Roberto Martins

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Roberto Martins (Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1909 - 14 de Março de 1992) foi um compositor brasileiro.

[editar] História

Nasceu em 29 de janeiro de 1909, na estação do Riachuelo, subúrbio do Rio de Janeiro. Filho de Isaura Maria Machado e Francisco José Martins. Seu pai era comerciante e com toda a família – a mãe e mais três irmãos – vieram da cidade de Braga, em Portugal. Chegando ao Brasil fez o que todo imigrante fazia: apoiado na colônia lusitana começou a trabalhar como empregado num armazém de secos e molhados, para depois se tornar sócio e, finalmente, proprietário. Roberto, o segundo filho do casal, ficou órfão com um ano de idade. A morte prematura de seu pai causou um grande abalo emocional e financeiro na família. De repente, sua mãe, muito jovem e inexperiente, teve que trabalhar para sustentar a casa. Como tocava piano muito bem, foi ganhar dinheiro tocando nos cinemas dos subúrbios do Rio de Janeiro. Essa influência musical marcará o futuro do compositor. Ouvindo sua mãe tocar, Roberto aprende as primeiras notas, despertando nele o interesse pela música. Mas a situação financeira continuava muito difícil, e muito cedo Roberto fazia biscates para ganhar dinheiro. Trabalha em várias fábricas, aprende o ofício de empalhador, mas deixa para trabalhar no comércio. Sua mãe volta a casar e tem mais três filhos. Em 1929, Roberto entra para guarda-civil. Como policial, passou a circular mais pela cidade, tendo oportunidade de conhecer as rodas da boemia da Lapa e da Praça Tiradentes e enturmar-se com cantores e compositores profissionais.

[editar] Obra Musical

Nesse período compôs seu primeiro samba, Justiça (1929), que, embora não chegasse a ser gravado, teve sua letra publicada no livro Samba, de Orestes Barbosa. Em 1933 consegui que duas de suas composições fossem gravadas por Leonel Faria, na Odeon; Regenerado e Segredo. Em 1935, Roberto Martins conseguiu levar ao disco nove composições, consolidando em definitivo sua carreira musical. No ano seguinte, em parceria com Waldemar Silva, compôs Favela, primeiro grande êxito, interpretado por Francisco Alves. Em 1937 foi transferido para o 5° distrito, como investigador, lá ficando até 1939, quando conseguiu licença de dois anos e não mais voltou à polícia, desempenhado a partir daí somente atividades relacionadas com a música. O ano de 1939 é o de seu grande sucesso, Meu consolo é você (com Nássara), samba gravado por Orlando Silva, que ganhou o concurso de músicas carnavalescas da prefeitura. No carnaval seguinte, sua batucada, Cai, cai gravada por Joel Gaúcho, se transformou num clássico de carnaval, continuando entre as mais tocadas em bailes durante a década de 1970. Desde 1937, até 1945, já vinha participando, como ritmista, da Orquestra de Simon Bountman, e em 1943 começou a trabalhar na UBC, da qual foi sócio fundador e conselheiro permanente. No mesmo ano, com Mário Rossi, compôs Beija-me, gravada por Ciro Monteiro, e Renúncia, um dos primeiros êxitos de Nelson Gonçalves. Em 1945 alcançou sucesso no carnaval com a marcha O cordão dos puxa-sacos (com Erastóstenes Frazão), gravada pelos Anjos do Inferno. Nos carnavais seguintes, a Marcha dos gafanhotos (com Erastóstenes Frazão) e Cadê Zazá? (com Ari Monteiro) foram grandes êxitos, nas vozes de Albertinho Fortuna (1948), respectivamente. Teve muitos outros parceiros, em composições de vários gêneros: sambas, batucadas, marchas, valsas e foxes. Entre eles Benedito Lacerda, a valsa Aliança Partida; Jorge Faraj o samba Menos eu; Mário Lago, o fox Dá-me tuas mãos e Mário Rossi, a valsa Bodas de prata. Roberto Martins percorreu vários gêneros da música popular, totalizando 395 gravações. A maioria delas tipicamente brasileiras: 197 sambas, 12 sambas-canções, 97 marchas, 16 batucadas, 7 chorinhos, 2 marchas-rancho, 1 partido, 2 samba-choro, 2 baiões e 1 samba-exaltação. A música popular estrangeira também inspirou Roberto Martins: 33 valsas, 11 foxes, 4 foxes-canção, 4 boleros, 2 rumbas e 1 tango. Entre seus principais intérpretes estão Francisco Alves, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Anjos do Inferno e Orlando Silva. O último êxito de Roberto Martins foi o samba Pedreiro Waldemar, em parceria com Wilson Batista, gravado por Blecaute, em 1949. A partir daí, passaria a se engajar cada vez mais na luta pelos direitos autorais. Aposentou-se na década de 80, afastando-se dos meios artísticos. Em 1989, foi homenageado com o show "À Roberto Martins: nos seus 80 anos de vida, música e carnaval", criado e dirigido por Ricardo Cravo Albin, no qual o compositor apareceu narrando sua vida e falando de sua obra, cantada na ocasião pela dupla Marília Barbosa e Chamon. No cenário atual, Roberto Martins, foi regravado por Moacyr Luz, que redescobriu os sambas “Não deves sorrir para mim” e “Leva meu coração”, parceria com Mário Lago. Elza Soares, Thalma de Freitas e Zeca Pagodinho o samba “Beija-me”, parceria com Mário Rossi. No dia 14 e março de 1992, aos 83 anos, Roberto Martins falece no Rio de Janeiro, deixando viúva Isaura e seus três filhos: Yole, Jorge Roberto e Elizabeth.

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