Holodomor

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Vítima do Holodomor numa rua da cidade ucraniana de Kharkiv. Essa fotografia foi efectuada por um cooperante alemão, em 1932.
Vítima do Holodomor numa rua da cidade ucraniana de Kharkiv. Essa fotografia foi efectuada por um cooperante alemão, em 1932.

Holodomor ou Golodomor (em ucraniano: Голодомор) é o nome atribuído à fome de carácter genocidário, que devastou principalmente o território da República Socialista Soviética da Ucrânia (integrada na URSS), durante os anos de 1932 - 1933. Este acontecimento — também conhecido por Grande Fome da Ucrânia — representou um dos mais trágicos capítulos da História da Ucrânia, devido ao enorme custo em vidas humanas.

Apesar de esta fome ter igualmente afectado outras regiões da URSS, o termo Holodomor é aplicado especificamente aos factos ocorridos nos territórios com população de etnia ucraniana: a Ucrânia e a região de Kuban, no Cáucaso do Norte.

Como tal, é por vezes designado de "Genocídio Ucraniano" [1] ou "Holocausto Ucraniano", [2] [3] significando que essa tragédia seria resultante de uma acção deliberada de extermínio, desencadeada pelo regime soviético, visando especificamente o povo ucraniano, enquanto entidade socio-étnica.

Tendo como referência o conceito de Genocídio [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] [15] e a sua definição jurídica [16] [17] [18] [19], verifica-se um crescente consenso dos historiadores, relativamente à natureza genocidária do Holodomor [20] [21] [22] [23] [24] [25] [26] [27] [28].

Por outro lado, há um número cada vez maior de países que o reconhecem oficialmente como um acto de genocídio. thumb|direita|250px|Imagem do memorial às vítimas do Holodomor, em Kiev. O termo Holodomor deriva da expressão ucraniana 'Морити голодом' (moryty gholodom), tendo como raíz etimológica as palavras holod (fome) e moryty (matar através de privações, esfaimar), significando por isso "matar pela fome". [29] [30]

O termo terá sido utilizado pela primeira vez pelo escritor Oleksa Musienko, num relatório apresentado à União dos Escritores Ucranianos de Kiev, em 1988. [31]

No quarto Sábado do mês de Novembro, a Ucrânia [32] [33] e as comunidades ucranianas implantadas em diversos países de acolhimento [34] [35] [36] prestam homenagem às vítimas do Holodomor. [37]


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Índice

[editar] 1929: a colectivização da agricultura e a deskulakização ("Grande Viragem")

[editar] Os objectivos da "Grande Viragem"

No início da década de 30, Estaline (ou Stálin) decidiu aplicar uma nova política para a URSS, através da transformação radical e acelerada das suas estruturas económicas e sociais. Essa mudança visava aos seguintes objectivos: [38]

  • A industrialização acelerada da União Soviética, com base nas receitas financeiras obtidas através da exportação dos produtos agrícolas, sobretudo dos cereais.

[editar] A "guerra anticamponesa"

Genrikh Yagoda (direita) na companhia do escritor Máximo Gorki (esquerda). Enquanto vice-chefe da polícia política (O.G.P.U.), Yagoda foi um dos principais responsáveis pela repressão do campesinato, no âmbito da colectivização e da deskulakização.
Genrikh Yagoda (direita) na companhia do escritor Máximo Gorki (esquerda). Enquanto vice-chefe da polícia política (O.G.P.U.), Yagoda foi um dos principais responsáveis pela repressão do campesinato, no âmbito da colectivização e da deskulakização.

O processo de colectivização acelerada da agricultura e de "liquidação dos kulaks enquanto classe" (deskulakização), desencadeado por decisão do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, em Dezembro de 1929, teve consequências trágicas para milhões de pessoas. [39]

Para a sua execução, os funcionários e membros do Partido Comunista que estavam presentes nos campos, foram apoiados por brigadas de operários e de "activistas" vindos dos centros urbanos [40]. Sendo a União Soviética um país em que a fractura entre o mundo dominante das cidades e o mundo dominado das aldeias continuava a ser profunda, a colectivização foi sentida como uma verdadeira guerra declarada pelo Estado contra o modo de vida e a cultura camponesa tradicionais [41].

Os camponeses (82% da população soviética), depois de serem obrigados, através de todo o tipo de abusos e violências [42] , a entregar os bens, são forçados a aderir às explorações agrícolas colectivas (kolkhozes) ou estatais (sovkhozes). Estas destinavam-se a abastecer, de forma regular e quase gratuita, o Estado com produtos agrícolas e pecuários, através de planos de colecta fixados pelas autoridades centrais.

Com base na acusação arbitrária de pertencerem à categoria dos kulaks (camponeses ricos e hostis ao poder soviético) [43] , os "socialmente estranhos" ao novo sistema agrícola kolkhoziano, são desterrados a título definitivo para outras regiões, principalmente para o Cazaquistão e a Sibéria [44]. Por outro lado, as operações de deportação visavam fornecer os recursos humanos necessários à colonização e exploração das imensas riquezas naturais, existentes nesses territórios desabitados [45].

No total, são deportadas - frequentemente de modo caótico e precipitado [46] - cerca de 2,8 milhões de pessoas:

  • 2.400.000, dos quais 300.000 ucranianos [47], no contexto da campanha de deskulakização (1930-1932);
  • 340.000, devido à repressão da resistência às requisições predatórias efectuadas pelos organismos estatais encarregues de se apoderar dos cereais (1932-1933). [48] [49]
Cartaz de propaganda do sistema kolkhoziano: "Camarada, vem juntar-te ao kolkhoze!"
Cartaz de propaganda do sistema kolkhoziano: "Camarada, vem juntar-te ao kolkhoze!"

No entanto, em muitos casos, as vítimas da repressão foram simplesmente abandonadas nesses territórios distantes e inóspitos [50]. Em consequência disso, aproximadamente 500 mil deportados, entre os quais muitas crianças, morreram devido ao frio, à fome e ao trabalho extenuante. [51]

Os sobreviventes, trabalhando como "colonos de trabalho" nas empresas de exploração dos recursos naturais - exploração florestal, carvão, minerais não ferrosos, metalurgia, agricultura e artesanato - ou nos estaleiros de obras públicas - construção e manutenção de estradas e vias férreas - são tratados como verdadeiros párias, sendo sujeitos a todo o tipo de privações e abusos. [52]

Por sua vez, cerca de 400 mil camponeses foram enviados para uma rede de campos de trabalho forçado (Gulag), gerida pelo O.G.P.U.- na época, sob a direcção de Vyacheslav Menzhinsky - [53] e outros 30.000 foram punidos com a pena capital.[54]

A resposta dos camponeses foi desesperada e muitas vezes violenta, [55] havendo numerosas manifestações, revoltas e distúrbios por todo o país (mais de 14.000 casos registados pelo O.G.P.U.) [56].

Essa resistência mobilizou cerca de três milhões de pessoas, em particular nas regiões do rios Don e Volga, no Cáucaso do Norte, no Cazaquistão, e sobretudo, na Ucrânia [57].

As motivações da sublevação camponesa foram múltiplas, surgindo de acordo com os novos desafios suscitados pela intransigência do Estado soviético: recusa em aderir aos kolkhozes; oposição à política anti-religiosa das autoridades (encerramento das igrejas, confiscação dos sinos, vandalismo anti-religioso dos activistas da Juventude Comunista); solidariedade com os kulaks e outros "elementos anti-soviéticos", vítimas de perseguição; resistência à confiscação, pelos órgãos estatais de colecta, de uma crescente percentagem da produção agro-pecuária, através de "desvios" e roubos da colheita "colectiva", numa conjuntura económica cada vez mais degradada. [58] [59]

[editar] 1931: o início da fome soviética

[editar] O âmbito geográfico

A partir de 1931 - com o perfeito conhecimento das autoridades - as crescentes dificuldades alimentares começam a provocar a morte de centenas de milhares de pessoas, em várias regiões da União Soviética.

