Papa Pio XII
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| Pio XII 261º Papa |
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|---|---|
| Opus iustitiae pax | |
| Nome de nascimento: | Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli |
| Nascimento | Roma, Itália, 2 de Março de 1876 |
| Eleição | 2 de Março de 1939 |
| Entronização: | 12 de Março de 1939 |
| Fim do pontificado: |
9 de Outubro de 1958 |
| Predecessor: | Pio XI |
| Sucessor: | João XXIII |
| Listas dos papas: cronológica · alfabética | |
Papa Pio XII (em italiano: Pio XII, em latim: Pius PP. XII; nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli; Roma, 2 de Março de 1876 — 9 de Outubro de 1958) foi eleito Papa no dia 2 de março de 1939 até a data da sua morte. Foi o primeiro Papa Romano desde 1724.
Foi o único Papa do século XX a exercer o Magistério Extraordinário da Infalibilidade papal – invocado por Pio IX – quando definiu o dogma da Assunção de Maria em 1950 na sua encíclica Munificentissimus Deus. A sua ação durante a Segunda Guerra Mundial tem sido alvo de debate e polêmica. Foi o 3º Papa a nascer no dia 2 de Março, os outros 2 foram os Papas: Papa Adriano VI e Papa Leão XIII. Ao todo criou 57 Cardeais em dois Consistórios.
Índice |
[editar] Biografia
[editar] Início
thumb|left|150px|Pacelli no dia da sua ordenação presbiteral Paccelli, primogênito de família da nobreza italiana, era neto de Marcantonio Pacelli, que foi secretário do Interior sob o pontificado de Pio IX a partir de 1851 a 1870 e foi o fundador do jornal oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano, em 1861. Seu pai, Filippo Pacelli (1837-1916), é advogado da Rota Romana e depois advogado consistorial, mostra-se desfavorável à integração entre os Estados Papais e o Reino da Itália. Sua mãe, Virgínia Graziozi (1844-1920) vem de uma família distinguida pelos seus serviços prestados à Santa Sé. Finalmente, seu irmão, Francesco Pacelli, médico e advogado, doutor em direito canónico para a Santa Sé, será um dos negociadores dos acordos Latrão, em 1929.
Eugenio Pacelli foi educado no Liceu Visconti, uma instituição pública. Em 1894 começou a estudar teologia na Universidade Gregoriana, como pensionista do Colégio Capranica. A partir de 1895 a 1896, faz um ano de filosofia na Universidade La Sapienza de Roma. Em 1899, ingressa no Instituto Apollinare da Pontifícia Universidade Lateranense, onde obteve três licenças, uma de teologia e outro em utroque jure (em "dois direitos", isto é, direito civil e direito canônico). No seminário, por motivos de saúde é autorizado a pernoitar na casa dos pais. Iniciou os seus trabalhos apostólicos na igreja de Santa Maria Vallicella integrando um grupo de jovens. Foi ordenado sacerdote em 2 de abril de 1899 pelo bispo Monsenhor Francesco di Paola Cassetta, um amigo da família.
[editar] Carreira na Cúria
[[Ficheiro:MarrydelValpacelli.jpg|thumb|right|200px|Pacelli, o Cardeal Secretário de Estado Merry del Val e o Cardeal Nicola Canali com representantes sérvios por ocasião da assinatura da concordata, sob o quadro de Pio X, em 1914]]
Depois de dois anos como cura da Chiesa Nuova, onde fora sacristão, em 1901, [1] ingressou na Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, responsável pelas relações internacionais do Vaticano, por recomendação do cardeal Vincenzo Vannutelli. Pacelli assistiu o conclave de agosto de 1903, quando vê um Imperador, Francisco José I da Áustria, opor pela última vez um "veto" à eleição de um cardeal a papa, seria contra o Cardeal Rampolla.
Em 1904, foi nomeado pelo Cardeal Pietro Gasparri secretário da Comissão para a codificação do direito canônico, tornou-se também "Camareiro" de sua Santidade, sinal de confiança do papa. Publicou um estudo sobre "A Personalidade e territorialidade das leis, especialmente no direito canónico", em seguida, publicou um "Livro Branco" sobre "A separação entre Igreja e Estado na França". Pacelli declina do convite para lecionar em inúmeras cadeiras de Direito Canônico, bem como no "Apollinaire" e na Universidade Católica de Washington. Aceita, no entanto, ensinar na Pontifícia Academia Eclesiástica, sementeira da Cúria Romana. Em 1905, foi promovido a "prelado doméstico" de Sua Santidade. [1]
Foi escolhido pelo papa Leão XIII para apresentar as condolências em nome do Vaticano a Eduardo VII do Reino Unido pela morte da Rainha Vitória.[2] Em 1908 representou o Vaticano no Congresso Eucarístico Internacional em Londres[2] onde esteve com Winston Churchill.[3] Em 1911, representou a Santa Sé nas cerimônias de coroação de George V.[4] e foi nomeado Sub-secretário para Assuntos Eclesiásticos Extraordinários; em 1912, foi nomeado Secretário-Adjunto e então Secretário em 1 de fevereiro de 1914, sucedendo a Gasparri que fora nomeado Secretário de Estado.
