Ilha de Santa Maria

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Localização da Ilha de Santa Maria.
Localização da Ilha de Santa Maria.

A ilha de Santa Maria situa-se no extremo sudeste do arquipélago dos Açores, fazendo parte do seu Grupo Oriental. Tem uma superfície de 97,4 km² e uma população residente (gentílico: marienses) de 5 578 habitantes (2001), distribuída pelas cinco freguesias que compõem o concelho de Vila do Porto, o único da ilha.

Terá sido a primeira ilha dos Açores a ser avistada, por volta de 1427, pelo navegador português Diogo de Silves. Cristóvão Colombo escalou na ilha no regresso da sua primeira viagem à América (fevereiro de 1493).

O principal pilar de sustentação da economia da ilha é a actividade aeronáutica, com o Aeroporto de Santa Maria e o Centro de Controlo Aéreo do Atlântico, o qual administra a FIR Oceânica de Santa Maria, uma das maiores e mais importantes regiões de informação de voo do Mundo.

Índice

[editar] Geografia

Panorâmica da formação geológica (disjunção prismática) da Ribeira dos Maloés.
Panorâmica da formação geológica (disjunção prismática) da Ribeira dos Maloés.
Detalhe da formação geológica (almofadas e disjunções prismáticas de basalto) na ponta do Castelo.
Detalhe da formação geológica (almofadas e disjunções prismáticas de basalto) na ponta do Castelo.
Detalhe da disjunção prismática na ponta do Castelo).
Detalhe da disjunção prismática na ponta do Castelo).
Aspecto do barreiro da Faneca.
Aspecto do barreiro da Faneca.
Ilhéu de São Lourenço.
Ilhéu de São Lourenço.

Localizada no extremo sudeste do arquipélago dos Açores, a cerca de 100 km ao sul da ilha de São Miguel e a cerca de 600 km da ilha das Flores, Santa Maria é a ilha mais antiga do arquipélago, com formações que ultrapassam os 8,12 milhões de anos de idade[1], sendo por isso a de vulcanismo mais remoto. Esta idade comparativamente avançada confere maturidade ao relevo e explica a presença de extensas formações de origem sedimentar onde se podem encontrar fósseis marinhos. Entre os quais dois recentemente encontrados que pertencem às jazidas Plistocénicas, com cerca de 117-130 mil anos, e foram encontrados nas jazidas da Prainha e Lagoinhas. Um terceiro registo que foi encontrado na Ponta do Castelo, numa jazida com cerca de 5 milhões de anos (final do Miocénico – início do Pliocénico), durante a expedição científica VI international Workshop “Palaeontology in atlantic islands”, que decorreu naquela ilha entre 19 e 28 de Junho de 2009.

É também a única dos Açores que não apresenta actividade vulcânica recente, embora esteja sujeita a sismicidade relativamente elevada dada a sua proximidade ao troço final da Falha Glória (zona de fractura Açores-Gibraltar).

Com apenas 97,4 km² de área emersa, forma grosseiramente oval, com um comprimento máximo no sentido noroeste-sudeste de 16,8 km, a ilha está dividida em duas regiões com aspecto geomorfológico nitidamente contrastante:

  • Uma extensa região aplanada e baixa, ocupando os dois terços ocidentais da ilha, com uma altitude máxima de 277 metros acima do nível do mar nos Piquinhos, com solos argilosos. A baixa altitude não permite a intercepção da humidade atmosférica, gerando um clima seco, que dá a esta região da ilha um carácter distintamente mediterrânico, em forte contraste com o resto do arquipélago. No extremo sudoeste desta zona aplainada situa-se a vila de Vila do Porto, a maior povoação da ilha (com cerca de 65% da população residente) e as freguesias de São Pedro e de Almagreira. O aeroporto de Santa Maria ocupa toda a faixa litoral oeste da ilha, aproveitando a paisagem naturalmente plana do local e a ausência de obstáculos nas suas zonas de aproximação. Na costa sudoeste, na foz das duas ribeiras que ali confluem, encontra-se uma profunda enseada onde se localiza o porto da Vila do Porto. Uma larga baía a norte, abriga o porto dos Anjos, o povoado mais antigo da ilha, e o local de desembarque de Cristóvão Colombo.
  • O terço oriental da ilha é constituído por terras altas, muito acidentadas e esculpidas pela erosão. Nesta zona situa-se o ponto mais elevado da ilha, o Pico Alto, com 590 metros de altitude, e os picos das Cavacas (491 m) e Caldeira (481 m). A intercepção da humidade dos ventos leva à formação de nuvens orográficas em torno do pico, propiciando abundante precipitação oculta e dando à área condições para a existência de uma vegetação rica e de alguma agricultura. Nesta região situam-se as freguesias de Santa Bárbara e de Santo Espírito, as mais rurais e mais agrícolas da ilha.