A situação é especialmente grave no Cazaquistão, bem como nas principais áreas cerealíferas - Ucrânia, Cáucaso do Norte e território do rio Volga - onde tinha sido oferecida maior resistência à política de colectivização agrícola. [60]

[editar] As causas iniciais da fome

Exceptuando o caso particular do Cazaquistão, [61] [62] [63] [64] [65] as causas iniciais desta tragédia devastadora foram globalmente idênticas: [66]

Capa da revista soviética Kolhospnytsia Ukrayiny ("Mulher Kolkhoziana da Ucrânia") de Dezembro de 1932.
Capa da revista soviética Kolhospnytsia Ukrayiny ("Mulher Kolkhoziana da Ucrânia") de Dezembro de 1932.
  • a grave desorganização do ciclo produtivo agrícola causada pelas medidas de deskulakização, que visavam reprimir e eliminar as elites camponesas;
  • a colectização forçada, que levou muitos dos camponeses a reagir de forma violenta e desesperada, através da destruição de uma grande parte do seu património (alfaias, animais, colheitas, etc.);
  • a ineficácia e a miséria que caracterizam os kolkhozes, instituídos num contexto de violência e de caos generalizados;
  • as sucessivas e implacáveis vagas de requisição (colectas), através das quais o Estado procura dar resposta a um triplo problema (dificuldades sentidas no processo de industrialização acelerada; explosivo crescimento urbano, em resultado do êxodo rural; necessidade de travar o agravamento da dívida externa, mediante o crescimento da exportação de matérias-primas);
  • a resistência dos camponeses face àquilo que consideravam tratar-se de uma "segunda servidão" [67] - designada, por Nikolai Bukharin, de "exploração militar-feudal" [68] - trabalhando cada vez menos, devido à sua rejeição do modelo colectivista imposto pelo regime, ou em consequência da debilidade física gerada pelas dificuldades alimentares;
  • as más condições meteorológicas que prejudicaram as colheitas de 1932. [69]

Por conseguinte, a fome desencadeada em 1931 - embora numa escala reduzida, em comparação com os dois anos subsequentes - é na sua origem, o resultado de uma política de inspiração marxista que pretendia eliminar as bases sociais e o modo de funcionamento da economia capitalista. [70]

Havia, no entanto, a plena consciência por parte das forças em confronto - Estado e camponeses - de que se estava a reeditar a situação de violência e de fome [71] que caracterizara o período do "Comunismo de Guerra" (1918-1921). [72] [73]

[editar] 1932-1933: o Holodomor ucraniano

[editar] A escalada da crise

Lazar Kaganovitch. Membro do Politburo e responsável pela campanha de requisições no Cáucaso do Norte.
Lazar Kaganovitch. Membro do Politburo e responsável pela campanha de requisições no Cáucaso do Norte.

Em 1931 - em consequência das más colheitas na Sibéria Ocidental e no Cazaquistão - milhares de kolkhozes da Ucrânia, do Cáucaso do Norte e da região do rio Don, foram alvo de requisições acrescidas.

Desse modo, os órgãos estatais de coleta, apesar de uma colheita bastante medíocre (69 milhões de toneladas), conseguiram obter perto de 23 milhões de toneladas. A Ucrânia foi obrigada a contribuir com 42% da sua produção cerealífera, o que provocou o agravamento da desorganização do ciclo produtivo, iniciada com a colectivização forçada e a deskulakização. [74]

Na Ucrânia e em outras regiões, a partir da Primavera de 1932, assistiu-se ao alastramento da fome e ao êxodo dos camponeses em direcção às cidades, suscitando a preocupação das autoridades, nomeadamente dos dirigentes de várias repúblicas. Por seu lado, o governo animado com o êxito das requisições, fixa o plano de colecta para 1932 em 29,5 milhões de toneladas, dos quais 7 milhões devem ser obtidos na Ucrânia. [75]

Deste modo tornou-se inevitável o conflito entre os camponeses, determinados a usar todos os meios para conservar uma parte da produção, e as autoridades locais, obrigadas a cumprir o plano de colecta, o qual, nas palavras do dirigente soviético Sergei Kirov, representava: [76]

A pedra de toque da nossa força ou da nossa fraqueza, da força ou da fraqueza dos nossos inimigos.

Com efeito, esses planos são de tal modo elevados, que os obrigam a tentar esconder a maior quantidade possível de cereais, para garantir as reservas alimentares indispensáveis à sua sobrevivência. [77]

A campanha de colecta de 1932 depara-se, por isso, desde o início, com inúmeras dificuldades: manifestações dos camponeses atingidos pela fome; fuga dos kolkhozes de um crescente número de trabalhadores; roubo dos bens pertencentes aos kolkhozes (gado, alfaias e sobretudo colheitas) e recusa de muitos funcionários locais e regionais do Partido ou dos sovietes em aplicar planos de colecta que condenariam à fome dezenas de milhões de pessoas.[78]

Inicialmente, Estaline manifesta a sua crescente impaciência face ao ritmo lento que caracteriza a campanha de requisições na Ucrânia, acusando os dirigentes locais de serem os responsáveis pela situação, devido ao seu laxismo e falta de firmeza perante os "actos de sabotagem" e de "terrorismo". [79]

Para superar essas dificuldades, a 7 de Agosto de 1932, entra em vigor a lei sobre o " roubo e delapidação da propriedade social " (mais conhecida por "lei das cinco espigas"), punível com dez anos de campo de trabalho forçado, ou com a pena capital.[80]

As brigadas encarregues da colecta efectuam autênticas expedições punitivas, nomeadamente nas regiões cerealíferas. Estas requisições são acompanhadas de inúmeros abusos, violências fisicas e detenções maciças de kolkhozianos. [81]

Apesar de uma ligeira diminuição nos objectivos dos planos de colecta [82] e de uma repressão extremamente dura (mais de 100.000 pessoas foram condenadas nos primeiros meses de aplicação da lei) [83], em 25 de Outubro, Moscovo só colectara 39% da quantidade de cereais exigida à Ucrânia. [84]

[editar] A "interpretação nacional" de Stalin

thumb|direita|150px|Stalin.


Mas entre Julho e Agosto de 1932, Stalin concebeu uma nova análise da situação na Ucrânia e das suas causas, expressa a 11 de Agosto, numa carta endereçada a Kaganovitch: [85] [86]

[A Ucrânia] é hoje em dia a principal questão, estando o partido, o Estado e mesmo os órgãos da polícia política da república, infestados de agentes nacionalistas e de espiões polacos , correndo-se o risco de se perder a Ucrânia, uma Ucrânia que, pelo contrário, é preciso transformar numa fortaleza bolchevique sem olhar a custos.

Na perspectiva do ditador, o Partido Comunista e o Governo ucranianos tinham sido infiltrados por agentes nacionalistas ("Petliuristas") e espiões polacos ("agentes de Pilsudski"), e as aldeias renitentes à colectivização, estavam sob a influência de agitadores contra-revolucionários. [87]

A decisão de utilizar a fome - provocando artificialmente o seu alastramento - para "dar uma lição" aos camponeses [88], foi tomada no Outono, num contexto especialmente delicado para o ditador, com a agudização da crise provocada pelo 1.º Plano Quinquenal, o receio de uma guerra com a Polónia, [89] e o suicídio da sua esposa Nadezhda Alliluyeva. [90]

Em 22 de Outubro de 1932, são enviadas para a Ucrânia e para o Cáucaso do Norte duas "comissões extraordinárias" - dirigidas respectivamente por Vyacheslav Molotov e Lazar Kaganovitch - com o objectivo de "acelerar as colectas" e tendo o apoio dos mais altos responsáveis do O.G.P.U. (incluindo Genrikh Yagoda). [91] [92]

Simultaneamente, milhares de agentes da polícia política e de "plenipotenciários" do Partido foram transferidos, para colmatar a ineficácia das estruturas comunistas locais e reprimir qualquer indício de "sabotagem". Entre Novembro e Dezembro, mais de 27.000 pessoas são detidas (30% são dirigentes de kolkhozes e pequenos funcionários rurais) com base na acusação de "sabotagem dos planos de colecta".[93]

O recurso à "arma da fome" adquire uma lógica e uma violência particulares nos territórios essencialmente ucranianos. Stalin - em perfeita coerência com a sua própria análise acerca das origens e dinâmicas do fenómeno nacional - considerava a Ucrânia um caso de especial gravidade, devido à interligação profunda entre o "nacionalismo burguês" e o campesinato. [94]

De facto, já em 1925, Stalin tinha explicitado o seu ponto de vista sobre a "questão nacional", ao afirmar: [95]

Que isto explica o facto do campesinato constituir o principal exército do movimento nacional, de que não pode existir um movimento nacional poderoso sem um exército camponês.

Em conformidade com esta análise, o dirigente do O.G.P.U. ucraniano Vsevolod Balystsky define, em 5 de Dezembro de 1932, como principal missão a desempenhar pela polícia política da república: [96]

o urgente desmantelamento, identificação e esmagamento dos elementos contra-revolucionários e kulak-petliuristas que estão a sabotar as medidas aplicadas pelo Governo Soviético e pelo Partido nas aldeias.

[editar] A repressão do campesinato ucraniano

[editar] As medidas repressivas

Em resultado da "interpretação nacional" que Stalin fez da situação ucraniana, a decisão de utilizar a fome nesses territórios adquire características específicas de natureza genocidária, [97] [98] confirmadas pela recente desclassificação de milhares de documentos provenientes dos arquivos ucranianos. [99] [100] [101] [102] [103] [104] [105]

Vyacheslav Molotov. Membro do Politburo e responsável pela campanha de requisições na Ucrânia.
Vyacheslav Molotov. Membro do Politburo e responsável pela campanha de requisições na Ucrânia.