É mantido neste posto durante todo pontificado de Bento XV, como secretário conclui a concordata com governo da Sérvia quatro dias antes (24 de junho de 1914) do assassinato do Arquiduque da Áustria Francisco Ferdinando em Sarajevo[5] em seguida assume a missão de promover a política papal durante a Primeira Guerra Mundial, em particular, ela visa dissuadir a Itália para ir à guerra.
Em 1915, viaja para Viena e trabalha em colaboração com Monsenhor Scapinelli di Leguigno, então núncio apostólico em Viena, para convencer o Imperador Francisco José a ser mais paciente nas suas relações com a Itália. Desta forma, a Itália, não faria guerra contra os Impérios Centrais (Áustria-Hungria e Alemanha).
[editar] Núncio Apostólico
200px|thumb|right|Cardeal Pacelli, núncio apostólico na Alemanha, numa cerimônia em Rüsselsheim, 1928 Foi nomeado Núncio Apostólico na Baviera pelo Papa Bento XV em 20 de abril de 1917, três dias depois é nomeado arcebispo in partibus de Sardes, a sua ordenação se dá na Capela Sistina, pessoalmente pelo próprio papa, no dia 13 de maio de 1917, data das aparições da Virgem de Fátima, em plena Primeira Guerra Mundial. Começa o trabalho no momento da recepção da nota de 1 de agosto de 1917, de Bento XV, trabalhará tendo a paz e o auxílio às vítimas do conflito como principal objetivo, mas só obtém resultados decepcionantes. Esforça-se por conhecer bem a Igreja Católica na Alemanha, visita as dioceses e frequenta os principais eventos católicos como o Katholikentag. Tomou ao seu serviço a alemã irmã Pasqualina, que se tornou a sua governanta até o final de sua vida.
Desde 1919, a Nunciatura na Baviera foi reconhecida como competente para toda a Alemanha. Em 23 de junho de 1920 é criada uma nunciatura na Alemanha (República de Weimar), Pacelli é então acreditado em Berlim ao mesmo tempo que recebe a Nunciatura da Prússia, tarefa que desempenhou até 1929. Nesta época toma conhecimento das discussões entre o Vaticano e a União Soviética - URSS. Em 1926, ordena bispo o jesuíta D'Herbigny, encarregado de constituir um clero na Rússia. As tentativas de negocição do Núncio em Berlim com emissários soviéticos, com a finalidade de garantir condições mínimas de sobrevivência para a Igreja na União Soviética, que tiveram início em 1924 e se prolongaram por mais de três anos resultaram em insucesso.
Para regularizar as relações da Santa Sé com outros Estados e defender as atividades católicas nestes países, exerce uma atividade diplomática intensa, assistiu e assinou várias concordatas com vários Estados: Letônia em 1922, Baviera em 1924, Polônia em 1925, Romênia em 1927, com a Prússia em 1929. Tais concordatas permitiam a Igreja Católica organizar grupos de jovens, fazer nomeações eclesiásticas, construir e manter escolas, hospitais e instituições de caridade, ou mesmo realizar serviços religiosos. Também asseguravam que o direito canónico seria reconhecido dentro de algumas áreas (por exemplo, decretos da Igreja na área de nulidade do casamento, etc.)[6]
[editar] Cardeal Secretário de Estado
Exerce a nunciatura na Alemanha até ser criado cardeal em 16 de Dezembro de 1929 por Pio XI, com o título de Cardeal "presbítero de São João e São Paulo". Em 7 de Fevereiro de 1930 é nomeado Secretário de Estado. Por nove anos foi fiel e principal colaborador de Pio XI, numa época marcada pelo totalitarismo: os fascistas, nazistas e os comunistas soviéticos foram condenados, respectivamente, nas encíclicas Non abbiamo bisogno, Mit Brennender Sorge (Com profunda preocupação) e Divini Redemptoris e pela encíclica Firmissimam constantiam criticou as sangrentas perseguições do laicismo massônico contra os católicos do México.