A geologia da ilha caracteriza-se pela presença de um substrato basáltico deformado por fracturas que seguem uma orientação preferencial NW-SW, no qual está intercalada uma densa rede filoniana com a mesma orientação. Intercalados nos basaltos encontram-se algumas formações de carácter traquibasáltico. Sobre estes materiais encontram-se extensos depósitos fossilíferos, incrustados em depósitos calcários de origem marinha, formado num período de transgressão em que o oceano se encontraria a cerca de 40 metros acima do actual nível médio do mar. A presença destes depósitos, únicos nos Açores, originou na ilha uma indústria de extracção de calcário e fabrico de cal, que atingiu o seu auge no princípio do século XX, encontrando-se há muito extinta.

Os depósitos fossilíferos de Santa Maria despertaram grande interesse da comunidade científica, levando a numerosos estudos paleontológicos, desenvolvidos a partir do terceiro quartel do século XIX. Publicaram estudos sobre os fósseis da ilha, entre outros, Georg Hartung (1860)[2], Reiss (1862)[3], Bronn (1860), Mayer (1864), Friedlander (1929) e José Agostinho (1937). A importância científica dos depósitos fossilíferos levou à criação, pelo Decreto Legislativo Regional n.º 5/2005/A, de 13 de Maio, da Reserva Natural Regional do Figueiral e Prainha, incluindo o Monumento Natural da Pedreira do Campo, uma zona de particular interesse geológico.

A antiguidade da ilha e a fama que a existência de calcários lhe confere, levou às crenças, errôneas, de que a ilha não seria vulcânica, a de que nela não ocorreriam sismos. Esta última foi desmentida, por exemplo, pelos fortes sismos de Novembro de 1937 e de Maio de 1939, e pela recente crise sísmica de Março de 2007.

A região ocidental da ilha está recoberta por um solo argiloso de cor avermelhada, resultante da profunda alteração de piroclastos de idade pliocénica, formados quando o clima da ilha era muito mais quente e húmido do que o actual e o nível médio do mar se situaria cerca de 100 metros abaixo do actual[4]. Nas imediações de Vila do Porto, aparecem espessos depósitos de barro vermelho que deram origem a uma importante indústria de olaria, hoje quase desaparecida, e à exportação de bolas de barro para Vila Franca do Campo e Lagoa, constituindo assim a principal matéria prima da olaria tradicional micaelense.

A costa da ilha é em geral escarpada, atingindo os 340 metros de altura nas arribas do lugar da Rocha Alta. A ilha tem um conjunto de pontas muito pronunciadas (Ponta do Marvão, Ponta do Castelo e Ponta do Norte), demarcando algumas baías abrigadas onde aparecem praias de areias brancas (Baía de São Lourenço e Praia Formosa). Ao longo das costas de Santa Maria existem alguns ilhéus e rochedos de dimensão apreciável, com destaque para o ilhéu de São Lourenço, o ilhéu da Vila e o ilhéu das Lagoínhas.

O povoamento é disperso, com as casas espalhadas por toda a ilha, formando pequenos núcleos ao longo das zonas mais ricas em água da parte ocidental e anichadas nos vales da parte oriental. O maior povoado é Vila do Porto, à qual está ligado o complexo habitacional e cívico que nasceu em torno do aeroporto, restos da estrutura urbana da antiga base aérea americana dos tempos da Segunda Guerra Mundial. A habitação tradicional é em alvenaria de pedra, com rebocos pintados de branco, barras coloridas em torno das portas e janelas e grandes chaminés cilíndricas, fazendo lembrar as casas alentejanas e algarvias.

O relevo e a riqueza de contrastes entre a terra e o mar, a que se associa o equilíbrio arquitectónico dos povoados, conferem grande beleza à paisagem mariense.

O território da ilha constitui um único concelho, o de Vila do Porto, com uma população residente de 5 578 habitantes (2001), dividido em cinco freguesias:

Dada a sua baixa altitude, a ilha tem um clima oceânico menos acentuado do que as restantes ilhas açorianas, ameno e com grande insolação, aproximando-se das características do clima mediterrânico, com um Verão seco e quente, bem marcado, e um Inverno suave e pouco chuvoso. As temperaturas médias do ar oscilam entre os 14°C e os 22°C.

[editar] História

[editar] Antecedentes

As primeiras informações relativas ao arquipélago dos Açores remontam às viagens marítimas empreendidas pelos Europeus no século XIV, nomeadamente a partir de Portugal sob os reinados de D. Diniz (1279-1325) e seu sucessor, D. Afonso IV (1325-1357).