Assiste-se a uma escalada de medidas repressivas, em grande parte diferentes das aplicadas noutras regiões da União Soviética:

  • em 22 de Janeiro de 1933, [111] [112] Stalin e Molotov dão ordens específicas à polícia política no sentido de impedir o êxodo dos camponeses ucranianos - da Ucrânia e do Cáucaso do Norte - que em desespero procuravam obter comida noutras zonas. Para justificar a decisão, declararam estar convictos de que era uma fuga: [113]
organizada pelos inimigos do poder soviético, os socialistas revolucionários e os agentes polacos, com objectivos de propaganda, para desacreditar, por intermédio dos camponeses que fogem para as regiões da U.R.S.S. a norte da Ucrânia, o sistema kolkhoziano, em particular, e o sistema soviético, em geral.
  • nessas regiões, é suspensa a venda de bilhetes de comboio e são montadas barreiras policiais nas estações ferroviárias e nas estradas que levam às cidades. Só no decurso do mês de Fevereiro, são detidas 220.000 pessoas, fundamentalmente camponeses à procura de comida, dos quais 190.000 são obrigados a regressar às aldeias para aí morrer de fome; [114]
Stanislav Kossior, secretário-geral do Partido Comunista da Ucrânia.
Stanislav Kossior, secretário-geral do Partido Comunista da Ucrânia.
  • além da actividade exercida no âmbito do combate aos "sabotadores do plano de colectas" - apoio às brigadas que tentavam localizar os cereais escondidos pelos camponeses, usando todo o tipo de violências e abusos [116] ; deportação das populações mais insubmissas e detenção dos suspeitos de actos de sabotagem - a polícia política é a única organização autorizada a recolher informações sobre a fome, de acordo com o decreto do Politburo, de 16 de Fevereiro de 1933. [117]

A confirmação de que a fome servia para impor a total obediência dos camponeses aos ditames do regime soviético e do seu chefe supremo, está presente na carta enviada para Moscovo pelo secretário-geral do Partido Comunista da Ucrânia, Stanislav Kossior, em 15 de Março de 1933: [118]

a insatisfatória evolução das sementeiras em numerosas regiões, prova que a fome ainda não levou à razão muitos kolkhozianos.

No sentido de garantir as condições necessárias às futuras colheitas, entre Janeiro e Junho de 1933, as autoridades centrais adoptaram, de forma tardia, selectiva e insuficiente [119] [120], várias medidas de auxílio a algumas das regiões atingidas pelas "dificuldades alimentares" [121].

Para cerca de 30 milhões de pessoas atingidas pela fome, são disponibilizadas 320.000 toneladas de cereais, ou seja 10 quilos de cereais por pessoa, representando somente 3% do consumo médio anual de um camponês [122].

No entanto, esta ajuda, além de privilegiar o abastecimento das cidades, destina-se unicamente aos que a "merecem": os kolkhozianos com melhor rendimento, os brigadistas, os tractoristas, etc. [123]

[editar] As consequências

Muitos camponeses famintos conseguiram evitar as barreiras policiais e chegar às cidades, tendo no entanto, acabado por morrer (Kharkiv, 1933).
Muitos camponeses famintos conseguiram evitar as barreiras policiais e chegar às cidades, tendo no entanto, acabado por morrer (Kharkiv, 1933).

Em termos demográficos, a mortalidade na Ucrânia, à semelhança dos outros territórios soviéticos atingidos pela fome, incidiu fundamentalmente sobre a população rural, independentemente da sua origem étnica.

No entanto, o regime soviético tinha a perfeita consciência de que essa população rural continuava a representar a "espinha dorsal" da nacionalidade ucraniana (75% a 85% dos ucranianos residiam em aldeias), em contraste com as cidades, etnicamente mais "cosmopolitas" (russos, judeus, polacos, etc.) [124].

Por conseguinte, a fome adquiriu características e dimensões bem distintas das que teria evidenciado noutras circunstâncias políticas.

Apesar de ser bastante menos intensa e generalizada do que a Fome de 1921 - 1922 , em termos de seca e de regiões afectadas (a colheita de 1945 foi inferior à de 1932, mas não existiu fome generalizada), causou entre três a quatro vezes mais vítimas, em resultado de decisões políticas que procuravam salvar o regime da crise, que ele próprio tinha provocado. [125]

A convicção de que se tinha alcançado uma vitória definitiva sobre o campesinato, foi assumida em diversas ocasiões, pelos mais altos dignitários do regime. São disso exemplo, as palavras de Lazar Kaganovitch: [126]

nós ganhámos definitivamente a guerra, a vitória é nossa, uma vitória fantástica, total, a vitória do estalinismo.

de Sergo Ordjonikidze: [127]

os nossos quadros que enfrentaram a situação de 1932-1933 e que aguentaram [...] ficaram temperados como o aço. Acredito que com eles se construirá um Estado como a História nunca viu.

e de Mendel Khataevich: [128]

está a decorrer uma luta feroz entre os camponeses e o poder. É um combate até à última gota de sangue. É uma prova de força entre o nosso poder e a sua resistência. A fome demonstrou quem é o mais forte. Custou milhões de vidas, mas o sistema dos kolkhozes viverá para sempre. Vencemos a guerra!

No decurso da tragédia, o Estado soviético continuava a exportar milhões de toneladas de cereais para o estrangeiro (em 1932,1.730.000; em 1933,1.680.000), enquanto acumulava enormes reservas estratégicas (em 1933, 1.800.000 toneladas) [129] [130].

Num acto de retaliação, em 22 de Outubro de 1933, o adido consular da União Soviética em Lviv, Alexei Mailov, é assassinado por Mykola Lemyk, militante do movimento independentista "Organização dos Nacionalistas Ucranianos" [131] [132].

[editar] A repressão das elites ucranianas

O escritor Mykola Khvylovy foi uma das vítimas da vaga de terror contra as elites ucranianas. Suicidou-se em 13 de Maio de 1933.
O escritor Mykola Khvylovy foi uma das vítimas da vaga de terror contra as elites ucranianas. Suicidou-se em 13 de Maio de 1933.

Devido à sua convicção de que, na Ucrânia e no Kuban, a questão camponesa era também uma questão nacional, o regime soviético sentiu necessidade de as enfrentar e de as "resolver" de forma conjunta.

Com efeito, na óptica do regime soviético, os camponeses não eram os únicos culpados da crise, partilhando a responsabilidade com a elite política e cultural ucraniana.[133]

E para que esta resolução fosse duradoura, procedeu à eliminação das elites ucranianas e das suas políticas, suspeitas de conivência com os camponeses. [134] [135]

Em 14 e 15 de Dezembro de 1932, o Politburo aprovou dois decretos especificamente destinados aos territórios de população predominantemente ucraniana, revogando a política das nacionalidades aplicada desde 1923. [136] [137]

Na sua perspectiva, a política de "Ucranização" ou indigenização ("Korenizatsiya") [138] [139] fora desenvolvida de forma errada na Ucrânia e no Kuban, tendo estimulado o nacionalismo e os seus agentes, inclusivamente no interior do Partido e do Governo: [140] [141] [142]

o desleixo levou à «Ucranização» não-bolchevique da maior parte dos distritos do Norte do Cáucaso, o que não corresponde aos interesses culturais da população, sendo aplicada sem qualquer controlo dos órgãos regionais sobre o processo de «Ucranização» das escolas e da imprensa, dando aos inimigos do poder soviético cobertura legal para organizar a oposição dos kulaks, dos [ex-] oficiais, dos antigos Cossacos emigrantes e dos membros da Rada do Kuban.

Em consequência desse diagnóstico, preconizava-se: [143]

Mudar imediatamente da língua ucraniana para a língua russa, a documentação administrativa dos órgãos soviéticos e cooperativos, bem como todos os jornais e revistas dos distritos «Ucranizados» do Norte do Cáucaso, por ser mais compreensível para a população do Kuban, e também preparar a mudança para a língua russa do ensino nas escolas.

Esta mudança também afectou as medidas de "Ucranização", de que tinham beneficiado as comunidades implantadas na Rússia. Ao contrário das outras minorias nacionais, os milhões de ucranianos que aí viviam, perderam o direito ao sistema educativo e à imprensa na sua língua, bem como à autonomia política.[144]

Como vice-secretário-geral do P. C. da Ucrânia, Postychev foi responsável pelo agravamento das requisições agrícolas e pela repressão das elites "nacionalistas".
Como vice-secretário-geral do P. C. da Ucrânia, Postychev foi responsável pelo agravamento das requisições agrícolas e pela repressão das elites "nacionalistas".

