Miriam Makeba

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Miriam Makeba (Joanesburgo , 4 de Março de 1932 - Nápoles, 9 de Novembro de 2008) foi uma cantora sul-africana também conhecida como "Mama Afrika" e grande activista dos direitos humanos, lutando contra o apartheid na sua terra natal.

Miriam Makeba em 2006.
Miriam Makeba em 2006.

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[editar] Início de carreira

Makeba começou a carreira nos anos 50, participando em grupos vocais, cantando uma mistura de blues americano com ritmos tradicionais da África do Sul. No fim da década, apesar de ser uma grande vendedora de discos no país, recebia muito pouco pelas gravações e nada de direitos de autor, o que despertou nela a vontade de emigrar para os Estados Unidos, para poder viver profissionalmente como cantora.

O seu momento decisivo aconteceu em 1960, quando protagonizou o documentário anti-apartheid Come Back, Afrika, apresentado no Festival de Veneza daquele ano, com a cantora presente. A recepção que teve na Europa, e as condições que enfrentava na África do Sul, fizeram com que Miriam resolvesse não retornar ao país, o que fez com que o seu passaporte sul-africano fosse revogado.

Foi então para Londres, onde se encontraria com o cantor e actor norte-americano Harry Belafonte, que na época gozava do auge do sucesso e prestígio e seria o responsável pela entrada de Miriam no mercado americano. Através de Belafonte, também um grande activista dos direitos civis nos Estados Unidos, Miriam gravou vários discos de grande popularidade nos EUA e a sua música Pata Pata tornou-se um estrondoso sucesso mundial. Em 1966 os dois ganhariam o Prémio Grammy, na categoria música folk, pelo disco An Evening with Belafonte/Makeba[1].

[editar] O exílio

Em 1963, depois de um testemunho apaixonado sobre as condições dos negros na África do Sul perante o Comitê contra o Apartheid das Nações Unidas, Miriam teve os seus discos banidos do país pelo governo racista; o seu direito de regressar ao lar e a cidadania sul-africana foram-lhe retirados, tornando-se uma apátrida.

Os problemas nos Estados Unidos começaram em 1968, quando se casou com o ativista político Stokely Carmichael, um dos idealizadores do chamado Black Power e porta-voz dos Panteras Negras, fazendo com que os seus contratos de gravação e as suas tournées fossem canceladas. Com isso, o casal mudou-se para a Guiné, onde se tornaram amigos do presidente Ahmed Sékou Touré, chegando Miriam a servir de delegada da Guiné na ONU nos anos 80, onde recebeu da organização o Prêmio da Paz Dag Hammarskjöld. Separada de Carmichael em 1973, continuou a vender discos e a fazer espectáculos pela África, América do Sul e Europa.

A morte da sua filha única em 1985 levou-a a mudar-se para a Bélgica, onde se estabeleceu. Dois anos depois, voltaria triunfalmente ao mercado norte-americano, fazendo parte do disco de Paul Simon, Graceland, e da digressão que se seguiu a este.

[editar] O regresso à África do Sul

Miriam Makeba finalmente voltou à sua pátria em 1990, com o fim do apartheid no país e a revogação das suas leis, a pedido do Presidente Nelson Mandela, que a recebeu pessoalmente na chegada, e protagonizou no país dois filmes de sucesso sobre a época do apartheid e do levantamento do Soweto, ocorrido em 1976.

Foi graciada com a medalha de ouro da paz Otto Hahn, outorgada pela Associação da Alemanha nas Nações Unidas "por relevantes serviços pela paz e pelo entendimento mundial" em 2001. Miriam continuou a dar espectáculos em todo o mundo e anunciou uma turnée de despedida, de dezoito meses de duração.

Miriam Makeba morreu de ataque cardíaco no final de um concerto em Nápoles, no qual participaram vários artistas e que foi dedicado ao jornalista e escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra.

[editar] Vídeos

Miriam Makeba canta Pati Pata Pata

[editar] Discografia

[editar] Álbuns

  • Miriam Makeba (1960)
  • The World Of Miriam Makeba (1962)
  • Makeba (1963)
  • Makeba Sings (1965)
  • An Evening With Belafonte/Makeba (com Harry Belafonte) (1965)
  • The Click Song (1965)
  • All About Makeba (1966)
  • Malaisha (1966)
  • The Promise (1974)
  • Country Girl (1975)
  • Pata Pata (1977)
  • Sangoma (1988)
  • Welela (1989)
  • Eyes On Tomorrow (1991)
  • Sing Me A Song (1993)
  • A Promise (1994)
  • Live From Paris & Conakry (1998)
  • Homeland (2000)
  • Keep Me In Mind (2002)
  • Reflections (2004)

[editar] Compilações

  • Africa 1960-65 recordings (1991)
  • The Best Of Miriam Makeba & The Skylarks 1956-59 recordings (1998)
  • Mama Africa: The Very Best Of Miriam Makeba (2000)
  • The Guinea Years (2001)
  • The Definitive Collection (2002)
  • The Best Of The Early Years (2003)

[editar] Ligações externas

[editar] Referências

  1. A welcome palate-cleanser, and a reminder of her extraordinary versatility - BBC em 04 de Fevereiro de 2003 acessado em 19 de dezembro de 2007
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