As actividades de Portugal no chamado "Mar Oceano" iniciaram-se ao tempo de D. Diniz, a partir da nomeação do Almirante-mor Nuno Fernandes Cogominho (1307), sucedido pela contratação do Genovês Manuel Pezagno (nome aportuguesado para Manuel Pessanha), a 1 de Fevereiro de 1317, para o cargo. Com efeito, os portulanos Genoveses conhecidos até essa data, não fornecem qualquer indicação sobre ilhas no Mar Oceano. A partir dela, entretanto, registram-se:

Esses indícios por si só, entretanto, não constituem elementos seguros para se afirmar se testemunham a visita (deliberada ou incidental) de navegantes a serviço de Portugal, ou se se trata tão somente de ilhas fantásticas (veja-se a esse respeito as lendas da Atlântida, das Sete Cidades, da ilha de São Brandão, das ilhas Afortunadas, da ilha do Brasil, da Antília, das Ilhas Azuis, da Terra dos Bacalhaus, por exemplo).

Outros autores pretendem que o conhecimento das ilhas dos Açores teve lugar quando do regresso das expedições às Canárias[5] realizadas cerca de 1340-1345, sob o reinado de D. Afonso IV (1325-1357). Data de 1345 o chamado "Libro del Conoscimiento", de autoria de um frade mendicante de Sevilha, que teria acompanhado essas expedições portuguesas, onde estão descritas diversas ilhas:

"(...) Llegamos a la primera isla que dizen gresa e apres della es la isla de lançarote (...) bezimarin (...) rachan (...) alegrança (...) uegimar (...) forte ventura (...) canária (...) tenerife (...) del infierno (...) gomera (...) de lo ferro (...) aragauia (...) saluage [Ilhas Selvagens, no arquipélado da Madeira] (...) la isla desierta [Ilhas Desertas, idem] (...) lectame [Madeira] (...) puerto santo [Porto Santo] (...) la isla del lobo [Ilha do Ovo, atual Santa Maria] (...) cabras [Ilha de São Miguel] (...) del brasil [Ilha Terceira] (...) la columbaria [Ilha do Pico] (...) de la ventura [Ilha do Faial] (...) de sant jorge [Ilha de São Jorge] e la otra de los cuevos marines [Ilha das Flores]." (apud: MONTEREY, 1981:28)

Após esta descrição, manter-se-ão os nomes das ilhas dos Açores nas cartas náuticas, por mais de um século:

A Carta-régia de 2 de Julho de 1439, passada por Pedro de Portugal, Duque de Coimbra, regente na menoridade de D. Afonso V, refere apenas sete ilhas nos Açores. Esse número foi aumentado para nove quando Pedro Vasquez de la Frontera e Diogo de Teive, em 1452, encontraram as ilhas das Flores e Corvo, então designadas como "Ilhas Floreiras".

De qualquer modo, não houve qualquer aproveitamento económico ou movimento migratório de povoamento das mesmas até à primeira metade do século XV.

[editar] A denominação e o povoamento da ilha

Monumento comemorativo do descobrimento da Ilha de Santa Maria (1432) em Vila do Porto.
Monumento comemorativo do descobrimento da Ilha de Santa Maria (1432) em Vila do Porto.

No Verão de 1431 Gonçalo Velho Cabral terá descoberto os ilhéus das Formigas e, no ano seguinte (1432) as ilhas de Santa Maria e de São Miguel[7], ocasião em que nelas introduziu gado miúdo[8]. O seu povoamento, entretanto, só foi iniciado quando, num arranjo ainda tipicamente medieval, as ilhas foram concedidas ao Infante D. Henrique, o seu primeiro donatário, "para que as povoasse" com colonos de sua Comenda (a Ordem de Cristo)[9]. Este, com o apoio da sua irmã, D. Isabel, nomeou Gonçalo Velho como seu Capitão do donatário, tendo este último se dirigido inicialmente a Santa Maria com colonos (1439)[10] e depois a São Miguel (1444).

Com relação ao descobrimento da ilha de Santa Maria, a tradição, sem qualquer base documental coeva, e numa tentativa de justificar o nome da ilha de acordo com o calendário católico em uso à época, data-o do dia de Santa Maria, a 15 de Agosto[11], actual data do feriado municipal da ilha.

Mais próximo da época da descoberta, o cronista Diogo Gomes de Sintra, em 1460, denomina a ilha simplesmente como Ilha de Gonçalo Velho ("De inventione insularum de Açores", no Manuscrito Valentim Fernandes)

Novas levas significativas de povoadores para a ilha registraram-se, ainda no século XV, entre 1443 e 1445 e no ano de 1474. É seguro que estes primeiros povoadores foram portugueses oriundos principalmente do Alentejo e do Algarve, e que se instalaram na costa norte da ilha, junto à baía dos Anjos, povoado que será, a par de Vila do Porto, dos mais antigos da ilha. A patronímica das famílias marienses, a arquitectura e a estrutura do povoamento, embora este ditado pela topografia, parecem confirmar esta tese. Também é seguro que Vila do Porto foi a primeira vila açoriana a receber Carta de Foral, o qual data de 1470, constituindo-se no primeiro município dos Açores.