Com a chegada, em Janeiro de 1933, de Pavel Postychev, acompanhado de centenas de quadros russos, na qualidade de novo plenipotenciário de Moscovo na Ucrânia, desencadeia-se uma vaga de terror antiucraniano.

A polícia política perseguiu com obstinação as "organizações contra-revolucionárias nacionalistas burguesas" - alegadamente infiltradas nas instituições políticas e culturais - causando milhares de vítimas. [145] [146] [147]

A título de exemplo, no âmbito das purgas, são reprimidos 70% dos secretários distritais e dos sovietes (entre Janeiro e Outubro de 1933); 40.000 pequenos funcionários dos sovietes; a quase totalidade dos quadros do Comissariado do Povo para a Educação; 4000 professores e 200 funcionários dos institutos pedagógicos. [148]

Por sua vez, individualidades importantes, como o dirigente partidário Mykola Skrypnyk [149] [150] - acusado de ser um "instrumento de elementos nacionalistas burgueses" - e o director teatral Les Kurbas [151], são alvo de perseguição.

O escritor Mykola Khvylovy é igualmente vítima desta vaga repressiva [152] [153], sendo o seu suicídio interpretado como um acto de protesto contra o genocídio em curso. [154]

No seu discurso ao Partido Comunista ucraniano, em Novembro de 1933, Pavel Postychev expõe de modo eloquente a interpretação conspirativa que o regime fazia da situação na república, ao afirmar: [155]

os erros e falhas cometidos pelo Partido Comunista da Ucrânia, na implementação da política das nacionalidades, foram uma das principais causas para o declínio da agricultura ucraniana em 1931-1932. Não restam dúvidas de que sem a eliminação dos erros na implementação da política das nacionalidades, sem a derrota esmagadora dos elementos nacionalistas, que se tinha instalado em diversas áreas da construção social na Ucrânia, teria sido impossível superar o atraso na agricultura.

[editar] Epílogo

[editar] Regressão, herança e genocídio

Jovem vítima do Holodomor.
Jovem vítima do Holodomor.

Com o seu cortejo de violências, de torturas e de chacinas pela fome, o Holodomor constituiu uma enorme regressão civilizacional.

Assistiu-se à proliferação de déspotas locais, dispostos a tudo, para extorquir aos camponeses as suas escassas reservas alimentares e à banalização da barbárie, que se traduziu em rusgas, abusos de autoridade, banditismo, abandono infantil, "barracas da morte", canibalismo [156] [157] [158] e agravamento das tensões entre a população rural e a população urbana [159].

Apesar da herança do Holodomor apresentar similitudes com as de outras regiões da União Soviética – a "arma da fome" esmagou a resistência camponesa, garantindo a vitória de Estaline e do seu regime totalitário; abriu o caminho para a vaga de terror de 1937-1938 (o "Grande Terror") [160] [161]; transformou o estado federal soviético num império despótico, através da submissão da segunda república mais importante; deixou um legado de dor em numerosas famílias que nunca tiveram direito a expressar o luto, porque a fome se converteu em segredo de Estado – na Ucrânia, as suas marcas físicas e psicológicas foram bastante mais profundas e traumatizantes. [162] [163] [164] [165]

Vítima do Holodomor numa rua de Kharkiv.
Vítima do Holodomor numa rua de Kharkiv.

Essas marcas são o resultado da especificidade [166] [167] [168] que caracterizou a evolução dos acontecimentos na Ucrânia e no Cáucaso do Norte, e que conferem ao Holodomor o seu carácter de genocídio:

  • os milhões de vítimas ucranianas - incluindo as da região de Kuban - e os outros milhões de ucranianos submetidos a uma política de russificação, depois de Dezembro de 1932;
  • a decisão de Estaline em utilizar a fome numa perspectiva antiucraniana - em resultado da "interpretação nacional" da crise das colectas no Verão de 1932 - causando o seu agravamento e multiplicando o número de vítimas;
  • a eliminação de uma grande parte da elite política e intelectual da república, sob a acusação de "nacionalismo burguês".
Vítima do Holodomor, na região de Kherson (sul da Ucrânia).
Vítima do Holodomor, na região de Kherson (sul da Ucrânia).

Deste modo, toda a sociedade ucraniana foi sujeita a uma enorme violência, comprometendo, por muitas décadas, o difícil processo de construção da identidade nacional [172] [173] [174] [175] [176].

[editar] Quantas vítimas?

Relativamente à definição exacta do número de vítimas, os historiadores têm deparado com sérias dificuldades resultantes dos seguintes factores: [177] [178] [179] [180] [181] [182]

  • as restrições no acesso a certos arquivos da ex-União Soviética;
  • a mortalidade directamente imputável às epidemias de tifo;
  • a política de secretismo imposta pelo regime, ao proibir os funcionários dos sovietes rurais de mencionar a fome como causa da morte;
  • a desorganização dos registos, em consequência do falecimento ou da fuga dos funcionários pertencentes às regiões dizimadas;
  • a circunstância de muitas vítimas terem ficado insepultas ou enterradas em valas comuns;
  • as migrações de camponeses famintos para outras repúblicas soviéticas;
  • a adopção da nacionalidade russa, por parte de muitos camponeses ucranianos. [183]
Mapa da fome na Ucrânia.
Mapa da fome na Ucrânia.

Apesar da existência de estimativas que vão de 1,5 [184] [185] [186] a 10 milhões de vítimas ucranianas, os cálculos mais recentes do historiador Stanislav Kulchytsky, com base em fontes dos arquivos soviéticos, indicam um número entre 3 a 3,5 milhões de mortes.[187] [188]

Por sua vez, calcula-se que 1,3 a 1,5 milhões tenham morrido no Cazaquistão (exterminando 33% a 38% dos Cazaques), além de centenas de milhares no Cáucaso do Norte e nas regiões dos rios Don e Volga, onde a área mais duramente atingida correspondia ao território da República Socialista Soviética Autónoma Alemã do Volga, totalizando aproximadamente 5 a 6 milhões de vítimas, entre os anos de 1931 e 1933. [189] [190]


[editar] Da negação ao reconhecimento

[editar] Uma "página em branco"

Em 14 de Janeiro de 1933, o Ministro do Negócios Estrangeiros soviético, Maksim Litvinov, declarou publicamente não existir qualquer fome no seu país.
Em 14 de Janeiro de 1933, o Ministro do Negócios Estrangeiros soviético, Maksim Litvinov, declarou publicamente não existir qualquer fome no seu país.

A fome na União Soviética e na Ucrânia constituiu desde o início, segredo de Estado, permanecendo durante meio século como uma "página em branco" da sua História.

Em Janeiro de 1933, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Maksim Litvinov - contrariando as informações veiculadas por alguns jornais europeus [191] e norte-americanos [192] - negou a existência de qualquer problema, e em Fevereiro, o Politburo emitiu uma resolução, no sentido de restringir as deslocações dos correspondentes estrangeiros. [193] [194]

Também foram rejeitadas as ofertas de auxílio humanitário de várias entidades, tais como o Comité Central de Salvamento da Ucrânia [195], o Cardeal de Viena Theodor Innitzer [196] [197], o metropolita greco-católico de Lviv Andrii Szeptycki [198] [199] [200] e o Comité Internacional da Cruz Vermelha [201].

Reagindo às diversas iniciativas humanitárias, o Chefe de Estado soviético, Mikhail Kalinin, acusou os que pediam "contribuições para a «esfomeada» Ucrânia" de serem "impostores políticos" e declarou: [202]

Só classes degradadas e em desintegração podem produzir elementos tão cínicos.

Por outro lado, diversas personalidades estrangeiras, como Édouard Herriot [203] [204], Walter Duranty [205] [206] [207] [208] [209] ou George Bernard Shaw [210] [211], contribuíram, de forma inconsciente ou deliberada, para a ocultação dos factos. [212] [213] [214] [215]

Estaline, ao receber em Dezembro de 1932, o dirigente ucraniano, Rodion Terekhov, também manifestou a sua posição negacionista: [216]

Deram-me conhecimento de que é um bom orador, mas também estou a ver que é um bom contador de histórias. Você elaborou uma fábula acerca de uma pretensa fome, pensando certamente que me assustava, mas isso não resultou. Em vez disso, deveria deixar as suas funções de secretário regional e de membro do Comité Central da Ucrânia e trabalhar para a União dos Escritores. Você escreveria fábulas e os imbecis liam-nas.
Mikhail Kalinin.
Mikhail Kalinin.

