Legado romano

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Os romanos assimilaram muitos aspectos da cultura dos povos vencidos, principalmente dos gregos. Dotados de notável senso prático, souberam reelaborar essas influências, nas quais introduziram inovações que levaram à formação de uma cultura original. Com isso, acabaram por legar às gerações futuras várias contribuições nas mais diversas áreas.

De seu idioma, o latim, derivaram diversas línguas modernas, como o português, o francês, o espanhol e o italiano. Sua criação mais original, entretanto, foi o Direito, que ainda hoje inspira muitos sistemas jurídicos.

Índice

[editar] Literatura e filosofia

Ver artigo principal: Literatura latina

Herdeira das formas literárias criadas pelos gregos, a sociedade romana foi um centro de difusão cultural, reunindo poetas, filósofos, juristas, teatrólogos e historiadores.

Um de seus mais notáveis escritores foi o poeta Virgílio, autor de Eneida, poema épico que narra a história de Enéias, herói proveniente da cidade de Tróia, que escapou da destruição da cidade na guerra contra os gregos, se refugiou na península Itálica, e seria o ancestral dos fundadores de Roma.

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Legado romano

Tremendas guerras e o varão lançado
De Tróia pela força do Destino,
Que, em fuga, a Itália veio (...).
E não menor a luta, suportada,
Depois por ele, até que conseguisse
No Lácio ter cidade levantada,
Cidade prometida, em cujo seio
Se gerou a imortal raça latina,
Da qual a estirpe albânica proveio,
E Roma excelsa que o provir domina! [1]

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Legado romano

Eneida de Virgílio

Além dele, destacou-se na poesia Horácio, poeta lírico que viveu no tempo de Augusto, cujas realizações enalteceu. Sua poesia está impregnada dos valores característicos do estoicismo e do epicurismo, correntes filosóficas de seus tempo. Escreveu Odes, Sátiras, Epístolas e outras obras, combinando virtuosismo métrico e sobriedade de expressão.

Na oratória e no pensamento político, Cícero foi o nome mais importante. Entre os historiadores distinguiram-se Tito Lívio e, principalmente, Públio Cornélio Tácito, cuja obra mais importante são os Anais, que tratam da história romana durante o período que se estende da morte de Augusto até o governo de Nero. Tácito foi um dos primeiros escritores não-cristãos a registrar a crucificação de Jesus Cristo.

No âmbito do pensamento filosófico, tornaram-se populares o epicurismo e o estoicismo. O estoicismo foi mais difundido e teve no filósofo Sêneca e no imperador Marco Aurélio seus principais adeptos.

[editar] Artes plásticas

Os tetrarcas, uma escultura porfíria, saqueada de um palácio Bizantino em 1204, tesouro de São Marcos, Veneza.
Os tetrarcas, uma escultura porfíria, saqueada de um palácio Bizantino em 1204, tesouro de São Marcos, Veneza.
Ver artigo principal: Arquitectura da Roma Antiga
Ver artigo principal: Escultura romana
Ruínas do Coliseu de Roma.
Ruínas do Coliseu de Roma.

Do mesmo modo em que outros campos do conhecimento, a grande fonte de inspiração e referência das artes romanas foi a Grécia. Mas, também como nas outras áreas, os romanos colocaram na pintura, na escultura e na arquitetura seu próprio temperamento e sua visão de mundo. Assim, a escultura romana procurava reproduzir de modo realista a fisionomia dos indivíduos retratados, sobretudo dos grandes personagens públicos.

Na arquitetura, a colunata e o frontão do templo grego foram conservados, mas os romanos imprimiram a esses elementos proporções grandiosas, que refletiam sua própria experiência imperialista. Ao mesmo tempo, introduziram novos elementos arquitetônicos, como o arco redondo e a cúpula. Com as novas técnicas, edificaram templos, casas de banho, anfiteatros, pontes, arcos de triunfo, aquedutos e monumentos, muitos dos quais sobrevivem até os dias de hoje.

