Siegfried
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Sigurd (nórdico antigo: Sigurðr; também conhecido em alemão como Siegfried) é um herói lendário da mitologia nórdica e personagem central da Saga dos Volsungos. As primeiras representações de sua lenda vêm de sete pedras rúnicas da Suécia.[1]
Como Siegfried, é o herói do Nibelungenlied, e das óperas Siegfried e Götterdämmerung de Richard Wagner. O nome Sigurðr não é o mesmo que o alemão Siegfried. A versão em nórdico antigo seria Sigruþr, uma forma que aparece no petróglifo de Ramsund.[2] Nota-se que todas as variações do nome possuem o prefixo "Sig", que significa vitória.
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[editar] Saga dos Volsungos
Na Saga dos Volsungos, Sigurd é o filho póstumo de Sigmund com sua segunda esposa, Hiordis. Sigmund morre em batalha quando ataca Odin (sob disfarce), e Odin destrói sua espada. Ao morrer, Sigmund anuncia à Hiordis sua gravidez e a deixa os fragmentos de sua espada para o filho ainda não nascido.
Hiordis se casa com o rei Alf, que resolve enviar Sigurd a Regin. Regin tenta Sigurd em ganância e violência: ele começa perguntando ao jovem se ele possui controle ao ouro do pai. Ao ser respondido que Alf e sua família controlam o ouro e que ele daria o que Regin desejasse, Regin questiona o motivo dele ter uma posição modesta na corte. Sigurd replica que era tratado como igual pelos reis, mas Regin pergunta o motivo do jovem não ter um um cavalo próprio. O jovem então obtém Grani para si, um cavalo derivado de Sleipnir, do próprio Odin. Por fim, Regin o conta a história do ouro da lontra.
O pai de Regin era Hreidmar, cujos dois irmãos eram Ótr e Fafnir. Certo dia, Æsir vê Ótr com um peixe, o confunde com uma lontra, e Loki o mata. Levam o corpo para perto da casa de Hreidmar para exibir a captura. Hreidmar, Fafnir e Regin percebem a morte, e exigem que Æsir preencha o cadáver com ouro e encubra a pele com tesouro fino como compensação da morte. Loki havia capturado Andvari e exigido todo o ouro do anão. Ele recebe o tesouro, exceto pelo anel. Entretanto, Loki também obtém o anel, mas carregado com uma maldição de morte a quem o usasse. Æsir usa esse ouro para preencher o cadáver, cobre a pele também com ouro e finaliza com o anel. Por fim, Fafnir mata Hreidmar e toma o ouro.
Sigurd aceita matar Fafnir, que se transforma em dragão para poder proteger melhor seu ouro. Hábil como ferreiro, Regin constrói uma espada para Sigurd, que a testa numa bigorna. Por ter sido quebrada, Regin o faz outra espada, que também quebra. Por fim, Regin constrói uma espada a Sigurd a partir dos fragmentos da espada deixada por Sigmund. O resultado é a Gram (Balmung), que consegue destruir a bigorna. Sigurd então mata o dragão Fafnir, e se banha com o sangue do inimigo para ter invulnerabilidade, exceto por um dos ombros, coberto por uma folha. Regin então pede a Sigurd o coração de Fafnir, e Sigmund também bebe um pouco do sangue do dragão, ganhando a habilidade de entender a língua dos pássaros. Os pássaros o alertam matar Regin, que tramava a morte do jovem. Sigurd cumpre o pedido, mata Regin e consome o coração de Fafnir, recebendo o dom da sabedoria.
Sigurd então encontra Brynhildr, e os dois se apaixonam. Ele encontra Gjúki, que tinha três filhos e uma filha de sua esposa, Grimhild. Os filhos era Gunnar, Hogni e Guttorm, e a filha era Gudrun. Grimhild fez uma poção mágica para forçar Sigurd a esquecer Brynhild, para que ele pudesse se casar com Gudrun. Posteriormente, Gunnar queria casar com Brynhild. Entretanto, ela havia sido cercada com fogo, e prometeu a si mesma se casar somente com quem pudesse passar o bloqueio. Somente Grani poderia realizar tal feito, o cavalo de Sigurd. Sigurd incorpora Gunnar, passa as chamas e ganha Brynhild para Gunnar.
Posteriormente, Brynhild questiona Gudrun por ter um marido melhor, e Gudrun a explica tudo que aconteceu. Por ter sido enganada, Brynhild planeja vingança. Primeiramente, ela se recusa a falar com os outros. Sigurd é enviado por Gunnar para averiguar o que estava errado, e Brynhild o acusa de tomar liberdades com ela. Por essa acusação, Gunnar e Hogni planejam a morte de Sigurd e encantam seu irmão Guttorm para realizar o feito. Guttorm mata Sigurd na cama, com uma lança diretamente no seu ponto fraco, que havia sido coberto pela folha ao se banhar com o sangue do dragão. Brynhild mata o filho do herói, Sigmund, que tinha três anos. Sabendo que o amado havia sido enfeitiçado para esquecê-la, ela trama sua própria morte, e constrói uma pira funerária para Sigurd, a Sigmund, a Guttorm e a si própria.
[editar] Relação com outras lendas
Existem paralelos desta lenda com outros mitos e lendas europeus. A espada de Sigmund é similar à espada do rei Artur. A história de Sigurd comer o coração do dragão é muito similar à história irlandesa de Fionn Mac Cumhaill comer o Salmão da Sabedoria que ele prepara para seu mentor, Finn Eces. Sua invulnerabilidade e seu ponto forte segundo o Nibelungenlied são similares aos do herói grego Aquiles, o herói persa Esfandiar e o épico indiano Mahabharata.
[editar] Adaptações
A adaptação mais conhecida da história de Sigurd é a adaptação de Richard Wagner para a tetralogia Der Ring des Nibelungen, escrita entre 1848 e 1874. A lenda do herói é a base de Siegfried e contribui com as histórias de Die Walküre e Götterdämmerung.
De William Morris, o poema épico Sigurd the Volsung (1870) é a adaptação mais conhecida em inglês. Em francês, o compositor Ernest Reyer escreveu a ópera Sigurd (1884).
Crê-se que a representação mítica de Sigurd foi transformada dentro da tradição cristã, sendo em parte sincretizada na figura de São Jorge.
Há também um Siegfried na Saga de Asgard do anime Os Cavaleiros do Zodíaco.
[editar] Referências
- ↑ An article at the Museum of Foteviken, Sweden, acessado em 19 de janeiro de 2007.
- ↑ Brate, E. (1922). Sveriges runinskrifter. p. 126.