Actualmente, ainda persiste a tese negacionista do Holodomor [217] [218] [219]

[220], não obstante a existência de numerosa documentação contemporânea aos acontecimentos, como por exemplo:

Conotados com sectores políticos da Extrema Esquerda, o jornalista canadiano Douglas Tottle, autor do polémico Fraud, Famine and Fascism: The Ukrainian Genocide Myth from Hitler to Harvard (1987) [257] [258] e a historiadora francesa Annie Lacroix-Riz [259] [260], afirmam tratar-se, no essencial, de uma invenção propagandística de carácter anticomunista, envolvendo o Vaticano, os imperialismos nazi e polaco e o magnata da imprensa norte-americana Randolph Hearst. [261]

[editar] A posição da comunidade académica

Em 2003, o Chefe de Estado italiano Carlo Ciampi patrocinou o mais importante encontro académico sobre o Holodomor.
Em 2003, o Chefe de Estado italiano Carlo Ciampi patrocinou o mais importante encontro académico sobre o Holodomor. [262]

Em 1984, depois de uma campanha promovida pela comunidade ucraniana dos E.U.A., as duas câmaras do Congresso aprovaram a constituição da Comissão de Inquérito dos E.U.A Sobre a Fome da Ucrânia, sob a direcção do professor da Universidade de Harvard James Mace. [263] [264] No seu relatório apresentado ao Congresso em 1988, a comissão reconheceu como provado o carácter genocidário da fome de 1932-1933 [265].

Por outro lado, graças aos esforços da mais importante organização da diáspora - o Congresso Mundial dos Ucranianos Livres - foi criada, em 14 de Fevereiro de 1988, a Comissão Internacional de Inquérito Sobre a Fome de 1932-33 na Ucrânia. [266] [267] [268] Esta comissão, presidida pelo professor da Universidade de Estocolmo, Jacob Sundberg, [269] era formada por sete juristas de diferentes países: Reino Unido, Canadá, França, E.U.A., Suécia, Bélgica e Argentina [270].

No relatório final, apresentado em 1990 ao subsecretário da O.N.U. para os Direitos Humanos e ao Presidente da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, a Comissão anunciou as seguintes conclusões:

  • existiu uma fome artificial na Ucrânia entre Agosto - Setembro de 1932 e Julho de 1933;
  • a fome foi imposta ao povo ucraniano pelo regime soviético, tendo causado um mínimo de 4,5 milhões de mortes na Ucrânia, além de 3 milhões de vítimas noutras regiões da U.R.S.S. [271] [272]

Depois do trabalho pioneiro de Robert Conquest [273] The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivization and the Terror-Famine (1986) [274] e da revolução arquivística e historiográfica de 1991, os meios académicos passaram a dedicar uma crescente atenção a este acontecimento.

Durante os anos noventa, em resultado da acumulação de novos conhecimentos [275] aprofundou-se o debate sobre a natureza da fome. Esse debate [276] [277] [278] [279] [280] - muitas vezes influenciado por divergências de carácter ideológico [281] - foi protagonizado por diferentes interpretações:

direita|thumb|300px|Mapa dos países que reconheceram o Holodomor.


No entanto, as comemorações dos 70 anos do Holodomor, em 2003, constituíram um ponto de viragem, em especial, com a realização de uma grande conferência internacional, em Vicenza (Itália). [305] [306] [307]

Deste encontro científico [308] [309], patrocinado pelo Presidente da República Carlo Ciampi, resultou uma declaração - subscrita por 28 personalidades académicas da Itália, Alemanha, Ucrânia, Polónia, Canadá e E.U.A. [310] - apelando ao Parlamento italiano, bem como a Silvio Berlusconi, que exercia a presidência rotativa da União Europeia, e a Romano Prodi, Presidente da Comissão Europeia, no sentido de promoverem o reconhecimento internacional do Holodomor como um acto de genocídio [311] [312].

Em Paris, na Universidade da Sorbonne, também se realizou uma conferência [313] [314] sobre o tema, com a participação de historiadores de diversos países [315]. Nessa ocasião, foi apresentado um apelo, dirigido à Assembleia Nacional francesa e ao Parlamento Europeu, para o reconhecimento da fome de 1932-1933 na Ucrânia, enquanto acto de genocídio [316].

Em Kiev, na sequência do encontro académico internacional intitulado "É Tempo de Dizer a Verdade", em que estiveram presentes especialistas deste período histórico, bem como deputados, representantes dos meios diplomáticos e da comunicação social, foi igualmente aprovada uma resolução, apelando ao reconhecimento internacional do genocídio [317].

Em 16 de Dezembro de 2003, o Director-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, condenou o regime estalinista pela sua responsabilidade no Holodomor.
Em 16 de Dezembro de 2003, o Director-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, condenou o regime estalinista pela sua responsabilidade no Holodomor. [318]

[editar] A Ucrânia e o Holodomor

Durante mais de 50 anos a diáspora ucraniana procurou divulgar os factos relativos ao Holodomor, deparando com a indiferença da maioria da opinião pública mundial e com a oposição sistemátiva da União Soviética.

Só depois da desagregação da U.R.S.S. e da recuperação da independência nacional em 1991, é que se tornou possível invocar publicamente o genocídio.

Em 1998, foi instituído no quarto sábado do mês de Novembro, o "Dia da Memória das Vítimas da Fome e das Repressões Políticas" e em 2006, o Parlamento da Ucrânia aprovou uma lei sobre o carácter genocidário do Holodomor.

[editar] O Holodomor e a comunidade internacional

A comunidade internacional tem, de forma gradual, vindo a assumir posições favoráveis ao reconhecimento do Holodomor como genocídio, ou mais genericamente, como um crime contra a Humanidade.

No âmbito das organizações internacionais, destacam-se as resoluções aprovadas pela Assembleia Báltica [319] [320]; Assembleia-Geral das Nações Unidas [321] [322]; Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa [323] [324] [325] [326]; OSCE [327] [328] [329] [330], Parlamento Europeu [331] e UNESCO. [332] [333] [334]

Merece igualmente destaque o reconhecimento expresso pelos parlamentos, chefes de Governo e chefes de Estado dos seguintes países:

O Presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, prestou homenagem às vítimas do Holodomor, em 21 de Novembro de 2007.
O Presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, prestou homenagem às vítimas do Holodomor, em 21 de Novembro de 2007. [343]

[editar] O impacto cultural do Holodomor

Ver artigo principal: Impacto cultural do Holodomor

Ao longo de muitas décadas, a abordagem cultural do Holodomor esteve severamente condicionada pela censura imposta pelo regime soviético, com a natural excepção das comunidades de exilados implantadas no estrangeiro, nomeadamente nos E.U.A. e no Canadá.

Com a independência da Ucrânia, em 1991, a situação sofreu uma profunda mudança, permitindo a artistas e escritores a possibilidade de o invocar nas suas criações [391] [392] [393].

[editar] Uma excepção genocidária?

Monumento às vítimas da ocupação soviética da Polónia.
Monumento às vítimas da ocupação soviética da Polónia.

Os meios académicos [394] [395] [396] [397] e políticos [398] [399] [400] [401] [402] [403] têm dedicado igualmente a sua atenção a outros crimes praticados pelo regime estalinista, que evidenciam características genocidárias. A título de exemplo:

  • a eliminação de 200.000 prisioneiros húngaros, nos campos de concentração soviéticos, em 1944-1948 [423].