Juntamente com os Cardeais alemães Adolf Bertram, Michael von Faulhaber e Karl Joseph Schulte e os dois bispos alemães mais contrários ao regime, Clemens von Gallen e Konrad von Preysing e com a intervenção decidida do Cardeal Pacelli e dos seus auxiliares alemães Mons. Ludwig Kaas e dos jesuítas Robert Leiber e Augustin Bea chegou-se à encíclica Mit brennender Sorge que, ainda em 1937, condenou os erros do nazismo e sua ideologia racista e pagã. [7]
Em 1935 foi nomeado Cardeal Camerlengo. Promove, ainda, a celebração de concordatas com a Áustria (1933), Alemanha (1933), Iugoslávia (1935) e Portugal (Concordata entre a Santa Sé e Portugal, em 1940). Fez ainda visitas diplomáticas na Europa e América, incluindo uma longa visita aos Estados Unidos da América em 1936 onde se encontrou com Charles Coughlin e Franklin D. Roosevelt, que enviou interlocutores à Santa sé em dezembro de 1939 para restabelecer relações diplomáticas que haviam sido rompidas desde 1870 quando o papa havia perdido o poder temporal.[8] Os tratados de Latrão de 1929 foram concluídos antes de Pacelli se tornar Secretário de Estado.
Ainda em 1935, a 6 de dezembro, recebe o hábito dominicano, tornando-se membro da Ordem Terceira de São Domingos, em virtude da sua grande «grande admiração pela doutrina e santidade dos exímios doutores da Ordem, Tomás de Aquino e Alberto Magno, tomou para a sua vida dominicana o nome de ambos, querendo ficar-se chamando «Tomás-Alberto». [9].
[editar] Pontificado
[editar] O Conclave
Em 2 de março de 1939, quando já se podia antever a nova conflagração mundial, no dia de seu 63º aniversário, na terceira votação, Pacelli tornou-se o primeiro Secretário de Estado, desde Clemente IX em 1667, a ser eleito Papa; escolheu o nome de Pio XII, na continuidade do pontificado precedente, Pacelli foi ainda o primeiro Camerlengo desde Leão XIII em 1878, o primeiro membro da Cúria desde Gregório XVI (1831), e o primeiro romano desde Clemente X em 1670 a ser eleito papa.
[editar] O esforço pela paz
Nomeou seu Secretário de Estado o cardeal Maglione, antigo núncio em Paris. Evitar a guerra a todo custo foi a sua primeira preocupação. Pode-se dizer que Pio XII foi um dos principais protagonistas daqueles dias tão carregados de tragédia, porque procurou, com todas as suas forças, evitar a guerra. Tendo adquirido uma grande experiência diplomática, tem ciência de que o espera um dos mais agitados períodos da história. 200px|thumb|right|Pacelli, Núncio na Baviera, conversa com autoridades locais, 1922 Na sua primeira intervenção radiofônica com a mensagem Dum gravissimum, em 3 de março de 1939, manifesta preocupação pelo quanto se temia então: "Nestas ansiosas horas, enquanto muitas dificuldades parecem se opor à realização da verdadeira paz, que é a mais profunda aspiração de todos, levamos nossa suplica a Deus, uma oração especial por todos aqueles que têm a maior honra eo enorme peso de guiar o povo no caminho da prosperidade e do progresso civil."[10] Em maio envia, sem sucesso, aos governos do Reino Unido, França, Polônia, Alemanha e Itália uma proposta para resolver, mediante uma reunião conjunta, os problemas inerentes à comprometida estabilidade política.
Dirigiu por rádio um novo apelo à paz no mundo: Iminente é o perigo, mas ainda é tempo. Nada é perdido com a paz. Tudo pode ser com a guerra, era o seu brado naquela radiomensagem profética de 24 de agosto de 1939, a uma semana do início do conflito.[11]
Em 20 de outubro de 1939 publica a sua primeira encíclica: Summi Pontificatus, em que exprime a sua angústia pelo sofrimento que cai sobre os indivíduos, famílias e toda a sociedade. Diz que a "hora das trevas" caiu sobre a humanidade, convida a todos a orar "para que a tempestade se acalme e sejam banidos os espíritos de discórdia que levaram a tão sangrento conflito." Recorre com frequência ao meio radiofônico para promover as suas mensagens, o mais moderno de comunicação de massa na época, são perto de duzentas radiomensagens dirigidas ao mundo em várias línguas, além de seus escritos.
