Infalibilidade papal

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Igreja Católica

Basílica de São Pedro no Vaticano.

Na teologia católica, a infalibilidade papal consiste no dogma que afirma que o Papa, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de ou moral (os costumes), ex cathedra [1], está sempre correcto. Isto porque a Igreja Católica acredita que, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro.

O uso da infalibilidade é restrito somente às questões e verdades relativas à fé e à moral (costumes), que são divinamente reveladas ou que estão em íntima conexão com a Revelação divina. Uma vez proclamadas e definidas solenemente, estas matérias de fé e de moral transformam-se em dogmas, ou seja, em verdades imutáveis e infalíveis que qualquer católico são obrigados a aderir, aceitar e acreditar de uma maneira irrevogável [2]. Logo, a consequência da infalibilidade é que a definição ex catedra dos Papas não pode ser revogada e é por si mesma irreformável.

As declarações de um Papa em ex cathedra não devem ser confundidas com ensinamentos que são falíveis, como uma bula. Até a atualidade, a ex cathedra foi utilizado uma única vez pelo Papa Pio XII, em 1950, para declarar o dogma da Assunção de Maria. O dogma da infalibilidade papal foi explicitado e clarificado na Constituição Dogmática Pastor Aeternus, sobre o primado e infalibilidade do Papa, promulgada pelo Concílio Vaticano I. A Constituição foi promulgada na Quarta Sessão do Concílio, em 18 de julho de 1870, pelo Papa Pio IX.

A parte dispositiva do documento tem o seguinte teor:

O Romano Pontífice, quando fala "ex cathedra", isto é, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou costumes que deve ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse a sua Igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isto, ditas definições do Romano Pontífice são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis.

Além do Papa, quando ele fala ex cathedra, goza também de infalibilidade o episcopado católico pleno, em união com o Papa, que é a cabeça do episcopado, mas só quando reunido em concílio ecuménico; ou quando, disperso em toda a Terra, o episcopado ensina e promove uma verdade de fé ou de costumes professada e sustentada já por toda a Igreja Católica.

A Igreja Católica acredita no dogma da infalibilidade papal porque ela, governada pelo Papa em união com os seus Bispos, professa que ela é o autêntico "sacramento de Jesus Cristo, a Verdade em pessoa e Aquele que veio trazer as verdades fun­da­mentais" à humanidade para a sua salvação [3]. A Igreja Católica acredita também que este dogma é o "efeito concreto" da "promessa de Cristo de preservar a sua Igreja na verdade" [4].

Índice

[editar] Defesa de Newman

No século XIX, o célebre cardeal Newman defendeu que a infalibilidade papal (ou "infalibilidade da Igreja") "é como uma medida adotada pela misericórdia do Criador para preservar a [verdadeira] religião no mundo e para refrear aquela liberdade de pensamento que, evidentemente, em si mesma, é um dos nossos maiores dons naturais, mas que urge salvar dos seus próprios excessos suicidas." [5]

[editar] Infalibilidade papal nas Sagradas Escrituras

[editar] Apoios

Os defensores deste dogma católico alegam que sua posição é historicamente rastreável nas Sagradas Escrituras, especificamente observando-se as seguintes passagens:

E a Simão deu o nome de "Pedro", "Cefas", ou "Rocha"
João 1:42 ou Marcos 3:16
E eu te declaro: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra, será desligado nos céus.
Mateus 16:18
Apascenta os meus cordeiros [6]
João 21:15-17'
E os nomes dos doze apóstolos são estes: o primeiro, que é chamado Simão Pedro... [7]
Mateus 10:2

Ludwig Ott recorda ainda as numerosas indicações nas Sagradas Escrituras a que Pedro foi dado um papel primordial no que diz respeito aos outros Apóstolos: Marcos 5:37; Mateus 17:1; Mateus 26:37; Lucas 5:3; Mateus 17:27; Lucas 22:32; Lucas 24:34; e 1 Coríntios 15:5.

[editar] Contrapontos

Em contraponto a este dogma, é observado no livro de Gálatas, uma censura do apóstolo Paulo de Tarso referente a posturas de Simão Pedro, reconhecido como primeiro Pontífice pela tradição Católica. Segundo consta na escritura, Paulo de Tarso acusou Simão Pedro, o primeiro Papa católico, de não saber lidar com os gentios convertidos.

Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, resisti-lhe francamente, porque era censurável. Também em Gálatas 2:14 Quando vi que o seu procedimento não era segundo a verdade do Evangelho, disse a Pedro, em presença de todos: Se tu, que és judeu, vives como os gentios, e não como os judeus, com que direito obrigas os pagãos convertidos a viver como os judeus?
Gálatas 2:11
Quando vi que o seu procedimento não era segundo a verdade do Evangelho, disse a Pedro, em presença de todos: Se tu, que és judeu, vives como os gentios, e não como os judeus, com que direito obrigas os pagãos convertidos a viver como os judeus?
Gálatas 2:14

Mas, censurar São Pedro não quer dizer negar a sua autoridade como Papa. Aliás, a infalibilidade papal só é válida quando o Papa fala ex cathedra em situações solenes especiais, onde estão em questão a clarificação definitiva de certas verdades relativas à fé e à moral.

[editar] Referências ou Notas

  1. Deliberar e definir ex cathedra significa que o Papa, com a sua suprema autoridade (primazia papal), tem que falar como o Pastor da Igreja Universal e também tem que ter a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para que seja acreditada por todos os fiéis. Neste caso, as encíclicas e a grande maioria dos documentos pontificais não são definições ex catedra, mas apenas orientações do Papa
  2. Catecismo da Igreja Católica (CIC), n. 88
  3. Verbete "Infalibilidade", da Enciclopédia Católica Popular
  4. GEORGE WEIGEL, A Verdade do Catolicismo; cap. 8, pág. 140
  5. CARDEAL NEWMAN, Apologia pro vita sua. Editorial Verbo. 1974, pág. 276
  6. Apascentar significa doutrinar e é um termo indicado três vezes
  7. Na enumeração, São Pedro está em primeiro lugar de entre os doze apóstolos

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas


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