[editar] Referências

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  2. War Criminality: A Blank Spot in the Collective Memory of the Ukrainian Diaspora, John - Paul Himka, Spaces of Identity 5.1 (2005), pp. 9-24, (acedido a Janeiro 11, 2007)
  3. Holocaust by hunger: The truth behind Stalin's Great Famine, Simon Sebag Montefiore, Daily Mail, July 26, 2008, (acedido a Setembro 8, 2008)
  4. Soviet "Paradise" Revisited: Genocide, Dissent, Memory and Denial, By Dr. Eric J. Schmaltz, Germans from Russia Heritage Society, (acedido a Outubro 20, 2007)
  5. Comment penser le génocide à l’aube du XXIe siècle?, Bernard Bruneteau, Chaire Lyonnaise des Droits de l’Homme, Conférence 25 janvier 2007, Collège universitaire Henry Dunant/Université d'été des droits de l'homme, (acedido a Setembro 26, 2007)
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  8. Il Crimine di Genocidio e la sua Repressione ad Opera dei Tribunali Penali Internazionali, Fabiano Martinelli, Tesi di laurea in Diritto Internazionale, Università degli Studi di Pisa. Facoltà di Scienze Politiche, (acedido a Fevereiro 28, 2007)
  9. Les génocides dans l’histoire: compléments documentaires, Manière de voir - Les génocides dans l’histoire, Le Monde Diplomatique, Août 2004, (acedido a Fevereiro 24, 2007)
  10. Famine Crimes in International Law, David Marcus, The American Journal of International Law, Vol. 97, pp. 245-281, (acedido a Dezembro 19, 2006)
  11. "Miron Dolot, Raphaël Lemkin -Lectures croisées", Jean-Louis Panné Paris, Colloque organisé pour le 70e anniversaire du Holodomor à la Sorbonne, 21 Novembre 2003, (acedido a Dezembro 14, 2006)
  12. Roman Serbyn, " The Ukrainian Famine of 1932-1933 as Genocide in the Light of the UN Convention of 1948", The Ukrainian Quarterly, Vol. LXII, N.º 2, Summer 2006, pp. 181-204
  13. Hologramas de Holocaustos, Nuno Rogeiro, Expresso Online, (acedido a Dezembro 31, 2006)
  14. Was the Ukrainian Famine Really a Genocide? by Dominique Arel, Chair of Ukrainian Studies, University of Ottawa, Op/Ed, Kyiv Post, 7 December 2006, (acedido a Fevereiro 15, 2007)
  15. Penser l`Impensable: «Massacres» et «génocides», Jacques Sémelin, Le Monde Diplomatique, (acedido a Fevereiro 15, 2007)
  16. Convention on the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide, Approved and proposed for signature and ratification or accession by General Assembly resolution 260 A (III) of 9 December 1948 - entry into force 12 January 1951, in accordance with article XIII, Office of the High Commissioner for Human Rights, Geneva, Switzerland, (acedido a Fevereiro 27, 2007)
  17. Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio, Prevent Genocide International (acedido a Outubro 9, 2006)
  18. Le droit international confronté aux crimes contre l’humanité et génocides. L’émergence d’une exigence interculturelle, Christoph Eberhard e Sara Liwerant, (acedido a Fevereiro 24, 2007)
  19. Opinion: Legal classification of Holodomor 1932-1933 in Ukraine and in Kuban as a crime against humanity and genocide, Yevhen Zakharov, Kharkiv Human Rights Protection Group, September 13, 2008, (acedido a Setembro 19, 2008)
  20. "Manière de voir - Les génocides dans l’histoire", n.º 76 / Août - Septembre 2004, Le Monde Diplomatique, (acedido a Fevereiro 15, 2007)
  21. The Ukrainian Man-Made Famine of 1932-33, Kennan Institute, November 13, 2003, (acedido a Dezembro 24, 2006)
  22. Symposium in 70th anniversary of the Great Famine in Ukraine in 1932-1933, Dezembro 14, 2003, European Ph.D. College of Polish and Ukrainian Universities, (acedido a Dezembro 24, 2006)
  23. Intellectual Europe on Ukrainian Genocide, The Great Famine-Genocide in Soviet Ukraine (Holodomor) Outubro 21, 2003
  24. Ucraina. Storia di un genocidio, La Fondazione Liberal (acedido a Outubro 9, 2006), Ucraina, storia di un genocidio, Fondazione Liberal, (acedido a Outubro 10, 2006)
  25. Vernichtung durch Hunger, Osteuropa: Vernichtung durch Hunger. Der Holodomor in der Ukraine und der UdSSR, 54. Jahrgang/Heft, Dezembro 12, 2004. ISBN 3830508832
  26. Stalin, le Carestie Sovietiche e il Holodomor Ucraino, Fondazione Istituto Gramsci, (acedido a Outubro 9, 2006)
  27. Colloque, à l’occasion du 70e anniversaire de la Famine-Génocide de 1932-33 en Ukraine, France-Ukraine.com, Novembro 17, 2003
  28. The Soviet 1931-33 Famines and the Ukrainian Holodomor: Is A New Interpretation Possible, What Would Its Consequences Be?, Andrea Graziosi, Conference on Soviet Totalitarianism in Ukraine: History and Legacy, Setembro 2 - 6, 2005, Kiev, Ucrânia
  29. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques de 1931-1933 et le Holodomor Ukrainien.", Cahiers du monde russe et soviétique, 46/3, p. 457
  30. Nicolas Werth, "La grande famine ukrainienne de 1932-1933" in Nicolas Werth, La terreur et le désarroi: Staline et son système, Paris, 2007, p. 132. ISBN 2262024626
  31. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit. p. 457
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  33. Exhibition: Holodomor – The Great Man-Made Famine in Ukraine 1932-33 is unveiled at United Nations in NYC, November 12, 2003, BRAMA News and Community Press, (acedido a Janeiro 20, 2007)
  34. 73rd Commemoration of the 1932-33 Holodomor in Australia, Portugal, Russia, Serbia, Spain, Ukrainian World Congress, (acedido a Dezembro 1, 2006)
  35. "Australia and the Holodomor: 50 Years of Remembrance", Michael Lawriwsky, The Great Famine of 1932-33 - A Symposium, 22 October, 2003, National Europe Centre at the Australian National University and the Australian Federation of Ukrainian Organisations, Ukrainian Youth Association of Australia, (acedido a Janeiro 6, 2007)
  36. 2003 Commemorations for 'HOLODOMOR' Famine-Genocide in Ukraine 1932-33, March from East Village to St. Patrick's Cathedral on 5th Avenue - Photos by V.Lopukh and H.Krill, Brama.Com., (acedido a Dezembro 18, 2006)
  37. Ucrânia assinala Dia das Vítimas da Holodomor (Fome), darussia.blogspot.com, Novembro 25, 2006, (acedido a Dezembro 3, 2006)
  38. Nicolas Werth, "Archives du Communisme: Les paysans contre Staline. ", L'Histoire, 296, p.78
  39. Stéphane Courtois et al., O Livro Negro do Comunismo - Crimes, Terror e Repressão, Lisboa, 1998, pp. 173-186. ISBN 9725643585
  40. Ibidem, p.172
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  43. Stéphane Courtois et al., O Livro Negro..., op. cit., pp. 174-175
  44. Donald Rayfield, Stalin y Los Verdugos, Madrid, 2003, pp. 229-238. ISBN 9707700068
  45. Stéphane Courtois et al., O Livro Negro..., op. cit., p. 179
  46. Ibidem, pp. 179-184
  47. Stephen Wheatcroft e R.W Davies, The Years of Hunger: Soviet Agriculture, 1931-1933., p. 490
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  49. Michael Ellman, "Soviet Repression Statistics: Some Comments", Europe-Asia Studies, Vol. 54, No. 7, 2002, p. 1159
  50. Nicolas Werth, L´Île aux Cannibales : 1933, Une Déportation-Abandon en Sibérie, Paris, 2006, pp. 161-169. ISBN 2262024340
  51. Ibid., " Le Pouvoir Soviétique...",art. cit., p. 18
  52. Stéphane Courtois et al., O Livro Negro..., op. cit., pp. 184-186
  53. Anne Applebaum, GULAG. Uma História, Porto, 2005, p. 89. ISBN 9722621785
  54. Nicolas Werth, " Le Pouvoir Soviétique...",art. cit., p. 7
  55. Lynne Viola, Peasant Rebels..., op. cit., pp. 132-180
  56. Nicolas Werth, "Archives du Communisme...", art. cit., p. 79
  57. Ibidem, p. 79
  58. Ibid.,"Archives du Communisme...", art. cit., p. 83
  59. Sheila Fitzpatrick, Stalin’s Peasants..., op. cit., pp. 62-68
  60. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., p. 460
  61. Robert Conquest, The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivization and the Terror-Famine, Oxford, 1987, pp. 189-198. ISBN 0195051807
  62. Niccolo Pianciola, " Famine in the Steppe. The Collectivization of agriculture and the Kazak herdsmen, 1928-34. " Cahiers du monde russe et soviétique , 1-2, pp. 137-192
  63. The Kazakh Catastrophe and Stalin’s Order of Priorities, 1929-1933: Evidence from the Soviet Secret Archives, Simon Ertz, Stanford’s Student Journal of Russian, East European, and Eurasian Studies, Volume 1, Spring 2005, (acedido a Janeiro 25, 2007)