No século XVI, Santa Maria já se dividia em três freguesias: Nossa Senhora da Assunção (Vila do Porto), Santa Bárbara e Santo Espírito, rendendo anualmente cerca de 2.500 cruzados, na forma de sizas, dízimos e vintenas.

[editar] Governadores e administradores da Ilha

A ilha constituía uma Donataria (uma Capitania, uma vez que o donatário delegava a sua administração a um capitão, o capitão do donatário) vitalícia e hereditária, regida pela Carta de Doação e por um Foral[12], onde eram estabelecidos os poderes do Donatário:

  • obrigação de doar sesmarias que, caso não fossem arroteadas ou cultivadas em cinco anos, revertiam para o donatário;
  • poder de coutar terrenos (para incentivar o povoamento);
  • exclusivo dos fornos de pão, moinhos e atafonas;
  • estanco do sal marinho
  • nomeação de magistrados
  • arrecadação de dízimos das rendas da capitania (o capitão auferia as redízimas dessas rendas)
  • alçada de até 15 mil réis na jurisdição cível e, no crime, podia açoitar pessoas e condenar até dez anos de degredo, sem agravo nem apelação.

O bom andamento do sistema era verificado pelos representantes do monarca, enviados a título de "alçada" ou "correição". O corregedor fazia-se acompanhar de meirinho, escrivão e porteiro. Entre estas, destacaram-se as efetuadas no século XVI, pelos corregedores Manuel de Macedo, Francisco Toscano, Manuel Álvares e Luís da Guarda.

Ao longo do tempo, os sesmeiros passaram a contratar colonos para trabalhar as terras, mediante o pagamento de parte dos rendimentos, a chamada "dimídia", resultando na prática no estabelecimento de um vínculo. A reunião de vários vínculos constituía um morgadio. Esse estado de coisas só seria revertido com as leis de desamortização: à época do Marquês de Pombal (1770), com a reforma de Mouzinho de Albuquerque (1832) e com a de Anselmo José Braamcamp (1863).

Na ilha existiu ainda a Comenda de Nossa Senhora da Assunção, com o respectivo hábito, instituída para recompensar alguns fidalgos da família dos Coutinhos (Marialvas):

Posteriormente, foram agraciados:

O comendador tinha o direito de receber, por intermédio de seus feitores, a pensão dos tabeliães, o dízimo dos produtos (pescarias, moendas e atafonas), e a vintena sobre o pastel e a urzela. Possuía ainda o senhorio sobre os ilhéus de São Lourenço e da Ribeira Seca. Em contrapartida, era seu o encargo de custear as congruas dos sacerdotes e todas as demais despesas para manter o culto religioso.

[editar] Piratas, corsários e razias

Monumento dos 500 anos da passagem de Cristóvão Colombo por Santa Maria (1493-1993).
Monumento dos 500 anos da passagem de Cristóvão Colombo por Santa Maria (1493-1993).

Como as demais ilhas do arquipélago, desde cedo Santa Maria foi vítima de repetidos ataques e razias perpetrados por corsários e piratas da Barbária. Já em 1480, de uma nau Castelhana, desembarcaram cerca de quarenta homens, armados de arcabuzes, no porto da Vila. Foram rechaçados por um grupo de moradores, sob o comando do Capitão do donatário, João Soares de Albergaria, com tiros de pedreiro, na altura do Calhau da Roupa, afirmando-se que João Soares foi capturado e levado a ferros para Castela[13].

Por essa razão Cristóvão Colombo foi recebido de maneira hostil pela população da baía dos Anjos, quando de regresso da viagem de descobrimento da América, em Fevereiro de 1493, registrando-se o aprisionamento de alguns de seus tripulantes e complexas negociações que conduziram à sua libertação[14].

Embora relativamente distante das rotas de navegação das naus das Índias, após uma tentativa de ataque por corsários Franceses em 1553[15], a ilha foi assaltada por Franceses (1576)[16], Ingleses (1589)[17] e Mouros (1616[18] e 1675)[19], em busca de suprimentos e de valores, e que causaram a destruição de igrejas e ermidas, levaram a que a ilha fosse cercada, a partir do século XVII, por um cordão de fortificações, do qual apenas subsistem o Forte de São Brás de Vila do Porto e as ruínas do Forte de São João Baptista da Praia Formosa. A realidade dessas razias, por fim, conduziu à constituição da Confraria dos Escravos da Cadainha, destinada a reunir fundos para remir os marienses escravizados pelos Muçulmanos. A Confraria subsiste em nossos dias e mantém várias actividades culturais.

[editar] A Dinastia Filipina

Quando da Crise de sucessão de 1580, que conduziu à instalação da Dinastia Filipina em Portugal, a ilha apoiou inicialmete D. António I de Portugal, o prior do Crato, na forma de dádivas e de auxílios. Entretanto, com a pressão de Filipe I Portugal sobre os Açores, tendo o próprio Capitão do Donatário reconhecido o novo domínio, D. António declinou desembarcar em Santa Maria[20].

