatrix totius mundi”
  10. O que significa a doutrina de Co-Redentora
  11. Ott 256
  12. http://www.zenit.org/article-21743?l News Report on the Mediatrix Petition to the Pope]
  13. Ott Dogmatics 256
  14. S. Gregorius Naz., Poemata dogmatica, XVIII, v. 58; PG XXXVII, 485.
  15. S. Ephraem, Hymni de B. Maria, ed. Th. J. Lamy, t. II, Mechliniae, 1886, hymn. XIX, p. 624.
  16. in:enyclical Ad caeli reginam
  17. Ad Caeli reginam 1
  18. Ad Caeli reginam 39
  19. Ann Ball, 2003 Encyclopedia of Catholic Devotions and Practices ISBN 087973910X
  20. Catholic Encyclopedia
  21. Joseph P. Christopher et al., 2003 The Raccolta St Athanasius Press ISBN 978-0970652669

[editar] Outras Referências

  • Ludwig Ott, Fundamentals of Catholic Dogma, Mercier Press Ltd., Cork, Ireland, 1955.

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