  64. Isabelle Ohayon, La sedentarisation des Kazakhs dans l'URSS de Staline. Collectivisation et changement social, 1928-1945. Paris, 2006, pp. 227-276. ISBN 2706818964
  65. Kazakhstan: The Forgotten Famine, By Bruce Pannier, Radio Free Europe/Radio Liberty, December 28, 2007, (acedido a Janeiro 28, 2008)
  66. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., pp. 460-461
  67. Sheila Fitzpatrick, Stalin's Peasants..., op. cit., pp. 128-151
  68. Nicolas Werth, " Comment Staline a affamé l`Ukraine ", L´Histoire, 188, p.78
  69. Stephen Wheatcroft e R. W. Davies, The Years of Hunger..., op. cit., pp. 51, 53, 61-63, 66, 68, 70, 73-76, 109, 119-123, 131, 231, 239, 260, 269, 271n, 400, 439, 458-459
  70. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p. 461
  71. The first man-made famine in Soviet Ukraine 1921-1923, by Dr. Roman Serbyn, The Ukrainian Weekly, November 6, 1988, No. 45, Vol. LVI, (acedido a Dezembro 19, 2006)
  72. Alexander Yakovlev, Um Século de Violência na Rússia Soviética, Lisboa, 2004, pp.111-118. ISBN 972568513X
  73. Hélène Carrère d`Encausse, Lenine, Lisboa, 1999, pp. 312-318. ISBN 9726703522
  74. Nicolas Werth, " Le Pouvoir Soviétique...", art. cit., p. 30
  75. Ibidem, p. 30
  76. Nicolas Werth, "La grande famine ukrainienne...", art. cit. , p. 121
  77. Ibid.," Comment Staline...", art. cit., p. 80
  78. Viktor Danilov et al., Tragediia sovetskoi derevni. , tomo 3, pp. 438-446
  79. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., p. 462
  80. Georges Sokoloff, 1933, l'année noire: Témoignages sur la famine en Ukraine., p. 38
  81. Nicolas Werth, " Comment Staline...", art. cit., p. 80
  82. Yurii Shapoval, " The Significance of Newly Discovered Archival Documents for Understanding the Causes and Consequences of the Famine-Genocide of 1932-1933 in Ukraine ", p. 4
  83. Stephen Wheatcroft e R.W Davies, The Years of Hunger..., op. cit., p. 198
  84. Nicolas Werth, " Comment Staline...", art. cit., p. 81
  85. Andrea Graziosi, " Les Famines Soviétiques...", art. cit., p.463
  86. E. A. Rees, "The Changing Nature of Centre–Local Relations in the USSR, 1928–36" in E. A. Rees, ed., Centre-Local Relations in the Stalinist State, 1928-1941, pp. 22-23. ISBN 140390118X
  87. Terry Martin, The Affirmative Action Empire: Nations and Nationalism in the Soviet Union, 1923-1939., pp. 273-308
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  90. Andrea Graziosi, " Les Famines Soviétiques...", art. cit., pp. 463-464
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  93. Nicolas Werth, " Le Pouvoir Soviétique...",art. cit., p. 31
  94. Andrea Graziosi, "Collectivisation, révoltes paysannes et politiques gouvernementales à travers les rapports du GPU d’Ukraine de février-mars 1930", Cahiers du monde russe, 35 (3), pp. 437-632
  95. Was the Ukrainian Famine of 1932-1933 Genocide?, Yaroslav Bilinsky, Journal of Genocide Research (1999), 1(2), pp. 147-156, Famine-Genocide in Ukraine 1932-1933, (acedido a Junho 18, 2007)
  96. Yurii Shapoval, "La Leadership política ucraina e il Cremlino nel 1932-33: i coautori della carestia." , in G. De Rosa, F.Lomastro, eds., La morte della terra. La grande "carestia" in Ucraina nel 1932-33., p. 108
  97. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p.465
  98. Professor Stanislav Kulchytsky: "Stalin sought to eliminate Ukraine as a national state", The Day, 28 November 2006, (acedido a Novembro 30, 2006)
  99. New Genocide/Famine documents available to public, 5tv - Ukraine Channel Five, 18 August 2006 (acedido a Novembro 23, 2006)
  100. SBU documents show that Moscow singled out Ukraine in famine, 5tv - Ukraine Channel Five, 22 November 2006 (acedido a Novembro 23, 2006)
  101. SBU Holodomor archive exhibit opens in Kyiv, 5tv - Ukraine Channel Five, 24 November 2006 (acedido a Novembro 27, 2006)
  102. La grande famine ukrainienne au grand jour, Libération, Novembro 24, 2006
  103. У приміщенні музею СБУ відбулася презентація електронної колекції документів ГПУ УСРР про голодомор 1932-33 років в Україні, Security Service of Ukraine site, Agosto 18, 2006, (acedido a Janeiro 10, 2007)
  104. In the merciless light of memory, By Ihor Siundiukov, The Day, 4 September, 2007, (acedido a Setembro 11, 2007)
  105. Ruslan Pyrih: "This book is the quintessence of what we know about the Holodomor", By Ihor Siundiukov, The Day, 4 September, 2007, (acedido a Setembro 26, 2007)
  106. Yurii Shapoval, "La Leadership...",art. cit. pp. 108-109
  107. Ibidem, p. 109
  108. Memorandum on Grain Problem, Addendum to the minutes of Politburo [meeting] No. 93. Resolution on blacklisting villages. 6 December 1932, Ukrainian Famine. Library of Congress, (acedido a 2 Dezembro, 2006)
  109. Yurii Shapoval, "The Significance...", art. cit., p. 8
  110. Ibidem, p. 9
  111. Terry Martin, The Affirmative...,op. cit., pp. 306-307
  112. Roman Serbyn, "La circulaire soviétique qui donnait l´ordre de l´extermination", Aventures et Dossiers Secrets de l`Histoire, n.º 35, pp. 84-87
  113. Ibidem, p. 87
  114. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p.465
  115. Yurii Shapoval , "La Leadership...", art.cit., pp. 109-112
  116. Moshe Lewin, La Formation du Système Soviétique, Paris, 1987, pp. 204-257. ISBN 2070707997
  117. Yurii Shapoval, "The Significance...", art. cit., p. 8
  118. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p. 467
  119. Nicolas Werth, "Comment Staline...", art. cit., p.83
  120. Viktor Kondrashin, "La Carestia del 1932-33 in Russia e in Ucraina: Analisi Comparativa" in G. De Rosa, F.Lomastro, eds., La morte della terra. La grande "carestia" in Ucraina nel 1932-33., p. 67
  121. Robert W. Davies, Mark B. Tauger, Stephen Wheatcroft, "Stalin, Grain Stocks, and the Famine of 1932-1933", Slavic Review, 1995/3, pp. 642-657
  122. Nicolas Werth, " Le Pouvoir Soviétique...",art. cit., p. 34
  123. Stephen Wheatcroft e R.W Davies, The Years of Hunger..., op. cit., p. 214
  124. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., pp. 464-465
  125. Ibidem, p. 465
  126. Nicolas Werth, " Le Pouvoir Soviétique...",art. cit., p. 39
  127. Ibid., " Comment Staline...", art. cit., p.84
  128. Oxana Pachlovska, "La Madre e l'Anticristo: Echi della Grande Fame in Letteratura." in G. De Rosa, F.Lomastro, eds., La morte della terra. La grande "carestia" in Ucraina nel 1932-33., p.352
  129. Robert W. Davies, Mark Harrison , Stephen Wheatcroft, eds., The Economic Transformation of the Soviet Union, p. 285
  130. Moshe Lewin, La Formation..., op. cit., p. 180
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  132. Ewa Rybalt, "La Carestia in Ucraina nel contesto della política polacca di normalizzazione dei rapporti polacco-ucraini." in G. De Rosa, F.Lomastro, eds., La morte della terra. La grande "carestia" in Ucraina nel 1932-33., p.210
  133. James E. Mace, "Is the Ukrainian Genocide a Myth?", in G. De Rosa, F. Lomastro, eds., La morte della terra. La grande "carestia" in Ucraina nel 1932-33., p. 411
  134. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p.465
  135. Gerhard Simon, "Was the Holodomor Directed at the Ukrainians?", pp. 2-3 (intervenção no International Council for Central and East European Studies, Berlim, 26 de Julho de 2005)
  136. "The Soviet Nationalities Policy In The 1930s Was It Fundamentally Incoherent?, Terry Martin, Paper presented at British Association of Slavonic and East European Studies (BASEES) Annual Conference, University of Cambridge, UK, 6 April 2002, (acedido a Janeiro 25, 2007)
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  138. Reclaiming the Motherland, By Volodymyr Shevchenko, The Day, June 10, 2008, (acedido a Junho 12, 2008)
  139. Terry Martin, The Affirmative..., op. cit., pp. 125-181
  140. Yurii Shapoval, "The Significance...", art. cit., pp. 12-13
  141. Stanislav Kulchytsky, "Holodomor-33: Porquê e Como?", Zerkalo Nedeli, Novembro 25 - Dezembro 1, 2006, disponível online em russo e em ucraniano
