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[editar] Centro Nacional de Cultura

Centro Nacional de Cultura
Centro Nacional de Cultura

O Centro é uma Associação Cultural fundada em 1945, durante o Salazarismo, como um espaço de encontro e de diálogo entre os diversos sectores políticos e ideológicos, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Desde o 25 de Abril de 1974, o CNC tem-se esforçado por transmitir uma noção de cultura sem fronteiras, quer disciplinares, quer geográficas. Ele tenta ser o elo de ligação entre aqueles cujos caminhos normalmente não se cruzam: velhos e jovens, artistas e empresários, sector público e privado. Grande parte da sua acção é dedicada à defesa do património cultural português, à divulgação do papel desempenhado pela cultura portuguesa no mundo, e à actualização das suas relações com outras culturas. Isto é feito através de exposições, de publicações, de cursos de formação, de viagens de estudo de âmbito cultural e de colóquios. Para além das actividades dirigidas ao grande público o C.N.C. organiza ateliers infantis, acções de formação específica para jovens, professores e guias de turismo cultural, promove cursos livres abrangendo as mais diferentes áreas e presta serviços culturais a associações, empresas, autarquias e organismos públicos. A dimensão europeia tem vindo a adquirir peso crescente no CNC, que desenvolve projectos em parceria com congéneres de outros países europeus e acolhe estagiários e artistas estrangeiros ao longo do ano. É actualmente presidido por Guilherme d'Oliveira Martins .

[editar] História

O Centro Nacional de Cultura foi fundado em Outubro de 1945 por Afonso Botelho, António Seabra e Gastão da Cunha Ferreira. Fernando Amado e Almada Negreiros participam desde o início no projecto, primeiro sedeado no Largo de S. Roque, de onde nasce uma “Exposição de Arte Moderna” e um leilão de quadros para angariação de fundos. Em 1946, nasceu o grupo de teatro, que levou à cena “A Caixa de Pandora”, sob a direcção de Amado e com representações no Teatro Ginásio. Rui Cinatti, Vasco Futcher Pereira, Raul Feio, entre outros, foram os actores.Rua da Horta Seca, Rua do Ataíde, Rua do Loreto foram as sedes do CNC, presidido ainda por João Camossa Saldanha e depois por Gonçalo Ribeiro Telles. Os primeiros estatutos definitivos chegam em 1952. Sob a direcção de José Fernando Martins de Carvalho, em 1953, o Centro muda-se definitivamente para a rua António Maria Cardoso, nº 68. Afonso Botelho, Delfim Santos, Gabriel Marcel realizam neste período conferências sobre a saudade, a filosofia actual e o existencialismo cristão.

Em 1954 o grupo de teatro transforma-se na Casa da Comédia. Sousa Tavares marca decisivamente o CNC, num sentido personalista e constitucional. Aqui se reúnem os fundadores da revista “57” Álvaro Marinho, Álvaro Ribeiro, Afonso Botelho, Orlando Vitorino e António Quadros. Surge no final de cinquenta o Círculo de Estudos Políticos, animado por Sousa Tavares. Em 1961 realizam-se as célebres conferências de quinta-feira. Era presidente Helena Cidade Moura. Quando Goa é invadida, os sócios do CNC criticam a atitude de Salazar. Sousa Tavares e Natália Correia fazem discursos inflamados depois de um cortejo até aos Jerónimos. Sousa Tavares, primeiro, Fernando Amado, depois, animam sessões cada vez mais críticas do regime, com o Padre Manuel Antunes, bem como António Alçada Baptista, Lindley Cintra, Michel Giacometti, Vitorino Nemésio, Delfim Santos, Sant’Ana Dionísio e José Marinho. A Resistência Cristã (Nuno de Bragança, José Pedro Pinto Leite e João Bénard da Costa) fazem no CNC a sua sede. Depois do fecho da Sociedade Portuguesa de Escritores, por causa da atribuição do prémio a Luandino Vieira, Sophia de Mello Breyner torna o CNC o lugar de resistência intelectual. Os jovens universitários tornam-se presença assídua (António Reis, Jaime Gama, José Luís Nunes, Eduardo Prado Coelho, Nuno Júdice, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra). Alguns dos monárquicos da primeira hora saem. Sob a presidência de Francisco Lino Neto, realiza-se o 1º Encontro Nacional de Críticos de Arte. Homenageia-se Manuel Bandeira e Raul Brandão. Gastão Cruz, Eduardo Prado Coelho e Jorge Sampaio intervêm activamente nas actividades do CNC.