Na noite de Natal de 1942, condenou a perseguição judia na sua famosa alocução de Natal. Igualmente, em 1943 pronunciou um importante discurso aos cardeais, em que reafirmou a sua condenação da política alemã. Como Bispo de Roma entrou em pessoa, em julho e agosto de 1943, nos populosos bairros de São Lourenço e São Giovanni para trazer conforto para as vítimas dos bombardeamentos anglo-americanos. thumb|left|250px|Pacelli após audiência com o Kaiser Guilherme II em 1917
Quando, em 10 de Setembro de 1943 os nazistas invadiram Roma, o Papa abriu a Santa Sé aos refugiados, estimando-se que tenha concedido a cidadania do Vaticano a entre 800.000 e 1.500.000 de pessoas, e nos meses em que Roma se encontrava sob ocupação alemã, Pio XII instruiu o clero italiano sobre como salvar vidas usando de todos os meios possíveis.[[Ficheiro:Papa Pio XII Braga.png|130px||thumb|Estátua de Pio XII em Braga Portugal]]Cento e cinqüenta e cinco conventos e mosteiros em Roma deram asilo a aproximadamente cinco mil judeus. Pelo menos três mil encontraram refúgio na residência de verão do pontífice, em Castel Gandolfo. Sessenta judeus viveram por nove meses dentro da Universidade Gregoriana e muitos foram escondidos no subsolo do Pontifício Instituto Bíblico. Seguindo as instruções de Pio XII, muitos padres, monges, freiras, cardeais e bispos italianos empenharam-se para salvar milhares de vidas judias. O cardeal Boetto, de Gênova, salvou pelo menos oitocentas vidas. O bispo de Assis escondeu trezentos judeus por mais de dois anos. O bispo de Campagna e dois de seus parentes salvaram outros 961 em Fiume.
Hitler ameaçou raptar Pio XII. O general Karl Otto Wolff, das SS, recebeu ordem para ocupar o mais rapidamente possível o Vaticano, garantir a segurança dos arquivos e dos tesouros artísticos, e transferir o Papa, juntamente com a Cúria, para que não caíssem nas mãos dos Aliados e exercessem influência política. Nessa eventualidade, o papa disse à Cúria que a sua captura pelos nazis implicaria a sua resignação imediata, abrindo caminho à eleição de um sucessor.
Os prelados teriam de se refugiar num país seguro e neutro, provavelmente Portugal, onde iriam restabelecer a liderança da Igreja Católica Romana e eleger um novo Papa. [12]
Como conseqüência, e apesar do fato de Mussolini e dos fascistas terem cedido à exigência de Hitler de dar início às deportações também na Itália, muitos católicos italianos desobedeceram às ordens alemãs. É sabido que, enquanto cerca de 80% dos judeus europeus encontraram a morte durante a Segunda Guerra Mundial, 80% dos judeus italianos se salvaram.
Em 12 de março de 1944 profere a alocução Nella desolazione, dirigida aos "foragidos da guerra refugiados em Roma e aos habitantes da cidade reunidos na Praça de São Pedro" e em 2 de junho deste mesmo ano em outra alocução: È ormai passato, dirigida aos Cardeais repele mais uma vez a guerra. Em 29 de novembro de 1945 recebe no Vaticano oitenta delegados de campos de concentração alemães que foram pessoalmente manifestar o seu agradecimento pela "generosidade demonstrada pelo Santo Padre para com eles durante o terrível período do nazifacismo".[13]
[editar] Pós-guerra
Na sua Radiomensagem Ecco alfine de 9 de maio de 1945 Pio XII reafirma o que tanto já vinha repetindo, que "só a paz e a segurança imposta sob justiça podem garantir ao povo um ordenamento público conforme as exigências fundamentais da consciência humana e cristã".
Diante do crescimento do comunismo soviético denuncia a violência exercida contra os povos eslavos e croatas na alocução Nell’accogliere[14], de 5 de junho de 1945 e reage contra a perseguição religiosa é exercida nessas regiões. Na Mensagem Ecce ego declinabo de 24 de dezembro de 1954 denuncia os males da Guerra Fria e na Radiomensagem natalícia de 1955 Col cuore aperto rejeita mais uma vez de modo expresso a doutrina do comunismo afirmando-a contrária à doutrina cristã e ao direito natural.
