Rio Grande

Fonte: SAPO Saber, a enciclopédia portuguesa livre.

Nota: Para outros significados de Rio Grande, ver Rio Grande (clarificação).

Município de Rio Grande
"Noiva do Mar"
Brasão de Rio Grande
Bandeira de Rio Grande
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário
Fundação 1737
Gentílico rio-grandino
Lema
Prefeito(a) Fábio Branco (PMDB)
Localização
Localização de Rio Grande
32° 2' 06" S 52° 5' 56" O32° 2' 06" S 52° 5' 56" O
Unidade federativa border Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudeste Rio-grandense IBGE/2008 [1]
Microrregião Litoral Lagunar IBGE/2008 [1]
Região metropolitana
Municípios limítrofes Capão do Leão, Arroio Grande (O), Pelotas (N) e Santa Vitória do Palmar (S)
Distância até a capital 317 quilômetros
Características geográficas
Área 2.813,907 km²
População 195.582 hab. est. IBGE/2008 [2]
Metro {{{população_metro}}} hab. est. IBGE/2008 [2]
Densidade 69,0 hab./km²
Altitude 1 metros
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,793 médio PNUD/2000 [3]
PIB R$ 2.643.213 mil IBGE/2005 [4]
PIB per capita R$ 13.528,00 IBGE/2005 [4]

Rio Grande é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.

É a cidade mais antiga da colonização portuguesa do Rio Grande do Sul, tendo sido por muito tempo a capital do estado. Foi fundada em 1737 pelo Brigadeiro José da Silva Pais, e elevada à condição de cidade em 1835.

Está situada no extremo sul do estado do Rio Grande do Sul, entre as Lagoas Mirim e pela Lagoa dos Patos (a maior laguna do Brasil) e o Oceano Atlântico.

A cidade construiu sua riqueza ao longo de sua história devido à forte movimentação industrial. Ainda hoje é uma das cidades mais ricas do Rio Grande do Sul, e a mais rica da Zona Sul do estado, principalmente devido ao seu porto (o segundo em movimentação de cargas do Brasil), e à sua Refinaria (a cidade é a sede da Refinaria de Petróleo Ipiranga).

Possui uma área de 2.814 km².

Índice

[editar] Historia

A área de Rio Grande já era demonstrada em mapas holandeses décadas antes da colonização portuguesa na região. Por volta de 1720, açorianos vindos de Laguna chegaram à região de São José do Norte para buscar o gado cimarrón vindo das missões, possibilitando a posterior fundação do Forte Jesus, Maria, José e de Rio Grande, em 1737.

Em 1737, uma expedição militar portuguesa a mando de José da Silva Paes foi enviada com o propósito de garantir a possessão das terras situadas ao sul do atual Brasil. Em 17 de fevereiro de 1737, Silva Paes fundou o presídio de Rio Grande, na desembocadura do rio Rio São Pedro, que liga a Lagoa dos Patos ao Oceano Atlântico. Este presídio (colônia militar) é o Forte Jesus, Maria, José, que constituiu o núcleo da Colônia de Rio Grande de São Pedro, fundada oficialmente em maio de 1737. A escolha do lugar, com o estabelecimento de estâncias de gado, permitia apoiar as comunicações por terra entre Laguna e Colônia do Sacramento. Assim foi fundada a cidade mais antiga do Rio Grande do Sul de colonização portuguesa, uma vez que no espaço onde hoje compreende o estado do Rio Grande do Sul já existiam os Sete Povos das Missões, dentro de domínio espanhol na época, sendo que algumas cidades oriundas dessa formação jesuíta exista até hoje.

Em 1760, Rio Grande, que até então estava sujeita à Capitania de Santa Catarina, passou a ser a capital da nova Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, dependente do Rio de Janeiro.

Em 12 de maio de 1763, o espanhol Pedro de Ceballos (governador de Buenos Aires) invadiu a vila de Rio Grande, conquistando o forte, removendo os portugueses até São José do Norte, na margem oposta a Rio Grande, que também foi ocupada por Ceballos, passando a capital da capitania à população de Viamão, em 1766. Os povoadores portugueses que não fugiram até Porto dos Casais, foram transladados por Ceballos a Maldonado, dando origem ao povoado de São Carlos. Na noite de 6 de julho de 1767, as tropas portuguesas, por ordem do governador da Capitania do Rio Grande do Sul, coronel José Custódio de Sá e Faria, depois de violentos combates, expulsaram os espanhóis de São José do Norte.