Neste período, a ilha passou a depender do Governador-geral dos Açores.

Com a Restauração da Independência (1640), tendo a notícia chegado à ilha no início de 1641, a aclamação de João IV de Portugal foi celebrada com grandes festejos, em que foram gastos grossos cabedais pelo Capitão Brás de Sousa[21].

[editar] As Guerras Liberais

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), em 1831 quase toda a ilha tentou aclamar os direitos de Maria II de Portugal, embora se receasse a reação de Ponta Delgada, ainda em poder dos partidários de Miguel de Portugal. O Capitão-mor chegou a fretar um navio para ir buscar auxílio de armas e munições à ilha Terceira, mas nesse ínterim, São Miguel já havia aderido à rainha e tão logo chegou a notícia, o mesmo ocorreu em Vila do Porto.

No ano seguinte, daqui partiram muitos jovens para a expedição que desembarcou no Mindelo (Julho de 1832), tendo se destacado o alferes Floriano Ferreira, condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, e o graduado Francisco Baptista, tio materno do futuro presidente Teófilo Braga.

[editar] O século XX

Em 1901 a ilha recebeu a visita de Carlos I de Portugal e sua esposa, a rainha D. Amélia. Já em 1908 a sua Câmara Municipal foi a primeira no arquipélago a se pronunciar a favor da República. A ilha recebeu a visita do presidente, Marechal Carmona, em 1941.

[editar] O século XXI

Em 2005 foi instalada uma base da Agência Espacial Européia (ESA).

[editar] Economia

Antigo Quonset hut.
Antigo Quonset hut.
Antigo caça Fiat G.91 da FAP.
Antigo caça Fiat G.91 da FAP.

A economia da ilha seguiu os ciclos típicos da evolução da base produtiva açoriana, baseou-se na produção de trigo e pastel até ao século XVII, depois evoluindo lentamente para uma agricultura de subsistência assente numa produção cerealífera relativamente pobre, nalguns vinhedos anichados nas zonas mais abrigadas da ilha e, naquilo em que a ilha difere do resto dos Açores, numa importante produção de cal e de olaria, incluindo a exportação de barro para São Miguel e outras ilhas.

Periférica em relação ao arquipélago e em relação às rotas atlânticas da volta do largo, a ilha esteve excluída das rotas comerciais, dedicando-se quase exclusivamente à agricultura, a qual apenas deixou de ser o principal sustentáculo da economia mariense com a chegada dos norte-americanos na fase final da Segunda Guerra Mundial e com a construção por aqueles do Aeroporto de Santa Maria.

Com a construção do aeroporto internacional em 1944, o qual assumiu um papel central nas ligações aéreas através do Atlântico, a economia da ilha ficou dependente, quase em absoluto, das actividades a ele ligadas, primeiro à sua construção, para a qual se deslocaram algumas centenas de trabalhadores da vizinha ilha de São Miguel e de outras ilhas dos Açores, e de pois da prestação de serviços ao seu funcionamento e ao centro de controlo do tráfego aéreo no nordeste do Atlântico nordeste, que entretanto se instalou na ilha.

O aeroporto, operado como uma base aérea logística dos EUA até ao final da Segunda Guerra Mundial foi aberto, em 1946 à aviação civil internacional passando então para a soberania portuguesa. Serviu de pista de escala técnica de voos intercontinentais e é sede do centro de operações de controlo de tráfego aéreo na FIR Oceânica de Santa Maria. O aeroporto foi, durante muitas décadas, a única porta de saída por via aérea dos Açores, papel que deixou de desempenhar a partir da década de 1980, com o aparecimento de diversos aeroportos internacionais no arquipélago.

Com a evolução tecnológica que se verificou na aviação civil, permitindo à generalidade das aeronaves cruzar o Atlântico sem escalas, o aeroporto de Santa Maria foi perdendo importância. Outro factor contributivo para este declínio é a oferta, noutras ilhas, de alternativas aeroportuárias melhor equipadas e com melhor logística.

A recente decisão da ESA, Agência Espacial Europeia, de instalar uma estação de rastreio móvel de satélites na ilha veio reacender o debate sobre o futuro da ilha , hoje dependente quase exclusivamente das actividades aeronáuticas.

Ao contrário da generalidade das outras ilhas, a criação de gado e a produção de lacticínios nunca chegou a dominar a economia local. Ainda assim, a agropecuária constitui a base da economia rural do concelho, onde a área agrícola ocupa 47,6% do território. A actividade é praticada em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, os prados e as pastagens permanentes. A ilha apresenta uma baixa densidade florestal, com apenas 19 hectares de área florestada de produção, salientando-se as plantações de criptoméria nas faldas do Pico Alto. As extensas zonas de matas são dominadas pelo incenso, zimbros e loureiros.

Quanto ao sector secundário, é de referir a existência de algumas serrações de madeiras, fabrico de blocos e de telha artesanal.