[editar] As eleições italianas de 1948
Em fins de 1947, a Assembléia Constituinte italiana havia concluído o texto de um nova constituição que entraria em vigor em 1 de janeiro de 1948. Haviam sido convocadas eleições gerais para 18 de abril de 1948, comunistas e socialistas coligaram-se contra a Democracia Cristã liderada por De Gasperi. thumb|left|200|Pacelli e o Papa Pio XI por ocasião da inauguração da Rádio Vaticano, 1931. À vista do bloqueio de Berlim naquele ano, a guerra fria entre a Rússia e as democracias ocidentais e a perseguição religiosa por trás da "Cortina de Ferro" levaram Pio XII a declarar que "soara a hora capital da consciência cristã". Em suas palavras "toda a nação estava em plena transmutação dos tempos, que requeria por parte da Cabeça e dos membros da Cristandade, suma vigilância, incansável diligência e uma ação abnegada." [15]
Coerente com o magistério da Igreja que já condenava o marxismo como heresia desde antes[16] de Leão XIII e através da encíclica Rerum Novarum e de outros documentos pontifícios[17] [18]de seus sucessores, naquelas eleições prestou claro apoio a De Gasperi e à Democracia Cristã italiana que, afinal, saiu-se vitoriosa, e proibiu o clero católico de votar no PCI (Partito Communista D'Italia) o que, segundo seus críticos, seria mostra de seu viés conservador.
Na verdade Pio XII se empenhara naquela eleição e com ele toda a Igreja Católica para garantir a vitória da Democracia Cristã na Itália e evitar que sucedesse na nascente democracia italiana o que vinha ocorrendo então, na denominada Cortina de Ferro. Em várias oportunidades tratou do tema como na Carta Apostólica Dum maerenti animo - A Igreja perseguida na Europa do Leste (29 de junho de 1956) [19] e na Carta Apostólica "Sacro vergente anno" - Consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria (7 de julho de 1952) [20]
[editar] Beatificações e canonizações
No seu pontificado, Pio XII canonizou oito santos, incluindo o Papa Pio X, e beatificou cinco pessoas. Consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria em 1942.
[editar] Brasão e Lema
200px|thumb|Brasão pontifício de Pio XII
[editar] Post mortem
Após sua morte, na residência papal de Castelgandolfo, em 9 de outubro de 1958, não foram tomados os devidos cuidados no embalsamamento de seu corpo. Riccardo Galeazzi-Lisi, que havia conquistado a confiança do Papa Pio com relação à sua saúde, acabou por utilizar um método de embalsamamento absolutamente inadequado, que incluía a aromatização do corpo. Tanto que, durante o velório, o processo de decomposição do cadáver acelerou-se a olhos vistos (inclusive com o desprendimento dos restos do nariz), e alguns dos membros da Guarda Suíça tiveram que se revezar a cada quinze minutos; do contrário, poderiam desmaiar devido ao péssimo odor.[carece de fontes] Na noite de 12 de outubro, os restos de Pio XII foram removidos secretamente, para que o corpo santo do Papa finalmente recebesse um tratamento correto. E numa completa falta de consideração com o pontífice falecido, Galeazzi-Risi ainda tentou vender fotos da agonia e da morte do Papa Pio para a revista francesa Paris Match, que sensatamente recusou a proposta.[carece de fontes]
Evidentemente, o inusitado episódio causou enormes constrangimentos ao Vaticano, pelo que João XXIII tratou de expulsar Riccardo Galeazzi-Lisi, médico pessoal do Papa Pio e responsável pelo embalsamamento, tão logo venceu o conclave de 1958 e coroou-se sucessor de Pio XII.[carece de fontes]
[editar] Críticas, prós e contra
[[Ficheiro:Tumulo pio xii.jpg|300px||thumb|right|Túmulo de Pio XII na Basílica de São Pedro]]
Seu papel durante a Segunda Guerra Mundial, no entanto, para vários de seus críticos é controverso. Por outro lado o seu silêncio durante os primeiros anos da guerra foi reconhecido por muitos historiadores como útil para salvar inumeráveis vidas humanas.
Porém, apesar de ninguém considerar a Cúria Papal um exército, nem vê o papa como um general a quem se recorre para complicadas operações de salvamento e resgate,[parcial] mas sim acredita ser a Igreja Católica uma força ética e uma reserva moral do Ocidente, de quem espera-se que aja em favor das vítimas justo nesses momentos terríveis. E ela teria se omitido, segundo os seus críticos. Tampouco se tem notícia de manifestações públicas ostensivas no mesmo sentido seja da Cruz Vermelha Internacional, seja de organizações judaicas americanas que não agiram diferentemente.[21]
O que é geralmente aceito é que o Papa seguiu uma política neutra à semelhança do que o Papa Bento XV havia feito na Primeira Guerra Mundial. O principal argumento tinha duas razões: a condenação pública de Adolf Hitler e do nazismo trariam pouco ou nenhum benefício ao desenrolar da guerra, já que seria certamente censurada na Alemanha e desconhecida para os católicos alemães (embora já houvesse na década anterior à guerra declarações de que catolicismo e nazismo eram incompatíveis); segundo, isso poderia desencadear uma forte perseguição religiosa aos católicos alemães, cortando as rotas de fuga usadas por opositores do nazismo, judeus e ciganos.[21]
Robert M. W. Kempner, referindo-se à sua própria experiência durante o processo de Nuremberg, afirmou em uma carta à redação, depois de o "Commentary" ter publicado um trecho do livro de Guenter Lewy em 1964: "Qualquer movimento de propaganda da Igreja Católica contra o Reich hitlerista não só teria sido um 'suicídio voluntário' (...) mas teria também acelerado a execução capital de um maior número de judeus e sacerdotes".