[editar] O Direito romano

Ver artigo principal: Direito romano

A mais notável contribuição romana à cultura ocidental ocorreu no campo do Direito. De fato, os Códigos de Leis romanos permanecem até hoje entre os fundamentos do Direito contemporâneo.

Como quase tudo em Roma, as leis surgiram para dar uma solução prática aos problemas criados pelas lutas entre os grupos sociais e pelas guerras de conquista. Afinal, Roma dominava um vasto e variado mosaico de povos, unidos por vínculos econômicos, políticos e culturais. Criar normas jurídicas que permitissem a coexistência de tão diferentes costumes e tradições tornou-se uma necessidade.

O Direito romano desenvolveu-se gradualmente, tendo como ponto de partida a Lei das Doze Tábuas (450 a.C.). Posteriormente, aprimorou-se com as leis votadas pela assembléia e com os decretos do Senado e teve sua completa sistematização no período do Império. Compunha-se de três grandes ramos:

  • O jus civile (Direito civil), aplicável apenas aos cidadãos de Roma.
  • O jus gentium (Direito das gentes ou dos estrangeiros), conjunto de normas comuns ao povo romano e aos povos conquistados.

• O jus naturale (Direito natural), que representava o aspecto filosófico do Direito. Baseava-se na idéia de que o ser humano é, por natureza, portador de direitos que devem ser respeitados.

Com as invasões bárbaras, embora inicialmente as tribos continuassem a reconhecer suas leis nativas, elas foram fortemente influenciadas pelo Direito Romano e gradualmente o incorporaram também.

O Direito Romano, particularmente o Corpus Juris Civilis coletado por ordem de Justianiano I, é a base antiga no qual o Direito Civil moderno se apóia. Em contraste, a Common law (lei comum) é baseada na Lei germânica.

[editar] A religião

Ver artigo principal: Religião na Roma Antiga
Ver artigo principal: Mitologia romana
Estátua da deusa Ceres carregando uma fruta.
Estátua da deusa Ceres carregando uma fruta.

Durante quase toda a sua história, os romanos mantiveram a crença numa série de deuses. Era uma religião sem doutrinas ou dogmas. Entre ou deuses e os seres humanos estabelecia-se um único compromisso: aqueles davam proteção e estes retribuíam com oferendas.

A princípio, os deuses não tinham formas definidas. A partir do contrato com os gregos, contudo, eles passaram a ser identificados com as divindades do Olimpo e ganharam fisionomia e paixões humanas. Assim, o deus supremo da mitologia grega, Zeus, chamava-se Júpiter entre os romanos; Hermes, protetor do comércio na Grécia, tinha em Roma o nome Mercúrio; Áries, deus grego da guerra, era Marte para os romanos; Afrodite, deusa do amor na Grécia, em Roma era Vênus e assim por diante.

Além da influência grega, os romanos incorporaram outras de cultos orientais, como os de Ísis e Osíris, do Egito, e de Mitra, provavelmente da Pérsia. Todos esses deuses foram admitidos no Panteão romano – templo dedicado ao culto de diversas divindades.

[editar] A vitória do cristianismo

Ver artigo principal: Jesus Cristo
Ver artigo principal: Cristianismo

De acordo com as narrativas do Novo Testamento, Jesus teria nascido em Belém, no Reino da Judéia, província do Império Romano. Profetas hebreus haviam anunciado a vinda de um Messias (ou Cristo, em grego), que libertaria esse povo da dominação e imporia o mundo o Reino de Jeová.

Aos 30 anos, Jesus Cristo iniciou suas pregações, afirmando ser o Messias. Despertou com isso a desconfiança das autoridades locais e, também, romanas: o Grande Conselho dos hebreus desconfiava que ele fosse realmente o Messias e os romanos viam-no como uma ameaça ao poder da constituição. Jesus acabou preso, condenado e crucificado.

Após sua morte, os ensinamentos de Jesus passaram a ser divulgados por seus adeptos. Surgia assim o cristianismo. A nova crença se difundiu entre as camadas pobres da população. Como os cristãos se recusavam a reconhecer o caráter divino do imperador romano, foram duramente perseguidos pelo governo de Roma.