  142. The Ukrainian Famine of 1932-1933 as Genocide in the Light of the UN Convention of 1948, Roman Serbyn, The Ukrainian Quarterly, Vol. LXII, N.º 2, Summer 2006, Archives of Ukraine, (acedido a Janeiro 16, 2007)
  143. The Ukrainian Famine of 1932-1933 as Genocide in the Light of the UN Convention of 1948, Roman Serbyn, The Ukrainian Quarterly, Vol. LXII, N.º 2, Summer 2006, Archives of Ukraine, (acedido a Janeiro 16, 2007)
  144. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., p. 466
  145. Robert Conquest, The Harvest of Sorrow..., op. cit., pp. 270-271
  146. Yurii Shapoval, "La Leadership...",art. cit., pp. 112-115
  147. The Famine of 1932-1933 a genocide by other means, by Taras Hunczak, The Ukrainian Weekly, November 2, 2003, No. 44, Vol. LXXI, (acedido a Janeiro 18, 2007)
  148. Gerhard Simon, "Was the Holodomor...", art. cit., p. 6
  149. Robert Conquest, The Harvest of Sorrow..., op. cit., pp. 267-268
  150. "Le patriotisme soviétique (1934-53): La question nationale en URSS sous Staline", Sylvia Rault, Institut d'études politiques de Rennes, p. 26, 2000, (acedido a Fevereiro 20, 2007)
  151. Yurii Shapoval, "La Leadership...", art. cit., p. 132
  152. Oxana Pachlovska, "La Madre...", art. cit., p. 347
  153. Remembering Mykola Khvyliovyi, Prof. James Mace, The Day, 16 December 2003
  154. Leonid Pliushch - Ioho Taiemnytsia Abo "Prekrasna Lozha" Khvyliovoho, Canadian Institute of Ukrainian Studies (CIUS), (acedido a Janeiro 19, 2007)
  155. Yurii Shapoval, "La Leadership...", art. cit., p. 133
  156. Hiroaki Kuromiya, Freedom and Terror in the Donbas: A Ukrainian-Russian Borderland, 1870s-1990s , Cambridge, 2003, p. 172. ISBN 0521526086
  157. Beast Of The Ukraine (Andrei Chikatilo), Biography Channel, (acedido a Setembro 26, 2007)
  158. La faim, la mort, le cannibalisme..., Le Monde, Novembro 24, 2006
  159. Nicolas Werth " Comment Staline… ", art. cit., p.84
  160. Stalin’s gift to the Soviet electorate -70 years after the Great Terror, by Stanislav Kulchytsky, The Day, 17 April, 2007, (acedido a Abril 17, 2007)
  161. Bulletin n.°86: Les "Opérations de masse" de la "Grande terreur" en URSS (1937-1938), Nicolas Werth, Institut d’histoire du temps présent-IHTP, (acedido a Maio 18, 2007)
  162. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., pp. 467-468
  163. Orest Subtelny, Ukraine: A History, p. 415
  164. Soviet crimes remain unpunished, Taras Kuzio, Kyiv Post, October 3, 2002, (acedido a Dezembro 28, 2006)
  165. Were All Ukrainians Silent About The Famine?, By Fedir Shepel, Kirovohrad, The Day, Kyiv, Ukraine, Tuesday, February 18, 2003, The Great Famine-Genocide in Soviet Ukraine (Holodomor), (acedido a Janeiro 8, 2007)
  166. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p. 469
  167. Why isn’t the world recognizing the Holodomor as an act of genocide?, By Oleksandr Kramarenko, The Day, 24 October 2006, (acedido a Janeiro 8, 2007)
  168. Two faces of terror: A comparison between Ukraine’s 1932-33 Holodomor and the famine in the USSR in 1932-33, By Stanislav Kulchytsky, The Day, 16 October 2007, (acedido a Outubro 18, 2007)
  169. Mortalité et causes de décès en Ukraine au XXe siècle, France Meslé et Jacques Vallin, BiblioMonde, (acedido a Novembro 8, 2007)
  170. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...", art. cit., p. 461
  171. Ibidem, p. 461
  172. "James Mace’s concept of a post-genocidal society sets the agenda for the future" - Professor Andrea Graziosi, The Day, Novembro 8, 2005
  173. Images of Totalitarianism in Ukraine, Johan Ōman, Conference on Soviet Totalitarianism in Ukraine: History and Legacy, Setembro 2 - 6, 2005, Kiev, Ucrânia
  174. On Relevance and Irrelevance of Nationalism in Ukraine, By Yaroslav Hrytsak, Stasiuk Program for the Study of Contemporary Ukraine, University of Alberta, February 20, 2004, (acedido a Fevereiro 27, 2007)
  175. L’Holodomor: Pierre d’Achoppement de la Nouvelle Identité Ukrainienne, Olha Zazulya-Ostriitchouk, Université Laval - Québec, Mai 2007, (acedido a Janeiro 17, 2008)
  176. Les Politiques Commémoratives de l’État Ukrainien: Pour Une Hypothétique Réconciliation de Deux Mémoires Conflictuelles?, Olha Zazulya-Ostriitchouk, Université Laval - Québec, Septembre 2006, (acedido a Janeiro 17, 2008)
  177. Nicolas Werth " Le Pouvoir Soviétique...", art. cit., pp. 33-34
  178. Andrea Graziosi, " Les Famines Soviétiques...", art. cit., p. 461
  179. Wolodymyr Kosyk, " La famine génocide de 1932-1933 en Ukraine ", Aventures et Dossiers Secrets de l`Histoire, n.º 35, pp. 49-51
  180. Georges Sokoloff, 1933..., op. cit., pp. 45-46
  181. Valeriy Soldatenko, "O faminto 1933: análises subjectivas de um processo objectivo", Zerkalo Nedeli, Junho 28 - Julho 4, 2003. Disponível online em russo e em ucraniano
  182. How Many Perished in the Famine and Why Does It Matter?, By John-Paul Himka, UNIAN, Fevereiro 5,2008, (acedido a Fevereiro 5, 2008)
  183. The genocide of Ukrainians in figures, By Prof. Volodymyr Panchenko, Ph. D., pro-rector, Kyiv Mohyla Academy National University, 21 October, 2003, The Day, (acedido a Fevereiro 3, 2007)
  184. Stephen Wheatcroft, R.W Davies, The Years of Hunger... op. cit., p. 415
  185. Regional Breakdown of Registered Excess Mortality in USSR in 1932-1933, Ibidem, p. 415
  186. The Years of Hunger, University of Warwick - Department of Economics, 25 February 2004, (acedido a Janeiro 25, 2007)
  187. Stanislav Kulchytsky, "Quantos morreram no Holodomor em 1933?", Zerkalo Nedeli, 23-29 de Novembro de 2002. Disponível online em russo e em ucraniano; Ibid., "As causas da fome de 1933 na Ucrânia. Através das páginas de um dos livros mais esquecidos" Zerkalo Nedeli, 16-22 de Agosto de 2003. Disponível online em russo e em ucraniano; Ibid., "As causas da fome de 1933 na Ucrânia-2", Zerkalo Nedeli, 4-10 de Outubro de 2003. Disponível online em russo e em ucraniano; Ibid., "Perdas Demográficas na Ucrânia no século vinte", Zerkalo Nedeli, 2-8 de Outubro de 2004. Disponível online em russo e em ucraniano
  188. "Was the 1933 Holodomor an act of genocide?" By Stanislav Kulchytsky, The Day, Outubro 3, 2006
  189. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., p. 461
  190. Stephen Wheatcroft e R. W. Davies, The Years of Hunger..., op. cit., p. 401
  191. La famine-génocide dans les correspondances et mémoires diplomatiques de l`époque - Mykola Cuzin, Ukraine 33, Julho 1, 2004, (acedido a Dezembro 20, 2006)
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  194. Foreigners May Not Visit the Provinces Without Permit - Famine is Denied, The Great Famine-Genocide in Soviet Ukraine, 1932-1933 (Holodomor),(acedido a Dezembro 9, 2006)
  195. Scholars from U.S., Canada and Ukraine examine Ukrainian Famine-Genocide of 1932-1933, by Dr. Orest Popovych, The Ukrainian Weekly, May 4, 2003, No. 18, Vol. LXXI, (acedido a Dezembro 28, 2006)
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  198. Hubert Laszkiewicz, "La famine en Ukraine des années 1932-33 et l`historiographie polonaise." in G. De Rosa, F.Lomastro, eds., La morte della terra. La grande "carestia" in Ucraina nel 1932-33., p.420
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  236. Marxist Writers: Victor Serge 1890-1947, Marxists’ Internet Archive, (acedido a Janeiro 6, 2007)
  237. Resenha: O itinerário de Victor Serge - "O Perigo em nós", Eder Sader, Revista Teoria e Debate, Fundação Perseu Abramo, Março 29, 1988, (acedido a Janeiro 6, 2007)
  238. Memoirs of a Revolutionary By Victor Serge, University of Iowa Press, (acedido a Janeiro 6, 2007)
  239. Andrea Graziosi, "Les Famines Soviétiques...",art. cit., p. 453
  240. Turning the pages back... October 16, 1907, The Ukrainian Weekly, October 19, 1997, No. 42, Vol. LXV, (acedido a Janeiro 6, 2007)
  241. General Petro Grigorenko Foundation, (acedido a Janeiro 6, 2007)
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  244. The Ninth Circle by Olexa Woropay, Sabre Foundation, Inc., (acedido a Janeiro 25, 2007)
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[editar] Notas

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