Segundo o diplomata e historiador judeu E. Pinchas Lapide, que foi cônsul em Milão, na sua obra "Three Popes and Jews" (Londres, 1967), "Pio XII, a Santa Sé, os núncios do Vaticano e toda a Igreja Católica teriam salvado de 700.000 a 850.000 hebreus da morte certa, no regime nazista. "[21]
Em 23 de dezembro de 1940 no jornal "Time" Albert Einstein afirmava: Somente a Igreja ousou opor-se à campanha de Hitler de suprimir a verdade. Nunca tive um interesse especial pela Igreja antes, mas agora sinto um grande afeto e admiração porque somente a Igreja teve a coragem e a força constante de estar da parte da verdade intelectual e da liberdade moral.[22]
Por ocasião de sua morte o mundo prestou-lhe extraordinárias homenagens. Eisenhower, então presidente dos Estados Unidos declarou: "O mundo tornou-se mais pobre depois de sua morte". De sua parte a então ministra do Exterior de Israel e mais tarde primeira-ministra Golda Meir afirmou: "Nós choramos um grande servidor da paz." e, ainda, que na ocasião do "terrível martírio que se abateu sobre nosso povo, a voz do Papa se elevou em favor de suas vítimas." [21] Certo é que o Papa desenvolveu na sombra uma forte campanha de apoio aos judeus, e os seus críticos, todavia, não perdoam o fato de ter mantido silêncio, ao não falar publicamente contra o nazismo durante a guerra, por temer represálias nazistas contra os católicos e os judeus.
[editar] Processo de Beatificação
Em 1965 o Papa Paulo VI deu início à causa da sua beatificação anunciando o fato durante o Concílio Vaticano II. No dia 8 de maio de 2007, a Congregação para a Causa dos Santos, à unanimidade, reconheceu que Pio XII praticou as virtudes teologais e as virtudes humanas em grau de heroísmo, submetendo a Bento XVI a decisão de declará-lo Venerável, último estágio que antecede à declaração de beato. A Congregação revisou três mil páginas de documentos e testemunhos sobre a vida de Pio XII. Porém, em dezembro de 2007 o Papa Bento XVI determinou o estudo mais aprofundado de alguns documentos para o que criou uma comissão dentro da sua Secretaria de Estado [23] o que implica num retardamente na tramitação do processo. Em 2008, Bento XVI, celebrando na Basílica de São Pedro a memória do servo de Deus Pio XII, exortou a rezar "a fim de que continue felizmente a causa de beatificação". [7]
[editar] Concílio Vaticano II
Segundo o Papa Bento XVI, depois das Sagradas Escrituras, o Papa Pio XII é o autor ou fonte autorizada mais citada nos documentos do Concílio Vaticano II (1962-1965). Bento XVI considera que não é possível entender o Concílio Vaticano II sem levar em conta o magistério de Pio XII. (...) A herança do magistério de Pio XII foi recolhida pelo Concílio Vaticano II e proposta às gerações cristãs posteriores [24].
Nas intervenções orais e escritas se encontram mais de mil referências ao magistério de Pio XII e o seu nome aparece mencionado em mais de duzentas notas explicativas dos documentos do Concílio, estas notas com freqüência constituem autênticas partes integrantes dos textos conciliares; não só oferecem justificativas de apoio para o que afirma o texto, mas também oferecem uma chave de interpretação, disse o Papa Bento XVI no discurso que dirigiu aos participantes do congresso sobre "A herança do magistério de Pio XII e o Concílio Vaticano II", promovido pelas universidades pontifícias Gregoriana e Lateranense, no 50º aniversário da morte de Pio XII (2008) Cite error 4; Invalid <ref> tag; refs with no name must have content.
Como por exemplo, os conceitos e as ideias expressas na encíclica Mystici Corporis Christi, do Papa Pio XII, influenciaram fortemente a redacção da constituição dogmática Lumen Gentium, que trata da natureza e da constituição da Igreja. Este documento do Concílio Vaticano II usou e defendeu o conceito de Igreja expresso nesta encíclica (a Igreja como Corpo místico de Cristo), que era baseado na teologia de São Paulo.