No sector terciário, essencialmente dedicado ao turismo, as principais actividades e atracções turísticas consistem na prática de desportos náuticos, nomeadamente windsurf, vela, esqui aquático, surf, pesca desportiva e mergulho. Também é possível fazer praia, passeios e caça ao coelho. Existe ainda uma estância de veraneio com alguma expressão na baía de São Lourenço.

A pesca também é factor importante na vida da ilha, embora claramente secundário em relação à actividade aeronáutica, ao turismo e à agropecuária.

[editar] Cultura, tradições e turismo

Como nas demais ilhas açorianas, uma das actividades culturais mais marcantes são as celebrações do Divino Espírito Santo, que remontam ao início do povoamento e ao papel de destaque que a Ordem de Cristo e os Franciscanos tiveram na vida religiosa do arquipélago. As festiviades incluem a coroação de uma ou mais crianças, em que o "Imperador" usa um ceptro e uma coroa de prata, símbolos do Espírito Santo, culminando com uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa, o domingo de Pentecostes. Na ocasião são realizados os "Impérios" em honra do Espírito Santo, quando são distribuídas gratuitamente as chamadas "sopas", cozinhadas segundo as antigas tradições.

Para além desta festa, celebrada em todas as freguesias, decorre em Vila do Porto a celebração do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

A 15 de Agosto ocorrem as festividades em homenagem à padroeira, Nossa Senhora da Assunção.

Ainda no mês de Agosto, no último fim-de-semana, há um quarto de século realiza-se, na praia Formosa, o festival de música Maré de Agosto, um dos mais concorridos do arquipélago, e que conta com atrações internacionais.

No Verão, a praia Formosa e praia de São Lourenço são as mais concorridas não apenas pelos banhistas como também para a prática de desportos náuticos.

A temporada encerra-se com a festa da Confraria dos Escravos da Cadainha, nos Anjos, no início de Setembro.

A nível de artesanato destacam-se a confecção de louça e de outras peças de olaria em barro vermelho (cuja tradição atualmente se procura recuperar), as camisolas de feitas manualmente, as mantas de retalhos coloridas e os panos de linho, os chapéus de palha, os cestos de vime e vários objectos em madeira e ferro. Além de diversas cooperativas de artesãos, a ilha conta com um museu para expor o aspecto histórico e cultural desta produção: o Museu de Santa Maria, localizado na freguesia de Santo Espírito.

A ilha conta com várias unidades hoteleiras, de turismo de habitação e de turismo rural. Os circuitos pedonais e miradouros da ilha encontram-se bem sinalizados, permitindo ao visitante usufruir tanto das paisagens naturais quanto das informações sobre o meio-ambiente das áreas protegidas na ilha.

A gastronomia da ilha é rica, destacando-se o caldo de nabos, o bolo na panela, a caçoila, o molho de fígado, a sopa e a caldeirada de peixe. Entre os mariscos citam-se o cavaco, as lapas e as cracas. No campo da doçaria, citam-se os biscoitos encanelados, os de orelha, os brancos, os de aguardente e as cavacas. Entre as bebidas, o vinho de cheiro, o vinho abafado, o abafadinho, os licores de amora, de leite e a aguardente, são típicos.

Para os adeptos da pesca e da caça submarina, as águas da ilha oferecem sargos, vejas, pargos, garoupas, bodiões, cavalas, anchovas, bicudas e serras.

A inauguração da Marina de Vila do Porto aumentou o potencial turístico, nacional e internacional, da ilha.

[editar] Lendas tradicionais

As principais lendas da ilha, tradicionalmente passadas de geração a geração, são:

  • A Ilha Encantada - sobre uma ilha que, de sete em sete anos, surgia no Poente, podendo-se ver as pessoas às janelas das casas e as suas roupas estendidas a secar.
  • A Cruz dos Anjos - ligada à construção da Ermida dos Anjos.
  • O Canavial dos Piratas - também ligada à Ermida dos Anjos: quando de um desembarque de piratas mouros, um canavial brotou miraculosamente, ocultando a ermida da vista da vista deles, que desse modo foi poupada.
  • O pirata Bei - ligada às incursões de piratas mouros à ilha, em busca de víveres, riquezas e escravos.
  • A Sereia da Praia - sobre um pescador que se apaixona por uma sereia na praia. Capturada, perde as guelras e os atributos de sereia por meio de um esconjuro feito pelo pescador, adquirindo a forma humana e sendo então por este desposada.
  • O Távora - sobre um indivíduo ligado à Casa dos Távoras, na ilha refugiado à perseguição do Marquês de Pombal, cujo esqueleto foi encontrado entaipado em um antigo solar em Vila do Porto.
  • O Ermitão - acerca de um indivíduo que teria vivido na furna de Santana, afamado por curar impingem e cobrelo com benzeduras e mezinhas.
  • O Tesouro - que justifica a mancha caliçada, que se avista no rochedo de Malbusca, como a porta de um grande tesouro ali escondido à época dos Castelhanos.
  • A furna do Santo Cristo - alusiva ao achamento de uma imagem do Santo Cristo, depois conduzida em procissão para a Igreja da Misericórdia.
  • Lenda da Donzela Encantada da ilha de Santa Maria
  • Lenda da Sereia da Praia