Na nova década, os debates de temas controversos continuam. Ultramar, Censura, Liberdade de Imprensa e Urbanismo são assuntos que atraem muitos assistentes. Em 1970, António Alçada Baptista e Nuno Teotónio Pereira trazem para o Centro Nacional de Cultura a sede da “Associação para a Liberdade da Cultura”, presidida em Paris por Pierre Emmanuel. Sedas Nunes, Lindley Cintra, Joel Serrão, Mário Murteira, José Cardoso Pires, José-Augusto França, Miller Guerra, José Ribeiro Santos, João Bénard da Costa, e ainda Nuno de Bragança, Nuno Teotónio Pereira, Maria de Lourdes Belchior, Rui Grácio, José Palla e Carmo, Padre Manuel Antunes e João de Freitas Branco constituem a comissão portuguesa. Nuno Teotónio Pereira, António Alçada Baptista, José Cardoso Pires e João de Freitas Branco assumem rotativamente a presidência do Centro até 1974. João Bénard da Costa será o secretário da direcção no período de 1970 a 1974. É um momento de contradições e de perplexidades – se Nuno Teotónio Pereira é preso, Veiga Simão, o novo Ministro da Educação, constitui uma Comissão de Cultura exclusivamente com membros do CNC. A Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos funciona no Centro. A liberdade de imprensa é discutida. Há cursos livres sobre temas controversos e proibidos (o marxismo, o anarco-sindicalismo, a primeira República, o anarquismo, os novos caminhos da Igreja), realizam-se os jornais falados sobre temas de política e de cultura. Uma sessão com José Afonso é proibida e, fechadas as portas do Centro, acaba em repressão policial.Chega finalmente a democracia. Francisco Sousa Tavares está em 25 de Abril de 1974 no Largo do Carmo, como sempre estivera na primeira linha de contestação ao regime. A legalização dos partidos políticos reduz a actividade do Centro nos primeiros meses da revolução. José-Augusto França à frente dos destinos do CNC instala o departamento de História de Arte da Universidade Nova no Centro.

Em 1977, Helena Vaz da Silva assume a presidência do CNC e inicia-se uma nova fase de debates, de passeios de domingo, de inúmeros projectos sobre o Património Cultural e sobre a projecção internacional da presença portuguesa. Com a sua morte, em 2002, Guilherme d’Oliveira Martins torna-se Presidente do CNC afirmando publicamente seguir a linha da sua antecessora e amiga. Em 2006, o CNC inaugura uma delegação no Porto.

[editar] Passeios de Domingo

Imagem:Passeios_de_Domingo.JPG

Inspirado no titulo de José Régio “e davam grandes passeios ao Domingo” o CNC lançou, por iniciativa de Helena Vaz da Silva , a ideia do primeiro Passeio de Domingo em 11 de Janeiro de 1979 com um encontro marcado através dos jornais, junto da estátua do Terreiro do Paço. Desde então, realizaram-se quase mil visitas guiadas aos fins-de-semana, ora em Lisboa, ora, também por todo país. Com elas se foi dando a conhecer, com o apoio de especialistas e de instituições locais, o património histórico-artístico e etimológico português através de visitas a museus, monumentos, fabricas, bairros, escolas, ateliers de artistas, restaurantes, casas particulares, bem como o património natural através de marchas na montanha, subida de rios, prática de espeleologia e vistas a reservas naturais.Estas visitas perpetuam-se, desde 2006, no então criado núcleo do Porto do CNC.