[editar] Encíclicas e Documentos
thumb|right|180px|Assinatura de Pio XII Foi autor de 43 encíclicas e de muitos outros documentos, alocuções e mensagens papais. Dentre as suas mais representativas mensagens estão:
- Summi pontificatus: Programa do pontificado, 1939
- La Solennità della Pentecoste: No 50º aniversário da Rerum Novarum, 1941 (Radiomensagem)
- Mystici Corporis Christi: Encíclica sobre o Corpo Místico de Cristo, 1943
- Divino afflante Spiritu: Sobre os estudos bíblicos, no 50º aniversário da encíclica Providentissimus Deus, 1943
- Ecco alfine terminata: Radiomensagem sobre o fim da II Guerra Mundial na Europa, 1945
- Communium Interpretes Doloraum: Apelo à oração pela Paz, 1945
- Quemadmodum: Encíclica sobre a assistência a dar às crianças indigentes, 1946
- Fulgens Radiatur: Encíclica sobre São Bento, 1947
- Mediator Dei: Sagrada Liturgia, 1947
- Optatissima pax: Encíclica em que são pedidas orações públicas para obter a concórdia entre os povos, 1947
- Auspicia Quaedam: Oração pública pela paz mundial e o Problema da Palestina, 1948
- In Multiplicibus Curis: Oração pela paz na Palestina, 1948
- Decretum Contra Communismum: Decreto do Santo Ofício que excomunga os católicos que colabararem com o comunismo ou o socialismo, 1949
- Redemptoris Nostri Cruciatus: Sobre os Lugares Santos da Palestina, 1949
- Anni Sacri: Encíclica com a qual se pedem orações públicas para uma renovação cristã dos costumes e para a concórdia entre os povos, 1950
- Humani Generis: Sobre falsas opiniões ameaçando os fundamentos da Doutrina Católica, 1950
- Menti Nostrae: Exortação Apostólica sobre a santidade da vida sacerdotal, 1950
- Munificentissimus Deus: fixa o dogma da Assunção da Virgem Maria, em corpo e alma ao céu, 1950
- Sempiternus Rex: Encíclica sobre o XV centenário do Concílio Ecumênico de Calcedônia, 1951
- Ingruentium Malorum: Sobre a recitação do Santo Rosário, especialmente no mês de Outubro, 1951
- Doctor Mellifuus: Encíclica sobre o VIII centenário da morte de São Bernardo de Claraval, 1953
- Fulgens Corona: Proclama o Ano Mariano na Comemoração do Centenário da Definição do Dogma da Imaculada Conceição, 1953
- Sacra virginitas: Encíclica sobre a sagrada virgindade, 1954
- Ecclesiae fastos: Encíclica no XII centenário da morte de São Bonifácio, bispo e mártir, 1954
- Ad Caeli Reginam: Encíclica sobre a Realeza da Virgem Maria, 1954
- Musicae sacrae disciplina: Encíclica sobre a música sacra, 1955
- Haurietis aquas: sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus, 1956
- Datis Nuperrime: Lamenta os acontecimentos na Hungria, e condena o uso da força, 1956
- Le Pèlerinage de Lourdes: Encíclica sobre o centenário das aparições da Virgem Maria em Lourdes, 1957
- Miranda Prorsus: Sobre o Cinema, Rádio e Televisão, 1957
- Ad Apostolorum Principis: Sobre as dificuldades da Igreja Católica na República Popular da China, 1958
- Meminisse iuvat: Pela paz no mundo e liberdade da Igreja, 1958
[editar] Referências
- ↑ 1,0 1,1 Marchione, 2000, p. 193.
- ↑ 2,0 2,1 Marchione, 2004, p. 9.
- ↑ Dalin, 2005, p. 47.
- ↑ Marchione, 2004, p. 10.
- ↑ Dalin, Rabbi David G. 2005. The Myth of Hitler's Pope: How Pope Pius XII Rescued Jews from the Nazis. Regnery, pg. 48. ISBN 0-89526-034-4.
- ↑ Fahlbusch, Erwin (ed.). Bromiley, Geoffrey W. (trans.). (2005). The Encyclopedia of Christianity. ISBN 0-8028-2416-1
- ↑ 7,0 7,1 Bertone, Tarcísio, Cardeal Discurso na Pontifícia Universidade Gregoriana. Visitado em 19.11.2008.
- ↑ Dalin, 2005, p. 58–59.
