Fóssil
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Os Fósseis são restos ou vestígios preservados de animais, plantas ou outros seres vivos em rochas, sedimentos, gelo ou âmbar. Preservam-se como moldes do corpo ou partes deste, rastros e pegadas. A totalidade dos fósseis e a sua colocação nas formações rochosas e camadas sedimentares é conhecida como registo fóssil. A palavra "fóssil" deriva do termo latino fossile que significa "desenterrado". A ciência que estuda os fósseis é a Paleontologia.
A formação de fósseis, ao contrário do que se poderia supor, é um fenómeno corriqueiro e que ocorre frequentemente. O registo fóssil contém inúmeros vestígios fossilizados dos mais variados organismos do passado geológico da Terra. Tudo pode fossilizar, até mesmo os restos orgânicos mais delicados e perecíveis. Contudo, a preservação de matéria orgânica ou de restos esqueléticos delicados, uma vez que estes se decompõem e são destruídos rapidamente, requer condições de fossilização fora do comum que, por serem especiais, ocorrem na natureza mais raramente. Daí que fósseis de restos destes tipos não sejam frequentes.
Pelo contrário, a preservação de partes esqueléticas biomineralizadas, mais duras e resistentes à decomposição e à erosão, tais como dentes, conchas, carapaças e ossos, é bem mais frequente e, por isso, a esmagadora maioria do registo fóssil é constituída por fósseis deste tipo de restos biológicos. Em qualquer das circunstâncias, para que os restos de um qualquer organismo fossilizem, é fundamental que estes sejam rapidamente cobertos por sedimentos e enterrados.
Somente os restos ou vestígios de organismos com mais de 11.000 anos são considerados fósseis. Este tempo, calculado pela última glaciação, é a duração estimada para a época geológico do Holoceno ou Recente. Quando os vestígios ou restos possuem menos de 11.000 anos, são denominados de subfósseis. [1]
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[editar] Tipos de fósseis
Existem dois tipos básicos de fósseis: os somatofósseis e os icnofósseis.
Somatofóssil: Fóssil de restos somáticos (isto é, do corpo) de organismos do passado. Por exemplo, fósseis de dentes, de carapaças, de folhas, de conchas, de troncos, etc.
Icnofóssil: Fóssil de vestígios de actividade biológica de organismos do passado. Por exemplo, fósseis de pegadas, de marcas de dentadas, de ovos (da casca dos ovos), de excrementos (os coprólitos), de túneis e de galerias de habitação, etc.
Os fósseis – somatofósseis e icnofósseis – podem ocorrer sob a forma de diversos produtos dos processos de fossilização que ocorrem após o enterramento dos restos esqueléticos ou dos vestígios de actividade orgânica. Os mais frequentes são as mineralizações (incluindo as permineralizações), os moldes e as incarbonizações.
[editar] Permineralização
Este processo de fossilização, comumente denominado de petrificação, consiste literalmente na substituição dos restos orgânicos de um ser vivo por matéria mineral, rocha, ou na formação de um molde desses restos. Ocorre quando o organismo é coberto rapidamente por sedimento após a morte ou após o processo inicial de deterioração. O grau de deterioração ou decomposição do organismo quando recoberto determina os detalhes do fóssil - alguns consistem apenas em restos esqueléticos ou dentes; outros fósseis contêm restos de pele, penas ou até tecidos moles. Uma vez cobertas com camadas de sedimentos, as mesmas compactam-se lentamente até formarem rochas. Depois, os compostos químicos podem ser lentamente trocados por outros compostos (ex.: carbonato por sílica).
[editar] Moldes e traços de fósseis
Um molde de fóssil é formado por fluidos infiltrados que dissolvem os restos de um organismo, criando um buraco na rocha com a forma do organismo. Se esse buraco for preenchido com mais minerais, é chamado de molde fóssil. Se o enterro do organismo for rápido, é forte a hipótese de que até mesmo as impressões de tecidos moles permaneçam. Traços fósseis são os restos de caminhos, enterros, pegadas, ovos, conchas, ninhos e fezes . Estes últimos, chamados coprólitos, podem fornecer uma idéia do comportamento alimentício do animal, tendo, assim, grande importância.
[editar] Fósseis em resina
Animais menores, como insectos, aranhas e pequenos lagartos, quando presos em resina ou âmbar, que é segregado por certas árvores, ficam praticamente intactos por milhares de anos. Estes fósseis podem ser encontrados em rochas sedimentares, assim como os demais tipos de fósseis. O âmbar é uma substância resinosa e aromática, com consistência de cera rija, que foi produzida por uma espécie extinta de pinheiro
[editar] Pseudofósseis
Os chamados "pseudofósseis" (do grego pseúdes, falso + fóssil) não são fósseis, não devem ser tratados como fósseis, nem incluídos em classificações paleontológicas ou em textos sobre fósseis. São designados "pseudofósseis" (ou seja, literalmente, "falsos fósseis") apenas por serem objectos geológicos que fazem lembrar estruturas orgânicas fossilizadas.
O exemplo mais típico de pseudofósseis são as dendrites, precipitações inorgânicas de minerais que fazem lembrar "fósseis" de plantas.
[editar] Fóssil vivo
"Fóssil vivo" é um termo informal, frequentemente utilizado em textos não científicos (de divulgação) e em manuais escolares, para designar organismos pertencentes a grupos biológicos actuais que são os únicos representantes de grupos que foram bem mais abundantes e diversificados no passado geológico da Terra. Por essa mesma razão, os organismos apelidados de "fósseis vivos" apresentam, frequentemente, aspectos morfológicos muito similares aos dos seus parentes mais antigos preservados sob a forma de fósseis no registo geológico.
Os "fósseis vivos" não são "espécies" que não evoluiram, não são organismos "parados no tempo". São organismos distintos dos do passado, pertencendo a espécies distintas das representadas no registo fóssil, mas com as quais são directamente aparentados e, portanto, morfologicamente muito similares.
Um exemplo típico de "fóssil vivo" são os peixes da espécie actual Latimeria chalumnae. Até à descoberta destes peixes nos mares do Oceano Índico, em 1938, os Coelacanthiformes(grupo biológico a que Latimeria chalumnae pertence) só eram conhecidos do registo fóssil.
Outro exemplo famoso é o das árvores da espécie Ginkgo biloba que não têm parentes próximos entre as plantas da actualidade, mas que pertencem a um grupo biológico (as Ginkgoales) que foi muito abundante e diversificado desde o Pérmico ao Paleocénico.
Outros organismos frequentemente apelidados de "fósseis vivos" são, por exemplo, os organismos das espécies Ennucula superba, Lingula anatina, um braquiópode inarticulado, o tuatara, o caranguejo-ferradura Limulus polyphemus e os organismos do género Nautilus.
[editar] Tafonomia
A Tafonomia do grego tafós (sepultamento) + nómos (lei) é a disciplina paleontológica que se ocupa do estudo dos processos de transferência dos restos e dos vestígios biológicos (ou melhor, da informação biológica) da Biosfera do passado para a Litosfera do presente. Ou seja, a Tafonomia estuda os processos de formação dos fósseis, desde o momento em que um dado resto ou vestígio biológico é produzido até que o encontramos, fossilizado, no registo fóssil.
[editar] Referências
- ↑ Cassab, R. C. T. Objetivos e Princípios. In CARVALHO, I. S. (Ed.) Paleontologia. Rio de Janeiro: Interciência. 2000.
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