[editar] "Os portugueses ao encontro da sua história"

Ciclo de viagens iniciado pelo CNC em 1985 e que se mantém na actualidade, cujo objectivo é ir ao encontro dos vestígios deixados pelos portugueses dos séculos XVII e XVIII pelo mundo fora, realizando na actualidade novas formas de relacionamento com base nessa história comum. Índia(1985, 1986 e 2006), Marrocos (1986 e 1987), China, Tailândia, Birmânia e Singapura (1987), Brasil (1989 e 2005), Japão (1992), Indonésia e Timor (2001), São Tomé, Benim, Senegal e Cabo Verde (2004), América do Sul (2007), Polónia e Rússia (2008) foram as viagens realizadas. Seguiu-se-lhes a publicação dos respectivos diários da autoria de escritores e artistas plásticos como Jorge Borges de Macedo, Alberto Vaz da Silva e Graça Morais, Agustina Bessa-Luís e Fernando Távora, Jorge Listopad e Lagoa Henriques, Inês Pedrosa e João Queiroz, Miguel Real e Adriana Molder, Almeida Faria e Bárbara Assis Pacheco, entre outros. Fica também a série de guias Portugal e o Mundo: o Futuro do Passado cuja produção o CNC iniciou em 2002, que pretendem relembrar e aprofundar as ligações históricas e culturais entre Portugal e as diversas regiões do mundo por onde passaram descobridores lusitanos, relatar de uma forma cuidada e precisa, leve e interessante o cruzamento entre povos bem distintos entre si, bem como “trilhar” de novo os itinerários deixados pelos portugueses e os europeus que se cruzaram por essas regiões.


[editar] Festa no Chiado

Iniciativa do Centro Nacional de Cultura de revitalização da zona do Chiado,iniciada em 2002.Tem como principal objectivo a realização de actividades de animação urbana. O respectivo programa, feito em parceria com as principais instituições culturais e outras entidades sedeadas no Chiado, inclui espectáculos de animação de rua,visitas pedonais a locais habitualmente inacessíveis ao público,visitas a monumentos e museus, teatros e outras instituições desta zona histórica, e ainda exposições, concertos e tertúlias literárias.Vai na 12ª edição.

[editar] Cursos

A partir de 1980 o CNC promove cursos abertos ao público em geral que não necessitam de formação académica específica e que abrangem as mais diversas áreas e temas das Artes, das Ciências e das Letras, orientados por nomes conhecidos dentro das áreas leccionadas. Da história da arte à arqueologia subaquática, da arqueologia industrial à arte de falar em público ou à reparação dos próprios objectos pessoais, inúmeros temas foram leccionados por nomes como David Mourão Ferreira , Fernando António Baptista Pereira, Jorge Custódio, Manuel Rio Carvalho, Rui Vieira Nery e Lagoa Henriques , entre outros.

[editar] Raíz e Utopia

“Raiz e Utopia” foi uma revista que surgiu na Primavera de 1977, liderada por um grupo de que fazia parte António José Saraiva, com o intuito de restaurar a importância do pensamento autónomo em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril de 1974 e do “verão quente” de 1975.Lutava por uma via personalista e ambientalista, queria repensar a sociedade mas também melhorar a vida. Religar pensamento e acção, estimular críticas e suscitar alternativas para uma civilização diferente.Desde o número 5 até final a direcção da revista foi assegurada por Helena Vaz da Silva.Foi uma “pedrada no charco” enquanto existiu, única no seu género em Portugal, e quando parou, em 1981, não foi por falta de leitores, foi porque entendeu ter esgotado o seu projecto e cumprido a sua missão de proclamar uma nova atitude face à vida e à política.Além de grandes entrevistas a personalidades estrangeiras, como Edgar Morin , Martin Walser, Emma Bonino, Ivan Illich ou Cornelius Castoriadis , ou nacionais, como Agustina e Nuno Bragança, incluem-se artigos assinados por Marguerite Yourcenar, Eduardo Lourenço , António José Saraiva, Helena Vaz da Silva, João Fatela, Gonçalo Ribeiro Telles, Madalena Perdigão, Paul Thibaud, entre muitos outros.

Lista de todas as publicações

[editar] Ligações

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