A permanência dos espanhóis na vila durou até 1º de abril de 1776, data em que o comandante general português de São José do Norte, o alemão Johann Heinrich Bohm, atacou os fortes de Santa Bárbara e Trindade e recuperou a vila com ajuda do sargento maior Rafael Pinto Bandeira.[5]

Pedro de Ceballos foi o primeiro vice-rei do Vice-reino do Rio da Prata, e ao ser nomeado, recebeu a ordem de deter a expansão portuguesa. Em princípios de 1777, Ceballos e seus homens recuperaram a Ilha de Santa Catarina, sem disparar um só tiro, ja que a esquadra portuguesa abandonou a ilha. Em 21 de abril, chegou a Montevidéu, onde atacou o Forte de Santa Teresa, no atual departamento uruguaio de Rocha e dirigia-se contra a cidade de Rio Grande, quando recebeu notícias de um tratado de paz assinado entre Espanha e Portugal, que o obrigava a retirar-se da cidade.

[editar] Geografia

[editar] Relevo

Rio Grande é uma cidade litorânea, que possui a praia mais extensa do mundo (Praia do Cassino), com uma extensão de aproximadamente 250 km de costa para o Oceano Atlântico. Toda a sua área municipal se situa em baixa altitude com, no máximo, 11 metros acima do nível do mar. Vale ressaltar que a cidade é uma penísula, por estar rodeada de água, afunda cerca de 1 centímetro por ano.

[editar] Vegetação

A maior parte do município é composta por campos, com vegetação rasteira e herbácea. Também há pequenos bosques com árvores plantadas (eucaliptos e pinhos). Dunas de areia são encontradas em toda a costa litorânea.

[editar] Clima

O clima de Rio Grande é subtropical ou temperado, com forte influência oceânica e com invernos relativamente frios, verões tépidos e precipitações regularmente distribuídas durante o ano. A temperatura média anual da cidade é de 17,6°C e a precipitação média anual é de 1.162 mm.[6] O mês mais quente é janeiro, com temperatura média de 22°C, e o mês mais frio é julho, com temperatura média de 13°C. Devido à intensa incidência de ventos na cidade, a sensação térmica no inverno em Rio Grande freqüentemente chega abaixo de 0°C, durante os meses mais frios.

[editar] Etnias

A principal emigração ocorrida no município foi por portugueses provenientes da Póvoa do Varzim, Aveiro, zona da Bairrada e do arquipélago dos Açores, que influíram profundamente na cultura e na arquitetura da cidade. Outras etnias que também se estabeleceram na cidade foram os negros africanos, italianos, alemães, poloneses, árabes libaneses, árabes palestinos, ingleses e espanhóis.

[editar] Economia

Uma escuna na Lagoa dos Patos, durante a feira municipal denominada Festa do Mar.
Uma escuna na Lagoa dos Patos, durante a feira municipal denominada Festa do Mar.

Rio Grande tem se destacado em âmbito estadual e nacional ao longo dos últimos anos. Com a ampliação do canal no porto da cidade, novos investimentos deram novo fôlego a economia do município. Um pólo naval está se desenvolvendo em Rio Grande, sendo a plataforma petrolífera P-53, da Petrobras, a primeira grande operação na cidade. Além disso, Rio Grande tem uma economia extremamente competitiva e diversificada. A cidade é bem abastecida de bens e serviços em qualquer área.

Durante cerimônia de batismo da plataforma P-53, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, confirmaram a assinatura do principal contrato para a plataforma P-55, com o consórcio das empresas Queiroz Galvão, Iesa e UTC Engenharia, que inclui a integração do casco com os módulos, que será realizado no Estaleiro Rio Grande, junto ao dique seco, no Superporto. Dos seis módulos, quatro serão montados no dique seco do Rio Grande, sendo um de remoção de sulfato e outro de compressão, que ficará sobre responsabilidade da Iesa. Já o Consórcio Top 55, formado por acionistas da Quip (Queiroz Galvão, IESA e UTC Engenharia), além da integração do casco com os módulos da plataforma, construirá o convés e os módulos de alojamento e de painéis elétricos. Em seu discurso, após a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, ter batizado a P-53, Gabrielli salientou que além da construção e integração dos módulos da P-55 no porto gaúcho, ainda serão construídos oito cascos em séries em Rio Grande.

[editar] Educação

A cidade de Rio Grande conta com um sistema de educação completo: FURG (Universidade Federal do Rio Grande), Ensino Fundamental Municipal e Estadual, Ensino Médio Estadual e Federal (CTI - FURG) e, Ensino Técnico com destaque do CTI (Colégio Técnico Industrial) e conta várias Escolas e Universidades Particulares.

[editar] FURG

A FURG, Universidade Federal do Rio Grande, é conhecida por ser uma das mais completas do extremo sul brasileiro. Foi fundada a 8 de julho de 1953 com o nome de Fundação Cidade do Rio Grande e na época só contava com o Curso de Engenharia. Ao passar do tempo, foram criadas outras faculdades: Ciências Políticas, Ciências Econômicas, Direito etc. Começou a sua história com aulas na Bibliotheca Rio Grandense, passou por uma reforma e foi erigido o atual Campus Cidade da Universidade. Hoje a Universidade tem faculdades no Campus Cidade e Campus Carreiros e conta com complexos de museus (ex.: Museu Oceanográfico de Rio Grande), Estação de Apoio Antártico, Hospital Universitário e Sistemas de Bibliotecas.