- ↑ Flores de S. Domingos, Ano II, Maio de 1936
- ↑ Radiomensagem Dum gravissimum (em italiano)
- ↑ Rádiomensagem dirigida aos povos e governos para evitar a guerra (in AAS, XXXI, 1939, p. 334)Un'Ora Grave (em italiano)
- ↑ http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/religion/5195584/Vatican-planned-to-move-to-Portugal-if-Nazis-captured-wartime-Pope.html
- ↑ [1] Visitado em 12.11.2008
- ↑ Alocução Nell’accogliere (em italiano)
- ↑ Allocutio Summi Pontificis: A.A.S., XL (1948), pgs. 137-138, citado por Andrés Vázques de Prada in "O Fundador do Opus Dei", vol. III, São Paulo: Quadrante, 2004, pgs.124-127
- ↑ Do Beato Pio IX: Encíclica Qui pluribus, 9 de novembro de 1846; Alocução Quibus quantisque, 20 de abril de 1849; Encíclica Noscitis et Nobiscum, 8 de dezembro de 1849; na Alocução Singulari quadam, 9 de dezembro de 1854; Encíclica Quanto conficiamur maerore, 10 de agosto de 1863.
- ↑ Quadragesimo anno, encíclica do Papa Pio XI
- ↑ Mater et Magistra, encíclica do Papa João XXIII
- ↑ Carta apostólica Dum maerenti animo (em italiano)
- ↑ Carta Apostólica Sacro vergente anno (em italiano)
- ↑ 21,0 21,1 21,2 21,3 Sales, Eugênio, jornal O Globo, 8 de novembro de 2008, pg.7.
- ↑ [2] Michael Journal, visitado em 20.11.2008
- ↑ Estadão em 22.12.2007.
- ↑ Zenit Visitado em 19.11.2008.
[editar] Bibliografia
- Acta Apostolicae Sedis. (AAS), Cidade do Vaticano 1939-1958.
- Ciampa, Leonardo. 2007. Pope Pius XII: A Dialogue. AuthorHouse. ISBN|1-425-97766-9
- Chinigo, Michael. 1960. Pio XII e os problemas do mundo moderno. Tradução de José Marins. Edições Melhoramentos. São Paulo, Brasil.
- Cushing, Richard. Pope Pius XII. Boston, 1959.
- David G. Dalin, Rabbi. 2005. The Myth of Hitler's Pope: How Pope Pius XII Rescued Jews from the Nazis. Regnery. ISBN 0-89526-034-4.
- Lapide, Pinchas. 1980. The Last Three Popes and the Jews. London and Southampton: Souvenir Press.
- Leiber, Robert. Papst Pius XII. Herbert Schambeck, in Pius XII, Butzon & Bercker, 1986.
- Lehnert, Pascalina, Ich durfte Ihm Dienen, Erinnerungen an Papst Pius XII. Naumann, Würzburg, 1986.
- Marchione, Sor. Margherita. 2000. Pope Pius XII: Architect for Peace. Paulist Press. ISBN 0-8091-3912-X
- Marchione, Sor. Margherita. 2002. Consensus and Controversy: Defending Pope Pius XII. Paulist Press. ISBN 0-8091-4083-7
- Marchione, Sor. Margherita. 2002. Shepherd of Souls: A Pictorial Life of Pope Pius XII. Paulist Press. ISBN 0-8091-4181-7
- Marchione, Sor. Margherita. 2004. Man of Peace: An Abridged Life of Pope Pius XII. Paulist Press. ISBN 0-8091-4245-7
- Pio XII, Discorsi e Radio Messaggi di Sua Santita Pio XII, Vatican City 1939-1958,Official speeches of Pius XII, 20 vol.
- Schneider, Burkhard. Pio XII, Pace Opera della Guistizia. Edizione Paoline, 1974, German, Pius XII, Würzburg, 1974.
- Soziale Summe Pius XII ed. A. F. Utz, J. F. Gröner, 4010 pages. in German, the non-theological teachings 1939-1958, III Vol.
- Pio XII, Discorsi Ai Medici collected by Fiorenzo Angelini, Roma, 1959.
- Tardini, Domenico, Pio XII. Tipografia Poliglotta Vaticana, 1960.
- Tornielli, Andrea. Pio XII, Um Homem no Trono de São Pedro, Milan: Mondadori, 2008. ISBN 978-88-04-57010-3
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
- Pio XII no site do Vaticano (em português)
- Pio XII durante a II Guerra Mundial (em castelhano)
- Cartas de Pio XII aos bispos de Münster e Berlim
- Perfil em Catholic hierarchy (em inglês)
- Homilia de Bento XVI no 50º. aniversário da morte do Servo de Deus.
| Precedido por Pio XI |
Papa 261.º |
Sucedido por Beato João XXIII |
