Marcha da Família com Deus pela Liberdade
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A Marcha da Família com Deus pela Liberdade foi o nome comum de uma série de manifestações públicas organizadas por setores ultra-conservadores da sociedade brasileira em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, durante o qual o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da alta classe média, temerosos do alegado "perigo comunista" e favoráveis à deposição ilegal do presidente da República.
A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, a 19 de março, no dia de São José, padroeiro da família. Articulada pelo deputado Cunha Bueno juntamente com o padre irlandês Patrick Peyton, nascido no Condado de Mayo, Irlanda, em 9 de janeiro de 1909, fundador do Movimento da Cruzada do Rosário pela Família [1]e ex-capelão estadunidense, com o apoio do governador Ademar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor Mendes de Barros, organizada pela União Cívica Feminina e pela Campanha da Mulher pela Democracia, patrocinadas pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, o IPES.
Índice |
[editar] A mobilização
Os métodos utilizado pelo IPES para fazer que houvesse manifestações eram simples, primeiro foram convocadas as esposas de empresários, ensinadas sobre "como o comunismo seria prejudicial a elas e, principalmente seus filhos". Em seguida foram convocadas as esposas dos empregados das empresas participantes, sendo as mulheres ensinadas pelas esposas dos patrões em reuniões de senhoras com fins filantrópicos e religiosos.
Simultaneamente eram distribuídos panfletos entre a população, supostamente endereçados aos fazendeiros e agricultores, outros panfletos davam ênfase à palavras chave, como democracia, subversão, liberdade, o clero fazia publicar mensagens dirigidas ao Presidente.
A sociedade cristã foi mobilizada para a primeira Marcha da Família com Deus Pela Liberdade. Dela participaram quinhentas mil pessoas no dia 19 de Março de 1964.
A massa humana saiu da praça da República chegando à praça da Sé sendo rezada uma missa pela "salvação" da Democracia, pelo padre Patrick Peyton, no Brasil a convite da Igreja e, em especial, do Cardeal Jaime de Barros Câmara, da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Em 2 de abril de 1964 cerca de um milhão de pessoas participaram da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, no Estado da Guanabara.
[editar] O clero dividido
Por ser a maior comunidade católica das Américas, a maneira encontrada para fazer o povo se mobilizar no Brasil seria naturalmente pela religião, que foi usada pelos dois grupos, um se utilizando da fé, da tradição e da moral, outro da libertação, da solidariedade e da igualdade.
[editar] O temor ao golpe comunista
Alguns setores da sociedade conheciam a disputa ideológica que estava em trâmite no Brasil, entre comunistas e conservadores; muitos outros, participaram achando que a Marcha tinha somente um sentido religioso.
[editar] A publicidade e a religião
O slogan utilizado pelos publicitários do movimento da Cruzada do Rosário pela Família, criada pelo padre irlandês, foi: "A família que reza unida, permanece unida".
[editar] Bibliografia
- Marcha da Família com Deus Pela Liberdade
- Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (título: Revolução de 1964)
- Anos de Chumbo, Celso de Castro (Relume-Dumará)
- As Forças Armadas : Política e Ideologia no Brasil, Eliézer de Oliveira (Editora Vozes, 1976)
- O Papel dos Estados Unidos da América no Golpe de Estado de 31 de Março, Phyllis Parker (Editora Civilização Brasileira, 1977).
- 1964, Visto e Comentado pela Casa Branca, Marcos Sá Corrêa (L&PM)