[editar] Trânsito

Igreja Episcopal do Redentor - Igreja anglicana situada no centro da cidade
Igreja Episcopal do Redentor - Igreja anglicana situada no centro da cidade

Embora seja uma cidade relativamente pequena, com sua população em torno de 200 mil habitantes, Rio Grande enfrenta sérios problemas de trânsito. Diversos fatores explicam esses problemas, como a crescente população devido ao pólo naval presente na região e também o significativo aumento da frota, acompanhando o aumento do poder de compra da população. Em apenas 3 anos, a frota de veículos na cidade aumentou em 50%, saltando de 40 para 60 mil. Rio Grande apresenta 1 carro para cada 3 habitantes. Para amenizar os problemas no tráfego, a Secretária dos Transportes promove desde o início de 2008 várias mudanças no fluxo, sendo as principais a mudança no sentido da rua Senador Corrêa, avenida Buarque de Macedo, Rua 2 de Novembro, Avenida Presidente Vargas e Avenida Rheingantz. As duas primeiras passam a ser vias de saída da cidade, funcionando em mão-única no sentido centro-bairro, enquanto a avenida Rheingantz faz o sentido inverso. Dize-se que tais mudanças não passaram de meros paliativos, pois não resolvem o problema a médio prazo, tendo em vista que são necessárias obras viárias de alargamentos, duplicações de ruas, etc.

[editar] Esportes

A cidade tem uma forte movimentação esportiva. Possui vários campeões de diversas modalidades de artes marciais e maratonistas, mas o forte da cidade é o futebol. A cidade conta com três clubes profissionais: o Football Club Rio-Grandense, o Sport Club São Paulo e o Sport Club Rio Grande (o clube de futebol mais antigo do Brasil). Todos os clubes já foram campeões gaúchos. Os títulos de Campeão Gaúcho foram os seguintes:

  • 1933: São Paulo
  • 1936: Rio Grande
  • 1939: Rio-Grandense

[editar] Personalidades rio-grandinas do esporte

[editar] Tipografias

A cidade possuiu diversas tipografias ao longo do século XIX, editando jornais e livros diversos na cidade:

I - Tip. de Francisco Xavier Ferreira, que publica jornal O Noticiador, fundado em 3 de janeiro de 1832, O Propagador da Indústria Rio-grandense, entre outros, além de obras como Hino que se cantou na noite do dia 24 do corrente pela feliz noticia da Gloriosa Elevação do Sr. dom. Pedro II ao Trono do Brasil (1831), considerado o primeiro texto impresso na cidade rio-grandina, e Relação dos festejos, que fizeram os portugueses residentes na vila do Rio Grande do Sul, em demonstração de seu júbilo pelo restabelecimento da paz, e da liberdade, na sua pátria, em 1834;

II - Tip. do Observador;

III - tipografia de Sabino Antônio de Souza Niterói, denominada inicialmente de Mercantil, enquanto eram impressos os jornais Liberal Rio-Grandense e Mercantil do Rio Grande (entre os anos de 1835 e 1840), e posteriormente de Niterói, quando foi editado o jornal Conciliador (1840-41) e o A Voz da Verdade (1845-46);

IV - tipografia Pomatelli; em 5 jul. 1847, foi vendida para Perry de Carvalho; em 1o maio 1849, foi revendida a Antonio Bonone Martins Viana e, em setembro de 1850, a Bernardino Berlink;

V - Tip. de Cândido Augusto de Mello, com diversos jornais e obras;

VI - tipografia do jornal Diário de Rio Grande, com diversos jornais e obras;

[editar] Jornais

A cidade possuiu centenas de jornais durante os séculos XIX e XX, destacando-se tanto pelo número, como pela importância e também pela longevidade de alguns desses periódicos, dentre os quais destacam-se "A Luta" e "Eco do Sul". Atualmente, existem dois jornais de circulação diária, o 'Agora' e o Diário Popular, além de outros semanários, como Bom Dia Comunidade e Jornal Cassino.

[editar] Pontos turísticos

A cidade como um todo é considerada um patrimônio histórico. Como principais pontos a serem visitados, podemos destacar:

[editar] Cidade-irmã

Rio Grande possui uma cidade-irmã, Águeda. É possível ver-se uma homenagem a esta cidade num painel de lajes azuis - símbolo de Portugal - próximo ao Largo Dr. Pio.

[editar] Ver também

[editar] Referências

  1. 1,0 1,1 Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. Estimativas da população para 1º de julho de 2008 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de agosto de 2008). Página visitada em 5 de setembro de 2008.
  3. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  4. 4,0 4,1 Produto Interno Bruto dos Municípios 2002-2005. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (19 de dezembro de 2007). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. Río Grande - Página do Gaúcho
  6. Regime anual e estacional de chuvas no Rio Grande do Sul, UFRGS

[editar] Ligações externas

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