Jerónimo de Strídon
Fonte: SAPO Saber, a enciclopédia portuguesa livre.
| São Jerónimo | |
|---|---|
| São Jerónimo, por Domenico Ghirlandaio | |
| Festa litúrgica | 30 de setembro |
São Jerónimo (Strídon, cerca de 347 — Belém, 30 de setembro de 419/420), de seu nome completo Eusebius Sophronius Hieronymus, é conhecido sobretudo como tradutor da Bíblia do grego antigo e do hebraico para o latim. É o padroeiro dos bibliotecários e dos tradutores e patrono das secretárias.
A edição de São Jerónimo, a "Vulgata", é ainda o texto bíblico oficial da Igreja Católica Romana, que o reconhece como Padre da Igreja (um dos fundadores do dogma católico) e ainda doutor da Igreja. Nasceu em Strídon, na fronteira entre a Panónia e a Dalmácia (motivo pelo qual também é chamado de Jerónimo de Strídon), no segundo quarto do século IV e faleceu perto de Belém, na sua cela, próximo da gruta da Natividade.
A Vulgata foi publicada cerca de 400 d.C., poucos anos depois de Teodósio I ter feito do Cristianismo a religião oficial do Império Romano (391).
Índice |
[editar] Versões do nome
Jerónimo é um nome partilhado através das línguas europeias de formas notavelmente pouco intuitivas: latim e alemão Hieronymus, inglês Jerome, francês Jérôme, holandês Jeroen, italiano Girolamo, castelhano e português Jerónimo, galego Xerome.
[editar] Biografia
Dele disse o Papa Bento XVI:
«A preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerónimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois do Saltério e de grande parte do Antigo Testamento.»
«Tendo em conta o original hebraico e grego, a Septuaginta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerónimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: constitui a chamada "Vulgata", o texto "oficial" da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece o texto "oficial" da Igreja de língua latina.»
«É interessante ressaltar os critérios aos quais o grande biblista se ateve na sua obra de tradutor. Revela-o ele mesmo quando afirma respeitar até a ordem das palavras das Sagradas Escrituras, porque nelas, diz, "até a ordem das palavras é um mistério" (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Reafirma ainda a necessidade de recorrer aos textos originais: "Quando surge um debate entre os Latinos sobre o Novo Testamento, para as relações discordantes dos manuscritos, recorremos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Do mesmo modo para o Antigo Testamento, se existem divergências entre os textos gregos e latinos, apelamos ao texto original, o hebraico; assim tudo o que brota da nascente, podemos encontrá-lo nos ribeiros" (Ep. 106, 2).»
(Audiência geral, Roma, em 7 de novembro de 2007).
[editar] Crítica
Os críticos da tradução da "Vulgata", apoiam-se neste trecho para afirmar que Jerónimo teria adulterado o seu conteúdo na tradução do texto grego para o latino: «Obrigas-me fazer de uma Obra antiga uma nova... da parte de quem deve por todos ser julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido. Qual, de fato, o douto e mesmo o indouto que, desde que tiver nas mãos um exemplar, depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler, não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrílego, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros? (Meclamitans esse sacrilegum qui audeam aliquid in verteribus libris addere, mutare, corrigere). Um duplo motivo me consola desta acusação. O primeiro é que vós, que sois o soberano pontífice, me ordenais que o faça; o segundo é que a verdade não poderia existir em coisas que divergem, mesmo quando tivessem elas por si a aprovação dos maus». (Obras de São Jerónimo, edição dos Beneditinos, 1693, t. It. Col. 1425).
Esta crítica, porém, parte do pressuposto errado de que o fazer "uma nova obra" é "corromper" uma existente. Jerónimo, tal como garante parágrafos adiante, apenas se refere à dificuldade de traduzir para latim os textos ao ter que manter, simultaneamente, o seu sentido original mediante uma tradução literal dos mesmos.
[editar] Ver também
- A história do declínio e queda do império romano;
- Ordem de São Jerónimo;
- Lista de todos os santos;
- Chronicon (Jerônimo); uma cronologia universal, baseada na obra Chronicon de Eusébio de Cesareia.
[editar] Ligações externas
- Página oficial do Mosteiro dos Jerónimos;
- Site da obra de S. Jerónimo «De Viris Illustribus» («Dos Varões Ilustres»), em inglês;
- São Jerônimo no sítio da Santa Sé (1).
- São Jerônimo no sítio da Santa Sé (2).
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