[editar] Património edificado

Farol de Gonçalo Velho na ponta do Castelo.
Farol de Gonçalo Velho na ponta do Castelo.
Convento de S. Francisco em Vila do Porto.
Convento de S. Francisco em Vila do Porto.
Monumento aos mortos da I Guerra Mundial no Forte de São Brás.
Monumento aos mortos da I Guerra Mundial no Forte de São Brás.

O património edificado da ilha é constituído por uma ampla varidade de exemplares, de vários tipos - públicos e particulares, civis, religiosos e militares -, protegidos e valorizados por sua importância histórico-cultural. Por ter sido a primeira ilha do arquipélago a ser povoada, é o local onde se encontram os mais antigos vestígios dessa ocupação, usufuindo adicionalmente da vantagem de, por não estar tão sujeita a sismos ou erupções vulcânicas, não registrou ao longo dos séculos perdas por essas causas. Entre os principais exemplares, relacionam-se:

[editar] Arquitetura civil

[editar] Arquitetura militar

[editar] Arquitetura religiosa

[editar] Património natural e ambiental

[editar] Notas

  1. França et al., Geologia dos Açores: Uma Perspectiva Actual. Ponta Delgada: Sociedade Afonso Chaves, 2005. p. 21.
  2. Hartung, Georg, Die Azoren in ihrer äusseren Erschreinung und nach ihrer geognostischen Natur geschildert, Engelman Verlag, Leipzig, 1860.
  3. Reiss, W., Mitteilungen über die Tertiären Schicten von Santa Maria, der südlischten der Azoren, und ihre organischen Einschlüsse, Neues Jahrgang Miner. Geogn. Geol. Petrefakt, 1-22, 1862.
  4. França et al., idem, pág. 35.
  5. As Canárias foram descobertas por navegadores portugueses anteriormente a Agosto de 1336, mês em que se iniciaram os preparativos portugueses para uma guerra com o reino de Castela, de acordo com carta de protesto endereçada por D. Afonso IV ao Papa Clemente VI (12 de Fevereiro de 1345), em virtude daquele pontífice ter garantido a posse delas a Castela.
  6. O original apresenta uma mancha de tinta sobre o nome do piloto e a data da descoberta, o que historiograficamente deu margem a diversas interpretações, quer do nome, quer da data, pelos seus diversos estudiosos: 2° visconde de Santarém, Ernesto do Canto, Gonçal de Reparaz i Ruiz, Aires de Sá, Júlio Mees e Damião Peres
  7. Gaspar Frutuoso assim descreveu o acontecimento: "Pelas informações e notícia que o Infante D. Henrique tinha destas ilhas dos Açores, tendo o dito Infante em sua casa um nobre e esforçado cavaleiro, chamado Frei Gonçalo Velho Cabral, comendador do Castelo de Almourol, que está sobre o rio Tejo, o mandou descobrir destas ilhas dos Açores a ilha de Santa Maria." (Saudades da Terra).
  8. Destacadamente ovelhas.
  9. Carta de D. Afonso V, datada de 2 de Julho de 1439, na Torre do Tombo.
  10. Quanto ao local do primeiro povoamento, Jaime de Figueiredo refere: "Na praia de Lobos, ao longo da ribeira do Capitão, ergueram-se algumas moradias, constituindo o mais antigo povoado, que se estendeu aos terrenos ainda hoje ocupados pelo lugarejo de Santana." (in: Rosas de Santa Maria). Entretanto, Frei Agostinho de Monte Alverne refere que esse primeiro desembarque de colonos se teria dado na ponta do Marvão, a pequena distância da atual Vila do Porto ("Crónicas da Província de São João Evangelista").
  11. Sobre este descobrimento e data, Gaspar Frutuoso referiu: "Vindo a estas Formigas, Frei Gonçalo Velho no novo descobrimento (...), não achando a Ilha fructuosa e fresca, senão estéreis e feios penedos, cuidando e suspeitando ele e a sua companhia que o Infante seu senhor se enganara, julgando aquela pobre penedia uma rica ilha, se tornaram desgostosos ao Algarve, donde partiram (...) e dando esta nova ao Infante D. Henrique, juntamente dizendo seu parecer, que não havia por este mar outras terras (...). Como na alta mente do Infante estava posta e entendida outra cousa (...) no ano seguinte [(1432)] tornou [o Infante] com rogos e com promessas (como alguns dizem) a mandar o mesmo Frei Gonçalo Velho a descobrir o que dantes não achara, dando-lhe por Regimento que passasse avante das Formigas. O qual Gonçalo Velho, tornando a fazer esta viagem (...) houve vista da ilha no dia da Assunção de Nossa Senhora, quinze dias d'Agosto (...)." (Saudades da Terra, livro III, p. 2-6). Ainda de acordo com o cronista, o desembarque ocorreu "... da banda Oeste, em uma curta praia de uma abra que se faz entre a ponta de terra, que se chama a praia dos Lobos e outra ponta que se chama o Cabrestante." (op. cit.).