Por volta do ano 50, o cristianismo começou a ser divulgado em Roma pelos primeiros seguidores de Jesus Cristo. Aos poucos, disseminou-se por todos os grupos sociais e por todas as regiões do Império Romano, até se transformar na religião dominante. Em 391, tornou-se a religião oficial do Império.

[editar] A Igreja Católica

Ver artigo principal: Igreja Católica
Basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano
Basílica de São Pedro, Cidade do Vaticano

Ao mesmo tempo em que se difundia, a nova religião consolidava sua doutrina. Simultaneamente, estruturava-se como Igreja, palavra derivada do grego eclésia, o mesmo que assembléia. Denominou-se também Católica, que quer dizer universal. No princípio, havia muitas divergências sobre os dogmas que norteariam a crença dos fiéis.

O próprio imperador Constantino tomou a iniciativa de convocar uma reunião (concílio) com os representantes da Igreja para definir seus preceitos. Um passo decisivo foi dado pelo Concílio de Nicéia, reunido em 325. A partir desse momento, as opiniões divergentes foram consideradas heresias, passando a ser duramente combatidas.

[editar] Uma religião para os oprimidos

Os pobres, os oprimidos e os escravos foram, em particular, atraídos pela vida e pelo exemplo de Jesus Cristo. A nova fé ensinava que o valor das pessoas não dependia de seu nascimento ou oposição social.

As autoridades romanas sempre haviam sido tolerantes com as religiões dos outros povos. Mas o cristianismo apresentava características que pareciam suspeitas e ameaçadoras para o Império. Os cristãos faziam reuniões secretas, desprezavam a hierarquia social, rompiam radicalmente com a tradicional religião romana recusavam-se a prestar o serviço militar e negavam-se a cultuar os imperadores. Isso inquietava os responsáveis pela manutenção do Estado e das tradições de Roma. Com o imperador Nero, tiveram início as perseguições. Os cristãos passaram a ser detidos, queimados vivos ou usados para proporcionar diversão nas arenas dos anfiteatros, onde eram estraçalhados por leões.

A firmeza com que os seguidores de Cristo enfrentavam o sofrimento, porém, dava mais força aos que permaneciam fiéis, além de atrair novos adeptos.

A propagação do cristianismo se acentuou no século III, quando teve início o enfraquecimento do Estado romano, particularmente afetado pela crise do escravismo. Foi nesse contexto que o imperador Constantino assinou, em 313, o Edito de Milão, concedendo liberdade religiosa aos cristãos. Finalmente, em 391, o imperador Teodósio reconheceu o cristianismo como religião oficial do Império Romano e proibiu o culto aos antigos deuses romanos.

[editar] Cultura

Apresentação de gladiadores durante um banquete.
Apresentação de gladiadores durante um banquete.
Ver artigo principal: Cultura da Roma Antiga

[editar] O circo romano

A paixão pelas corridas do circo e pelas lutas de arena concorria com o aprendizado da eloqüência junto aos jovens de boa família. Em Roma e todas as cidades sob domínio romano os espetáculos constituíam o grande acontecimento, que, em terra grega, são os concursos atléticos: os grandes, os médios – aos quais concorrem todos os gregos e que propiciam também uma feira – e os pequenos. Havia também as lutas de gladiadores. Atletas, atores, cocheiros e gladiadores eram estrelas; o teatro ditava a moda: o povo cantava as canções de sucesso que ouvira em cena. "No espetáculo, o prazer torna-se uma paixão cujo excesso os sábios reprovam, como também o farão os cristãos: O teatro é lascívia, o circo é excitação e a arena, crueldade". [2]

[editar] Referências

  1. CARVALHO, Coelho de. A Eneida de Virgílio lida hoje. Lisboa: Livraria Ferreira, 1908.
  2. Adaptado de: VEYNE, Paul. História da vida privada. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

[editar] Ver também

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[editar] Ligações externas

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