  12. Ignora-se o paradeiro do Foral da Ilha, possívelmente perdido quando dos assaltos dos piratas ou perdido quando do incêndio do Convento de São Francisco. Do mesmo modo, desconhece-se o local do pelourinho da vila, geralmente uma coluna de pedra, erguida diante do edifício da Câmara Municipal e cadeia.
  13. FIGUEIREDO, 1990:67, 74.
  14. A passagem de Colombo por Santa Maria encontra-se registrada em seu Diário de Bordo, no período de 18 a 28 de Fevereiro de 1493.
  15. Nesse ano, uma esquadra Francesa de nove embarcações de guerra, com muita gente de abordagem a bordo, capturou nas águas de Santa Maria, na altura da ponta do Cabrestante, um pescador. Este conseguiu evadir-se na altura das águas da Ilha de São Jorge, alcançando terra. A notícia chegou tão rápidamente à Terceira, e a preparação da defesa foi tão célere, que a esquadra corsária desistiu do intento de invasão, rumando rumo à Bretanha (FIGUEIREDO, 1990:75)
  16. A esquadra era composta de três embarcações (um galeão, uma nau e uma zabra), de onde desembarcou uma força armada de arcabuzes. Após travarem diversos combates com os moradores, incendiaram a Vila do Porto. O Capitão do Donatário, Pedro Soares, para reforçar a defesa, solicitou ao cunhado, Rodrigo de Baeça, que pedisse socorro ao Capitão de São Miguel, D. Manuel da Câmara, que de imediato remeteu homens e armas sob o comando do Sargento-mor Simão do Quental. Assim reforçados, depois de mais alguns dias de escaramuças, saques e desteuições, feriu-se o combate de Santo Antão, após o qual os invasores reembarcaram, abandonando a ilha (FIGUEIREDO:1990:75).
  17. Os corsários, em duas embarcações, após intenso fogo de artilharia, desembarcaram no porto da Vila. Tão logo aproaram a terra, tentando a subida pela rocha da Conceição, foram acometidos pelo fogo dos defensores, sob o comando do Capitão do Donatário Brás Soares de Albergaria e seu ajudante André de Sousa, secundados pelo padre Manoel Corvelo, que com a imagem da Virgem nas mãos exortava à defesa. Narram as fontes que as perdas dos atacantes foram de tal ordem que a retirada se deu em completa desordem, com muitos feridos e afogados, deixando para trás barcaças, grande número de mosquetes e alabardas, além de uma trombeta, que serviu para alardear a vitória dos defensores (FIGUEIREDO, 1990:75-76).
  18. Em Julho de 1616, um navio e dois patachos transportando cerca de 500 muçulmanos, partiram da costa de Argel para atacar naus da Carreira da Índia. Sem sucesso, dirigiram-se à ilha de Santa Maria, fundeando no Sul e na Praia. O nome do seu capitão é referido como Tabaqua-raz, um renegado genovês, que, durante uma semana saqueou e incendiou os lugares costeiros, inclusive o Convento de São Francisco, fazendo grande número de prisioneiros, vendidos como escravos no Norte de África. Na ocasião, muita gente escondeu-se na furna de Santana à espera de socorro de São Miguel (FIGUEIREDO, 1990:76) tendo sido destruído o sistema de água da vila do Porto, conforme Provisão Régia de 1744, deferindo o pedido dos moradores para a construção de uma nova fonte: "Porque entrando os Mouros na dita vila [do Porto] havia mais de cem anos, destruíram as arcas e condutas por onde vinha a dita água de sorte que nunca mais entrou na dita vila."
  19. Este assalto é atribuído a descuido dos sentinelas. Os mouros desembarcaram a coberto da noite, no lugar dos Anjos, tendo saqueado a Ermida de Nossa Senhora dos Anjos, violado mulheres e feito onze cativos, entre mulheres e crianças (FIGUEIREDO, 1990:76)
  20. FIGUEIREDO, 1990:77. Ver ainda: RIBEIRO, José Rodrigues. Dicionário Corográfico dos Açores. Angra do Heroísmo (Açores): SREC/DRAC, 1979. 326p. tabelas. p. 268.
  21. FIGUEIREDO, 1990:77.

[editar] Bibliografia

  • FIGUEIREDO, Nélia Maria Coutinho. As Ilhas do Infante: a Ilha de Santa Maria. Terceira (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura/Direcção Regional da Educação, 1996. 60p. fotos. ISBN 972-836-00-0

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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